A ameaça da Shopee: Mercado Livre (MELI34) é rebaixado pelo JP Morgan por preocupações com a concorrência, e ações caem
O banco defende que o Mercado Livre ainda é considerado uma boa tese de longo prazo, mas não deve refletir suas qualidades nos preços da ação em 2026

Os pacotes amarelos do Mercado Livre (MELI34) têm perdido espaço para uma concorrente nas portarias e portões das casas brasileiras: a Shopee. Essa competição no e-commerce, somada a margens mais fracas, levaram os analistas do JP Morgan a rebaixar as ações do Mercado Livre de recomendação de compra para neutra.
O novo preço-alvo estabelecido pelo banco é de US$ 2.100 para o papel MELI na Nasdaq, nos Estados Unidos. Em relação à estimativa anterior, de US$ 2.650, houve uma redução de expectativa de 20%, mas ainda há potencial de ganho em cima do preço do fechamento de ontem, de US$ 1.766.
O mercado reagiu com desânimo ao rebaixamento, com a ação em queda de 6% às 11h11, no horário de Brasília. Desde o início do ano, o papel recua mais de 15%.
O peso da concorrência
O Mercado Livre havia recebido recomendação de compra pelo JP Morgan ainda em fevereiro deste ano, que voltou atrás.
O motivo é a “competição dura” que o gigante do e-commerce enfrenta com outras companhias do setor, segundo os analistas. Uma empresa destacada nesse sentido é a Shopee, plataforma da companhia de Singapura Sea Ltd.
Os analistas explicam que a Shopee demonstra um forte apetite para continuar investindo no e-commerce no Brasil, país considerado “uma região prioritária e uma fonte chave de crescimento”.
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Para 2026, a empresa asiática projeta que o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do e-commerce deve ser de, pelo menos, os mesmos níveis absolutos em dólares de 2025, no valor de US$ 881 milhões. Essa cifra conservadora está 35% abaixo do consenso da Bloomberg.
De acordo com o JP Morgan, isso demonstra que a Shopee está sacrificando margem para crescer — o que pode se tornar uma ameaça na concorrência com o Mercado Livre.
A Shopee também tem se movimentado para expandir as operações logísticas no Brasil. No aluguel de galpões logísticos, a empresa fica atrás somente do Meli, mas parece avançar nesse sentido com o aluguel recente do maior galpão do país.
Margens menores preocupam o JP Morgan
A pressão sobre as margens do Mercado Livre também se tornou um dos principais pontos de preocupação do JP Morgan ao rebaixar a recomendação para as ações da companhia.
Em relatório, o banco afirma que a empresa de e-commerce parece confortável em operar com níveis menores de lucratividade no curto prazo.
Essa visão foi reforçada após o diretor financeiro (CFO) Martin de los Santos indicar, em um podcast publicado em 2 de março, que “se [a empresa] identificar iniciativas de investimento que a ajudem a aproveitar a grande oportunidade que tem pela frente, vai prosseguir com elas, mesmo que exerçam pressão sobre as margens no curto prazo”.
Com isso no radar, o JP Morgan revisou para baixo suas estimativas. A nova projeção considera margem Ebit de 8,9% em 2026, 14% abaixo do consenso da Bloomberg.
O impacto não se limita ao ano cheio. Para os resultados do 1º trimestre de 2026, o banco vê um risco ainda maior: Ebit 24% menor que as expectativas do mercado, reflexo da sazonalidade do trimestre.
“Acreditamos que isso seja preocupante para o desempenho de curto prazo das ações do Mercado Livre”, disse a equipe.
Perspectivas são positivas para o Mercado Livre no longo prazo
Apesar de todos esses desafios, o JP Morgan enxerga a empresa como uma tese forte no longo prazo.
Segundo o banco, a companhia é “muito bem-posicionada nos mercados de e-commerce e fintech na América Latina, tomando decisões que [o JP Morgan] considera corretas para moldar um ambiente favorável no longo prazo”.
A recomendação neutra, de acordo com os analistas, é pautada na visão de que os investidores não vão precificar essas expectativas de longo prazo durante o ano de 2026.
Entre as possibilidades positivas que podem animar o banco estão:
- A melhoria no ambiente competitivo brasileiro, permitindo uma maior rentabilidade;
- Um crescimento rentável mais rápido na divisão de crédito; e
- A retomada mais rápida da publicidade no negócio de comércio eletrônico.
Do lado das ameaças, o JP Morgan avalia a deterioração adicional na concorrência brasileira e a entrada de um novo player no e-commerce argentino.
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