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SINAL DE ALERTA

Oncoclínicas (ONCO3) à beira de um calote? Por que a Fitch rebaixou o rating da empresa pela 2ª vez no mês

Agência vê risco de inadimplência restrita após empresa iniciar negociações com credores para prorrogar pagamentos de dívida

Fachada da Oncoclínicas (ONCO3)
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3) - Imagem: Divulgação

O primeiro rebaixamento chama atenção. O segundo, no mesmo mês, costuma acender um alerta ainda maior. E foi exatamente isso que aconteceu com a Oncoclínicas (ONCO3). Para a Fitch Ratings, a empresa de tratamentos contra o câncer encontra-se com um risco considerável de “default”, ou nível de calote.

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A agência rebaixou na última quinta-feira (12) a nota de crédito nacional de longo prazo da Oncoclínicas, de ‘CCC-(bra)’ para ‘C(bra)’ — um nível que indica risco de crédito elevado, que um evento de inadimplência está próximo ou que a capacidade de pagamento está comprometida.

Os analistas também cortaram os ratings das 9ª, 11ª e 12ª emissões de debêntures quirografárias da companhia.

"O rating ‘C(bra)’ da Oncoclínicas reflete um risco de crédito excepcionalmente alto em comparação com o dos pares, em decorrência do início de um processo semelhante à inadimplência restrita pela companhia", diz a Fitch.

Vale destacar que o novo corte marca o segundo rebaixamento da companhia pela Fitch apenas neste mês, evidenciando a deterioração acelerada da percepção de risco em torno da empresa.

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Por que a Fitch rebaixou a Oncoclínicas outra vez

Na visão dos analistas, a empresa já deu um passo que costuma anteceder reestruturações de dívida: iniciar negociações com credores para suspender temporariamente pagamentos de principal e juros, em um processo conhecido no mercado como standstill.

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Para a agência, esse movimento coloca a companhia em um território de alerta.

"O anúncio eleva as chances de uma reestruturação iminente da dívida, que, caso ocorra, será considerado, pela Fitch, como um default restrito, resultando no rebaixamento dos rating para ‘RD(bra)’", afirma a agência.

Segundo a Fitch, caso a Oncoclínicas formalize um plano de reestruturação de dívida ou altere os termos originais das debêntures, o evento será classificado pela agência como “default restrito” — o que levaria a nota da companhia para ‘RD(bra)’, categoria usada para caracterizar situações de calote técnico.

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Oncoclínicas tenta negociações com credores

O rebaixamento ocorre poucos dias depois de a própria Oncoclínicas (ONCO3) confirmar que iniciou discussões com credores financeiros para renegociar vencimentos de dívida que se aproximam.

Na segunda-feira (9), a companhia informou ao mercado que está avaliando a prorrogação de pagamentos de principal e juros previstos para os próximos meses.

Além disso, a empresa convocou assembleias de debenturistas de diferentes emissões para discutir a concessão de um waiver — uma dispensa temporária de cláusulas previstas nos contratos de dívida.

O principal ponto em debate envolve o limite de alavancagem da companhia, medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda.

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Na prática, a Oncoclínicas busca uma autorização prévia dos credores para eventualmente descumprir esse indicador financeiro caso ele seja ultrapassado quando os resultados de 2025 forem divulgados.

O movimento é interpretado no mercado como um sinal de que a alavancagem pode ter aumentado e a empresa enfrenta pressão financeira de curto prazo, tentando agora ganhar tempo para reorganizar sua estrutura de capital.

A situação financeira da Oncoclínicas

Na visão da Fitch, o problema central da Oncoclínicas está no descompasso entre caixa disponível e obrigações financeiras futuras.

Para os analistas, o atual patamar de liquidez da empresa é insuficiente para honrar o serviço da dívida, e sua alavancagem é insustentável nos níveis atuais.

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Nos cálculos da agência, a Oncoclínicas deve encerrar 2025 com menos de R$ 100 milhões em caixa, enquanto o cronograma de dívida prevê vencimentos de aproximadamente R$ 745 milhões em 2026 e R$ 810 milhões em 2027.

Esse cenário, segundo os analistas, limita significativamente as alternativas de refinanciamento da empresa.

A Fitch estima ainda que a alavancagem bruta e líquida da companhia estejam próximas de 6 vezes, já considerando a capitalização bilionária realizada pela Oncoclínicas em novembro de 2025.

Além do nível elevado de dívida, a agência aponta outros fatores que continuam pesando sobre o desempenho financeiro da rede de tratamentos oncológicos. Entre eles estão:

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  • Necessidade elevada de capital de giro;
  • Despesas financeiras em alta; e
  • Dificuldade para retomar um ritmo consistente de crescimento operacional.

A projeção da Fitch indica Ebitda em torno de R$ 600 milhões em 2025, mas com fluxo de caixa operacional negativo também próximo de R$ 600 milhões, um cenário que ajuda a explicar a pressão sobre a liquidez da empresa.

A tentativa de virar o jogo

Enquanto credores e investidores monitoram de perto a evolução da dívida, a Oncoclínicas afirma estar concentrada em um plano de turnaround operacional.

A estratégia representa, na prática, uma mudança de rota em relação ao ciclo de expansão acelerada e decisões erradas que marcaram os anos seguintes ao IPO da companhia.

Durante esse período, a empresa embarcou em um ritmo intenso de aquisições e crescimento, ampliando rapidamente sua presença no mercado de tratamento oncológico no Brasil. Com o tempo, porém, o modelo mostrou sinais de desgaste financeiro.

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Agora, a companhia busca retomar o foco no núcleo do negócio: os serviços de oncologia. Esse reposicionamento inclui também uma reestruturação interna, com mudanças na liderança.

Em janeiro deste ano, a empresa contratou a consultoria Spencer Stuart para conduzir o processo de seleção de um novo CEO, em meio ao cenário de alavancagem elevada e consumo relevante de caixa.

A transição ganhou um novo capítulo no início deste mês. Na última quinta-feira (5), o fundador da Oncoclínicas, Bruno Ferrari, renunciou ao cargo de diretor-presidente.

O conselho de administração aprovou a eleição de Carlos Gil Moreira Ferreira como CEO interino, que permanecerá na função até a conclusão do processo de sucessão.

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Ferrari liderava a companhia desde outubro de 2021, período que coincidiu com a fase mais agressiva de expansão da rede. Apesar de deixar o comando executivo, ele continuará ligado à empresa como vice-presidente do conselho de administração.

Já o novo CEO interino é um nome de dentro da organização. Médico oncologista, Carlos Gil integra a Oncoclínicas desde 2018, quando assumiu a presidência do Instituto Oncoclínicas. Desde 2021, também exerce a função de diretor médico da companhia.

A troca de comando sinaliza uma tentativa de reorganização interna, mas o pano de fundo da crise continua sendo financeiro.

No mercado, investidores e credores acompanham de perto a capacidade da Oncoclínicas de renegociar suas dívidas e recuperar a geração de caixa — fatores que serão decisivos para determinar se a companhia conseguirá atravessar esse momento ou se a crise evoluirá para uma reestruturação mais profunda.

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*Com informações do Money Times.

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