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O Seu Dinheiro consultou especialistas no setor financeiro para entender se há, de fato, um risco real para os bancos digitais no Brasil. Por que a resposta unânime é “não”?
A liquidação do will bank, na semana passada, reacendeu um velho fantasma do sistema financeiro: o medo de contágio. Nas redes sociais, comentários sobre a possível quebra de outros bancos digitais se multiplicam.
A insegurança já aparece em conversas informais e virou conversa de bar. Ou de restaurante. Quando fui jantar recentemente, em São Paulo, um garçom questionava o cliente da mesa ao lado: “E se o Nubank quebrar? Não é melhor sacar tudo?”.
O tom vem sendo de pânico — ingrediente clássico de uma corrida bancária, capaz de derrubar até instituições saudáveis quando o temor coletivo se sobrepõe aos fatos.
Foi diante desse clima que o Seu Dinheiro decidiu ir além do ruído. A pergunta que guiou esta reportagem é simples: há, de fato, um risco real para os bancos digitais no Brasil? E mais: faz sentido migrar todo o dinheiro para os grandes bancos tradicionais neste momento?
Para responder, ouvimos especialistas que acompanham de perto o sistema financeiro: Roberto Luis Troster, sócio da consultoria Troster & Associados e ex-economista-chefe da Febraban e da Associação Brasileira de Bancos (ABBC); Ricardo Hammoud, economista e professor da FGV; Luis Miguel Santacreu, analista da agência de classificação de risco Austin Rating; e Alexandre Jorge Chaia, professor do Insper.
Enquanto rolava pelas redes sociais, me deparei com um comentário: “nunca confie em um banco que não tem agência física para jogar uma pedra se precisar”. Era brincadeira, claro. Mas ajudou a fomentar a histeria.
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Antes de tudo, é importante colocar os fatos em perspectiva. Fraudes, má gestão e operações temerárias não são exclusividade de bancos digitais.
O próprio Banco Master, epicentro da crise recente, possuía licença bancária e ponto físico no coração do mercado financeiro paulista.
Além disso, no passado, instituições tradicionais também colapsaram, como os bancos Santos e Econômico.
Para os especialistas ouvidos pela reportagem, isso deixa claro que o modelo digital não é, por si só, mais arriscado. O risco mora na governança e na gestão dos negócios.
Outro ponto central: não há risco sistêmico. Até o momento, o Banco Central não identificou possibilidade de contágio que ameace o sistema financeiro nacional como um todo. Em outras palavras, o problema não é “espalhável” apenas porque uma instituição é fintech.
Na prática, o sistema reagiu bem. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cumpriu seu papel, os investidores foram protegidos, e não houve uma corrida generalizada aos bancos.
A sensação de sucessivas quebras vem de outro fator: instituições relacionadas de alguma forma ao conglomerado do banqueiro Daniel Vorcaro estão sucumbindo, uma a uma.
"Não se trata de uma quebra em série de vários bancos, mas da queda de um grupo econômico que envolvia não só as próprias empresas ligadas ao mercado mas também as que operavam em sua órbita”, explica Alexandre Chaia, do Insper. “Essa situação não está espalhada pelo mercado; é uma operação restrita a um grupo econômico que cometeu erros e gerou um problema.”
Segundo Chaia, o Banco Central agiu para impedir qualquer efeito dominó. “O regulador já vinha elevando as exigências mínimas de capital para instituições menores, reforçando a segurança do sistema antes mesmo do caso Master. As que não conseguiram se adequar precisaram se fundir ou encerrar atividades. O BC está hoje muito mais rigoroso.”
Desde a crise envolvendo o Banco Master e o will bank, uma dúvida passou a dominar as conversas: é arriscado deixar dinheiro ou investir em CDBs de bancos digitais? Como quase tudo no mercado financeiro, a resposta é: depende.
O simples fato de uma instituição ter nascido no ambiente digital não significa que ela esteja fadada ao fracasso. Nos últimos anos, o Banco Central estimulou a entrada de novos players para aumentar a concorrência — o que trouxe ganhos ao consumidor, como a redução de tarifas e a popularização de serviços gratuitos.
Atualmente, o Brasil conta com mais de 1,7 mil fintechs, a maioria regulada pelo Banco Central.
Esse processo, porém, exigiu concessões. Para permitir a consolidação desses novos entrantes, o regulador foi, por um período, menos rigoroso com instituições de menor porte. Agora, o cenário mudou.
“Houve um freio de arrumação”, diz Chaia. “Depois de episódios como Master e Reag, o Banco Central mudou para consertar as brechas e voltar a ter controle antes de uma próxima onda de expansão. Se houvesse risco sistêmico, o BC já teria intervido em outras instituições.”
Na visão de Ricardo Hammoud, da FGV, o que está em curso é uma separação clara entre instituições sérias e modelos criados apenas para práticas ilícitas.
“Estamos vendo o joio ser separado do trigo. Bancos que inovaram, aproximaram o cliente e reduziram custos — como Nubank e XP — não têm nada a ver com empresas usadas como instrumentos de fraude.”
Para ele, o momento é até positivo: “A fiscalização mostrou que funciona. Não é correto dizer que todas as fintechs vão quebrar ou que o dinheiro dos clientes está ameaçado.”
Segundo Hammoud, a confusão surge porque muitos bancos digitais são mais jovens e menores do que gigantes como Itaú ou Banco do Brasil, que acumulam décadas de operação. “O risco não vem do fato de serem digitais, mas do porte e da maturidade. É uma correlação, não uma causa.”
Isso torna ainda mais importante saber avaliar a saúde financeira da instituição antes de colocar dinheiro nela.
O economista Roberto Troster chama atenção para um problema adicional: hoje, o investidor tem menos informações públicas do que no passado. O Banco Central reduziu a divulgação de dados no sistema IF.Data, omitindo dados vitais sobre carteiras de crédito, níveis de risco e perfil dos tomadores.
No entanto, há alguns indicadores que mostram se um banco digital está saudável — ou não.
É preciso destacar que prejuízo, isoladamente, não é um pecado — especialmente no mundo digital.
“O Nubank, por exemplo, nasceu com prejuízos planejados. O foco inicial era ganhar escala. Só depois vieram os produtos rentáveis. O prejuízo inicial era um custo necessário para o crescimento”, disse Luis Santacreu, da Austin Rating. O problema surge quando o prejuízo se torna estrutural, sem perspectiva de reversão.
Nas redes sociais, é comum o paralelo entre will bank e Nubank, já que ambos começaram focados em clientes desbancarizados e de menor renda. Para os especialistas, porém, essa comparação é equivocada.
“O will bank não quebrou por atender pessoas de baixa renda, mas por estar inserido no grupo econômico do Master”, afirma Chaia. “O BC até tentou vender a operação porque via valor no negócio. O problema é que, no momento, o mercado quer fugir de qualquer coisa relacionada ao grupo.”
É verdade que atender clientes com menor capacidade de pagamento exige mais cuidado — especialmente em um cenário de juros elevados. Mas, segundo Troster, isso é um desafio de gestão, não um defeito do modelo.
Não existe um percentual mágico que transforme um CDB em investimento perigoso. Há títulos pagando 120% do CDI que fazem sentido — e outros, abaixo disso, que acendem alertas.
A lógica é simples: CDB é uma captação para financiamento do próprio banco. Instituições menores precisam pagar mais para atrair mais investidores. O problema surge quando a taxa foge completamente do padrão de instituições semelhantes.
“Não existe almoço grátis”, resume Hammoud. “O primeiro sinal de alerta é quando uma instituição oferece vantagens excessivamente maiores do que as praticadas pelo mercado. Se algo paga muito mais do que a média por muito tempo, o investidor precisa perguntar o porquê.”
Outro ponto importante: campanhas pontuais são normais. No mercado, não é incomum ver corretoras com CDBs “turbinados” rendendo 200% do CDI. Porém, elas possuem um teto de investimento relativamente baixo e vencimento em poucos meses — se tanto.
O alerta surge quando taxas elevadas se tornam regra, com prazos longos. Foi o caso do Banco Master, cujos títulos tinham vencimentos de dois a três anos, com investidores exigindo retornos cada vez mais arriscados para fechar a conta.
“Se essa taxa alta se perpetua por anos, tanto o investidor quanto o regulador deveriam ficar alertas”, disse Chaia.
Um dos alvos do pânico dos internautas foi o Mercado Pago, que possui hoje CDBs com rendimentos de 120% do CDI. Contudo, neste caso, o valor do investimento é baixo, limitado a R$ 10 mil, algo que costuma caracterizar as ações promocionais das fintechs que querem atrair novos clientes.
Há duas instituições, no entanto, que entram no radar dos especialistas como alertas de maior risco: o Banco Pleno, antigo banco Voiter, adquirido em julho de 2025 por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio e ex-CEO do Banco Master; e o Digimais, hoje pertencente a Mauricio Quadrado, também ex-sócio do Master.
“Eles estão na órbita de avaliação do Banco Central. É possível que sofram intervenções ou que o regulador solicite recapitalização aos sócios. Eles não foram liquidados ainda, mas estar na esfera de influência do Master reduz o grau de liberdade dessas instituições”, avaliou o professor do Insper.
Em meio aos rumores, o Seu Dinheiro também entrou em contato com os principais bancos digitais do país e com a entidade que representa as fintechs no Brasil para entender suas perspectivas individuais. Você confere abaixo os posicionamentos e argumentos de cada um.
Em nota, a ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs) reforçou que o sistema financeiro brasileiro é seguro, diverso e regulado. A associação também afirma que, em instituições de pagamento, os recursos dos clientes ficam “segregados e protegidos”, mesmo em casos de liquidação.
“A diversidade de fintechs fortaleceu o sistema financeiro brasileiro, ampliando a concorrência, a eficiência e a segurança das transações. O debate sobre riscos deve ser conduzido com base em informação, compreensão do arcabouço regulatório e distinção entre modelos de negócio”, afirmou, em nota.
À reportagem, a Neon afirmou ter estrutura sólida, capital de Nível 1 próximo de 14% o que “reflete um excesso de capital e uma elevada capacidade de absorção de eventuais choques”, e rating A- pela Moody’s, além de investidores globais de peso.
“A instituição não se enquadra em situações de fragilidade patrimonial ou de liquidez, mantendo-se distante da volatilidade observada recentemente em outros agentes do mercado", disse a instituição.
O Nubank, por sua vez, não respondeu diretamente à reportagem, mas destacou em comunicado oficial que não há risco de falência.
O banco digital reforçou os resultados recordes do último trimestre, com lucro líquido de US$ 783 milhões no fim de setembro de 2025, e afirmou estar entre as instituições mais bem capitalizadas da América Latina.
“A notícia de que o Nubank estaria falindo é falsa”, disse, em nota. “Os números de crescimento consistente, a nossa receita consistente, os lançamentos de novos produtos e funcionalidades e a forte expansão da base de clientes no Brasil e em outros países provam a solidez do negócio do Nubank. [...] Em outras palavras, mais do que evidenciar a saúde financeira do Nubank, os números mostram que focar sempre nos consumidores traz, sim, bons resultados.”
Na última semana, o Nubank se tornou a segunda maior instituição financeira do Brasil, com 112 milhões de clientes, o equivalente a 61% da população adulta do país, de acordo com dados do Banco Central. Além disso, a fintech foi eleita uma das ações favoritas dos analistas para investir em 2026.
Enquanto isso, o Inter destacou que “não possui nenhum vínculo acionário com as instituições citadas e reforça que foi fundado há mais de 30 anos, com posições de liquidez e capital robustas”, com patrimônio líquido de R$ 9,8 bilhões e ativos totais de R$ 91,8 bilhões.
“Como companhia de capital aberto, a empresa possui estrutura societária amplamente divulgada para consulta pública em seu site de Relações com Investidores, conforme exigido pelas regras de transparência aplicáveis a instituições financeiras listadas”, disse o banco, em nota.
Recentemente, o Inter também recebeu aprovação do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) para abrir uma agência bancária internacional em Miami, Flórida.
Já o Mercado Pago destacou que "é uma empresa sólida e segura, com operação fundamentada em um modelo de negócio sustentável e na integração com o Grupo Mercado Livre".
Hoje, a varejista é a empresa mais valiosa da América Latina, com um valor de mercado superior a US$ 112 bilhões, com consecutivos resultados positivos.
"Atendemos aos mais altos padrões de governança, transparência e controle, além de responder às regulações do SEC [Comissão de Valores Mobiliários] dos Estados Unidos, Banco Central do Brasil e auditorias externas independentes", diz a fintech.
Segundo o Mercado Pago, a licença de Instituição Financeira permite a emissão de CDBs lastreados em "instrumentos tradicionais e de alta liquidez", garantidos pelo FGC.
Além disso, 100% do saldo dos clientes nas contas de pagamento é mantido em títulos públicos federais ou em depósitos no Banco Central, o que garante liquidez imediata aos investidores.
"O Conglomerado Prudencial Mercado Pago segue de forma rigorosa todos os requisitos de requerimento de capital, liquidez e garantias definidos pelo Banco Central, o que reforça a robustez, a sustentabilidade e a segurança da nossa operação e garantindo a inovação tecnológica do Mercado Pago esteja sempre aliada à máxima proteção do patrimônio de nossos clientes", acrescentou.
Enquanto isso, o PagSeguro/PagBank afirmou ao Seu Dinheiro que tem "diversas licenças de funcionamento concedidas pelo BC, incluindo, desde 2019, a de banco múltiplo.
Vale destacar que o conglomerado também tem capital aberto na bolsa norte-americana, o que o deixa sujeito às exigências de governança da SEC, a CVM dos EUA.
No ano passado, a ação PAGS34 foi eleita como uma das ações mais recomendadas dos analistas do Goldman Sachs para renda passiva. Outro ponto que ajuda a sustentar a confiança é o fato de a fintech ter recebido nota AAA, a avaliação máxima em escala nacional, das três principais agências internacionais de classificação de risco.
Por fim, o C6 Bank — que, embora tenha nascido no ambiente digital, possui licença como um banco tradicional — reforçou que opera como banco desde o seu lançamento, quando recebeu licença do Banco Central para atuar como banco múltiplo.
"O C6 Bank nunca foi uma fintech. Somos uma instituição financeira completa que adota um modelo de negócio com receitas diversificadas", afirmou o C6.
Vale lembrar que o banco digital possui como sócio estratégico o gigante norte-americano JP Morgan Chase, que comprou participação de 40% no negócio em 2021 e elevou a fatia para 46% dois anos depois.
Além disso, em 2024, o C6 conseguiu entregar seu primeiro lucro anual, de R$ 2,3 bilhões, e manteve a operação lucrativa desde então.
Em setembro, o banco digital conquistou uma revisão positiva de nota de crédito pela agência de classificação de risco S&P, que elevou o rating de brA+ para brAA-, mantendo a perspectiva da nota estável.
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