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O Mercado Livre (MELI34) registrou lucro líquido de US$ 421 milhões no 3T25, avanço de 6% em relação ao ano anterior, mas abaixo das expectativas do mercado, que projetava US$ 488,65 milhões.

O fantasma dos investimentos pesados que o Mercado Livre (MELI34) está tendo que fazer no Brasil não foi o único que assombrou os investidores na expectativa para o balanço do terceiro trimestre da varejista.
Os analistas também esperavam que uma desaceleração de vendas na Argentina aliada à desvalorização da moeda local pudesse afetar os números da plataforma. E, pelo visto, tinham razão.
A companhia registrou um lucro líquido de US$ 421 milhões no terceiro trimestre, um avanço de 6% frente ao mesmo período do ano passado, com margem de 5,7%.
O número veio abaixo do esperado pelo mercado, de acordo com as projeções compiladas pela Bloomberg, que apontavam para um lucro de US$ 488,65 milhões.
Por outro lado, na linha da receita líquida, a varejista reportou US$ 7,4 bilhões, um avanço de quase 40% na base anual em câmbio neutro. O número veio levemente acima dos US$ 7,23 bilhões esperados pelo mercado.
O Ebit (lucro antes de juro e impostos) ficou em US$ 724 milhões, abaixo dos US$ 759 milhões projetados, de acordo com o compilado da Bloomberg.
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A companhia destacou os efeitos negativos da depreciação cambial do peso argentino nos resultados: “A depreciação da moeda local em relação ao dólar tem um impacto negativo na tradução de nossa demonstração de resultados, gerando perdas cambiais líquidas”.
O Volume Bruto de Mercadorias (GMV), que mede valor total das vendas, somou US$ 16,5 bilhões no trimestre, um avanço de 35% na base anual, descontando os efeitos da variação cambial. O número de itens vendidos cresceu 39%, totalizando US$ 635 milhões.
No Brasil, o GMV saltou 34% em relação ao terceiro trimestre de 2024, em linha com o avanço do mesmo período de 2024.
No entanto, o número de compradores únicos no Brasil cresceu 29% entre julho e setembro versus o mesmo período de 2024. De acordo com a empresa, esse foi o ritmo mais rápido desde 2021 e o maior aumento trimestral da história do Mercado Livre, superando até o pico registrado durante a pandemia.
O crescimento de itens vendidos no Brasil também acelerou, atingindo 42% em relação ao ano anterior, acima dos 32% reportados no ano passado.
Segundo a companhia, o crescimento foi impulsionado por investimentos em logística, como a expansão da rede de distribuição e a redução do limite de frete grátis, o que ajudou a atrair mais compradores.
Cabe lembrar que esses foram os investimentos mais pesados que a varejista fez ao longo dos últimos meses para fazer frente ao avanço da concorrência — especialmente asiática — no mercado brasileiro.
O Mercado Livre reduziu o preço mínimo para obter a entrega gratuita de R$ 79 para R$ 19, além de diminuir a taxa de envio cobrada dos vendedores. A expectativa da empresa era justamente a de um salto no número de clientes, com a perspectiva de fidelizar esse público e, com o tempo, passar a oferecer produtos de ticket mais elevado.
Em uma conversa com jornalistas no final de setembro, Fernando Yunes, vice-presidente sênior do Mercado Livre no Brasil, reforçou essa visão:
“Nós não olhamos para isso trimestre a trimestre, vemos no longo prazo. Essa iniciativa do frete grátis tem aumentado muito as nossas vendas e, por mais que uma venda de R$ 19 tenha valor baixo, esse cliente não vai passar a vida inteira comprando só isso. Uma hora vai trocar de celular, vai precisar de uma roupa. Então é uma jogada para longo prazo”, afirmou.
Diante dos investimentos pesados que estão sendo necessários no Brasil, a Argentina vinha sendo o grande destaque positivo dos resultados do Mercado Livre, com vendas acelerando com uma força muito maior do que no Brasil e no México.
No entanto, neste trimestre, embora a Argentina ainda tenha registrado o maior crescimento nas vendas, houve uma forte desaceleração em comparação com o mesmo período do ano passado.
A vendas avançaram 44% no terceiro trimestre de 2025, abaixo das expectativas do Citi, que previa um ritmo de crescimento de 48%. No mesmo período do ano passado, o salto foi de 218% e, nos três meses imediatamente anteriores, o crescimento chegou a 75%.
Segundo o Meli, esse resultado é reflexo da rápida deterioração da confiança do consumidor por lá, resultado do aumento da incerteza política, acompanhado pela desvalorização do peso argentino.
Já no México as vendas saltaram 34% entre julho e setembro.
O braço financeiro do Mercado Livre teve crescimento de quase 30% na base de usuários ativos mensais (MAUs), para 72 milhões.
O portfólio de crédito do Mercado Pago cresceu 83% em relação ao ano passado, totalizando US$ 11 bilhões. O número de usuários de crédito ultrapassou 27 milhões e, apesar da expansão, a taxa de inadimplência (NPL) se manteve estável.
No terceiro trimestre de 2025, o índice de inadimplência de mais de 90 dias (Nimal) caiu 2 pontos percentuais, chegando a 21%, em parte devido ao aumento dos custos de financiamento na Argentina. Excluindo o país vizinho, a compressão teria sido inferior a 1 ponto percentual. O índice de NPL, que mostra inadimplência de 15 a 90 dias, permaneceu estável em 6,8%.
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