CSN (CSNA3) volta ao vermelho no 4T25 e prejuízo dispara 748% em um ano. O que pesou no balanço?
Resultado negativo chega a R$ 721 milhões no quarto trimestre, enquanto empresa tenta reorganizar dívidas

A CSN (CSNA3) encerrou 2025 no vermelho. No quarto trimestre, o prejuízo líquido da companhia disparou, chegando a R$ 721 milhões em dezembro, uma piora de 748% em relação às perdas de R$ 85 milhões reportadas no mesmo período de 2024.
O resultado também marca uma reversão em relação ao lucro reportado no trimestre imediatamente anterior.
Segundo a administração, o resultado negativo reflete principalmente efeitos operacionais temporários, ligados à parada de um alto-forno da siderúrgica — evento que gerou ociosidade na produção e perdas de estoque ao longo do período.
Outros destaques do balanço do 4T25
Mesmo com o prejuízo mais elevado no trimestre, os indicadores operacionais mostraram maior estabilidade.
O Ebitda ajustado da CSN — indicador que mede o potencial de geração de caixa operacional — somou R$ 3,325 bilhões no quarto trimestre, praticamente estável na comparação anual, com leve recuo de 0,3%.
"Essa melhora na rentabilidade reflete não apenas a resiliência apresentada ao longo do trimestre, principalmente quando se considera a sazonalidade negativa do período de chuvas e o período de atividade comercial mais fraca, mas também o efeito extraordinário verificado no segmento de siderurgia com os efeitos da ociosidade e variações de estoques", disse a CSN, no balanço.
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A margem Ebitda ajustada ficou em 27,8%, avanço de 1 ponto porcentual em relação ao trimestre anterior e 1,1 ponto porcentual acima do registrado um ano antes.
Por sua vez, a receita líquida da companhia somou R$ 11,403 bilhões no quarto trimestre, uma queda de 5,2% na comparação anual.
Segundo a empresa, parte desse recuo pode ser explicada por fatores sazonais. O último trimestre do ano costuma registrar atividade comercial mais moderada, ao mesmo tempo em que o início do período de chuvas afeta operações ligadas à mineração e logística, dois pilares relevantes do grupo.
Outro elemento que pesa na comparação é a base elevada do quarto trimestre de 2024, quando os resultados foram favorecidos por uma valorização rápida do preço do minério de ferro.
De olho no endividamento
Enquanto lida com os desafios operacionais do curto prazo, a CSN também trabalha para reorganizar sua estrutura financeira. Ao final de 2025, a dívida líquida consolidada da companhia chegou a R$ 41,2 bilhões.
Com isso, a alavancagem — medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses — subiu para 3,47 vezes.
Segundo a empresa, esse movimento reflete principalmente a redução das disponibilidades de caixa ao longo do período, influenciada pelo serviço da dívida e pelo aumento dos investimentos.
"A companhia mantém seu compromisso com a redução do nível de endividamento e com a preservação de uma estrutura de capital sólida para os próximos exercícios", escreveu.
Nos últimos meses, o grupo tem adotado uma série de medidas para reforçar liquidez e reorganizar o balanço. Uma delas é a negociação de uma linha de crédito de até US$ 1,5 bilhão com um grupo de bancos, tendo como garantia ações da CSN Cimentos.
O ativo, que até recentemente figurava como um dos principais motores de expansão do grupo, passa agora a desempenhar um papel estratégico para atravessar a turbulência financeira.
O dinheiro já tem destino definido: quitar títulos de dívida no exterior (bonds) que vencem em abril, reduzir dívidas bancárias e, se houver espaço, recomprar parte dos títulos com vencimento em 2028.
- Confira também: CSN (CSNA3) em tratamento de choque: Moody’s corta rating e alerta para efeitos colaterais
Além disso, em janeiro a CSN anunciou um plano de venda de até R$ 18 bilhões em ativos, com o objetivo de reorganizar “em definitivo” a estrutura de capital do grupo.
Entre as iniciativas está a busca por um sócio para o negócio de infraestrutura, processo conduzido pelo Citi em parceria com o Bradesco.
A estratégia envolve reduzir a alavancagem, simplificar a estrutura do conglomerado e recuperar margem de manobra financeira.
O balanço da CSN em 2025
No acumulado de 2025, o prejuízo líquido somou R$ 1,5 bilhão, uma queda de 2% em relação a 2024, indicando certa estabilidade no resultado final.
"Quando se observa o resultado de 2025, percebe-se uma estabilidade no prejuízo líquido quando comparado ao ano anterior, com a melhora operacional verificada nos segmentos de mineração e logística sendo compensada por esses efeitos não recorrentes", afirmou a companhia no relatório de resultados.
Enquanto isso, a receita líquida totalizou R$ 44,798 bilhões, crescimento de 2,5% em relação a 2024.
Já o Ebitda ajustado atingiu R$ 11,796 bilhões, crescimento de 15,3% frente ao resultado de 2024 — refletindo principalmente a melhora de desempenho nas operações de mineração e logística.
"Esse forte crescimento de Ebitda e rentabilidade foi resultado de um esforço extraordinário onde a companhia conseguiu apresentar uma série de recordes operacionais, principalmente nos segmentos de mineração e logística, além de uma estratégia assertiva aplicada no segmento de siderurgia, com a decisão de parar um dos altos-fornos e focar na otimização e eficiência da operação", disse.
"Com isso, foi possível ganhar competitividade e navegar em um ambiente competitivo e bastante hostil", acrescentou.
Perspectivas para 2026
Para este ano, a companhia vê espaço para melhora no desempenho da operação. A expectativa é de recuperação gradual do segmento siderúrgico ao longo de 2026, especialmente após aprovações de medidas protetivas contra importações subsidiadas de aço.
Além disso, a empresa aponta uma melhora recente nos preços do cimento, movimento que também pode contribuir para os resultados do grupo.
Segundo a CSN, a combinação desses fatores pode impulsionar o Ebitda consolidado em 2026, reforçando o processo de recuperação operacional.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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