Raízen (RAIZ4): S&P Global rebaixa rating para ‘calote seletivo’ após pedido de recuperação de R$ 65 bilhões em dívidas
O plano da Raízen poderá envolver uma série de medidas, como uma capitalização pelos seus acionistas e a conversão de parte das dívidas em participação acionária

A agência classificadora de riscos S&P Global Ratings rebaixou, na quarta-feira (11), o rating de crédito de emissor da Raízen (RAIZ4) na escala nacional Brasil de ‘brCCC-’ para ‘SD’, equivalente a “calote seletivo”.
Os analistas da S&P observam que a recuperação extrajudicial contempla mais de 90% do passivo total da Raízen. O plano abrange R$ 65 bilhões de um passivo total superior a R$ 70 bilhões.
“A execução do plano depende da aprovação da maioria dos credores. A confirmação requer a aprovação de pelo menos 50% do detentores de dívidas financeiras da companhia. Até o momento, a Raízen afirma já contar com o apoio de 47% desses credores”, pontuam os analistas.
A Raízen conta com um prazo de 90 dias para obter a aprovação da maioria dos credores, o que vincularia os R$ 65 bilhões de dívidas ao plano de recuperação. Durante esse período, a empresa informou que não realizará pagamentos de juros ou principal referentes às dívidas incluídas no plano que venham a vencer.
Recuperação extrajudicial da Raízen
Na noite de terça-feira (10), veio o pedido de recuperação extrajudicial para suspensão por 90 dias do pagamento de dívidas que somam cerca de R$ 65 bilhões. Protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo, o movimento busca três meses de fôlego para conseguir se reorganizar e avançar na negociação com credores.
O plano da Raízen para uma reorganização do seu balanço poderá envolver uma série de medidas, entre elas uma capitalização do grupo pelos seus acionistas, a conversão de parte das dívidas em participação acionária na companhia e a substituição de parte dos créditos por novas dívidas.
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- Leia também: Raízen (RAIZ4): como ficam as debêntures, bonds e CRAs após o pedido de recuperação extrajudicial?
Também estão na mesa reorganizações societárias para dividir parte dos negócios atualmente conduzidos pela Raízen e a venda de ativos da companhia.
A Raízen viu seu endividamento se elevar com o movimento de aquisição de empresas e investimentos em novos projetos de energia que não entregaram o retorno esperado. Há ainda o fator juros elevados, que pesam nas despesas financeiras da Raízen.
A companhia também vem sofrendo com a deterioração do perfil de crédito, após sucessivos rebaixamentos pelas agências S&P Global Ratings, Moody’s e Fitch Ratings, levando a uma elevação do custo de capital e redução da previsibilidade financeira.
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