CSN (CSNA3) despenca após resultado, com queima de caixa e dívida ainda maior: China e até guerra afetam a companhia
A CSN reiterou seus esforços de melhorar a estrutura de capital e reduzir a alavancagem financeira daqui para a frente, mas esse caminho não será fácil

O pessimismo está rondando as ações da CSN (CSNA3), que despencam nesta quinta-feira (12), após a companhia divulgar prejuízo líquido 748% maior, de R$ 721 milhões, no quarto trimestre de 2025. O resultado foi marcado — novamente — pela alta da alavancagem e pela queima de caixa.
A empresa encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 41,2 bilhões, alta de 10% em relação ao trimestre anterior, o que levou a alavancagem para cerca de 3,5 vezes dívida líquida/Ebitda, contra 3,1 vezes no trimestre anterior.
Mesmo com um desempenho melhor da mineração, analistas destacam que o endividamento elevado continua sendo o principal ponto de atenção na tese da companhia. Às 15h15, o papel caía 12,35%, a R$ 6,26.
A alta do endividamento veio após a CSN registrar fluxo de caixa livre negativo de R$ 282 milhões no período. O número foi pressionado por investimentos elevados e despesas financeiras relevantes, fatores que continuam limitando uma melhora mais consistente da estrutura de capital da companhia.
Endividamento no centro das desconfianças com a CSN
"A CSN reiterou seus esforços de melhorar a estrutura de capital e reduzir a alavancagem financeira daqui para a frente", diz o Itaú BBA em relatório. Mas esse caminho não será fácil.
Para o BTG Pactual, a evolução da dívida é hoje o principal ponto de atenção na tese de investimento da empresa.
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“A tendência de alavancagem continua desfavorável, e o aumento da dívida líquida deve seguir pesando sobre a história de investimento da companhia”, escreveram os analistas liderados por Leonardo Correa.
Segundo o banco, a trajetória das ações deve continuar dependente da capacidade da empresa de reduzir o endividamento.
“A história deve permanecer dependente de eventos, especialmente da venda de ativos e da redução da alavancagem”, afirmaram os analistas.
O Itaú BBA também chamou atenção para a geração de caixa, destacando que o desempenho financeiro da companhia continua pressionado por investimentos e despesas financeiras.
“A companhia registrou geração de caixa livre negativa no trimestre, refletindo principalmente capex elevado e despesas financeiras relevantes”, escreveram os analistas liderados por Daniel Sasson.
Porém, mesmo com o alto endividamento, a CSN não irá desacelerar. O investimento 46,7% mais alto, de R$ 885 milhões, também chama a atenção.
A expectativa para esse ano é de um capex de R$ 3,6 bilhões, o que significa que "serão necessários desembolsos ainda mais relevantes nos próximos anos, o que foi reiterado pela companhia em teleconferência realizada nesta manhã", diz o BB Investimentos.
Mineração é destaque positivo do resultado da CSN
Apesar da deterioração financeira, o desempenho operacional trouxe alguns sinais positivos. Para o Itáu BBA, o resultado consolidado ficou acima das estimativas principalmente por causa da mineração, que compensou parcialmente a fraqueza observada em outras divisões.
Mesmo assim, os ganhos estão minguando. "Os resultados de mineração estão sequencialmente mais fracos, com preços realizados mais baixos e custos mais altos", escreveu o Itaú BBA em relatório.
Na divisão, a companhia registrou receita líquida de R$ 4,1 bilhões, queda de cerca de 9% na comparação anual, enquanto o Ebitda somou R$ 1,8 bilhão, recuo de aproximadamente 13% frente ao quarto trimestre de 2024.
No entanto, os números surpreenderam positivamente frente ao consenso do mercado, refletindo volumes de vendas de cerca de 12 milhões de toneladas de minério de ferro, praticamente estáveis na base anual, mas pressionados por preços realizados menores, de US$ 63,30 por tonelada, além de custos mais elevados.
“O Ebitda veio cerca de 11% acima da nossa estimativa, principalmente devido ao desempenho melhor do que o esperado na divisão de mineração”, escreveram os analistas do BBA.
O preço da guerra no frete da CSN
Até a guerra no Oriente Médio pode afetar a empresa. O custo do frete aumentou 1,8%, como reflexo do aumento nas exportações.
Segundo o BB Investimentos, a empresa usa muito uma modalidade de frete spot, em que há pagamento imediato e entrega na hora, que seria mais próprio para entregas urgentes.
"Essa linha pode continuar trazendo volatilidade ao resultado operacional da companhia, tal como vimos historicamente, principalmente diante do aumento de eventos geopolíticos, que usualmente impactam negativamente as cotações de fretes", diz o banco em relatório.
Segundo a companhia, desde o início da guerra no Irã, os preços de fretes avançaram US$ 5,55 por tonelada de minério.
Aço segue pressionado por importações
Já a divisão de siderurgia continuou enfrentando um ambiente desafiador. O setor de aço no Brasil vem sendo pressionado pelo avanço das importações, especialmente de produtos vindos da China, o que tem aumentado a concorrência e reduzido o poder de precificação das siderúrgicas.
Esse movimento tem levado a margens mais comprimidas e menor utilização da capacidade produtiva, cenário que também afetou o desempenho da CSN no trimestre.
Na siderurgia, a companhia registrou receita líquida de R$ 5,2 bilhões, queda de cerca de 6% na comparação anual (contra uma base de comparação já fraca).
O Ebitda reportado ficou em torno de R$ 700 milhões, alta de 6,9% no ano, beneficiado por efeitos não recorrentes ligados à ociosidade de produção.
Sem esse impacto, o Ebitda recorrente teria ficado próximo de R$ 386 milhões, com margem de cerca de 7%, indicando um desempenho operacional mais fraco da divisão.
O BTG Pactual destaca que parte do resultado da área de aço foi beneficiada por esse efeito contábil. “O Ebitda reportado foi ajudado por itens não recorrentes na divisão de siderurgia, relacionados à ociosidade de produção”, escreveram os analistas liderados por Correa.
Segundo o banco, ao excluir esse efeito, o resultado recorrente da divisão teria ficado abaixo das estimativas.
“Nossa avaliação é que o Ebitda recorrente ficou abaixo do que projetávamos, o que reforça a leitura de que o resultado operacional ainda apresenta volatilidade entre as divisões”, afirmaram os analistas.
O Itaú BBA tem recomendação market perform (equivalente à neutra) para as ações da CSN, com preço-alvo de R$ 9,50. O BTG Pactual também mantém recomendação neutra para os papéis da companhia.
Com Money Times
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