O projeto de R$ 2,2 bilhões da Petrobras (PETR4) que pode multiplicar os ganhos no pré-sal
Sistema funciona como um “raio-x” do subsolo marinho, melhora a leitura dos reservatórios e eleva o potencial de extração

Com o pré-sal já respondendo por 92% da produção nacional, a nova fronteira da Petrobras (PETR4) agora é extrair mais e melhor. Diante disso, a estatal anunciou nesta terça-feira (14) um investimento de US$ 450 milhões (cerca de R$ 2,2 bilhões) em tecnologia para monitorar, em tempo real, o comportamento dos reservatórios.
A companhia e seus parceiros no Consórcio de Libra vão bancar o que classificam como o maior projeto de monitoramento sísmico do mundo. O sistema funciona como um “ultrassom” permanente do subsolo marinho, capaz de mapear estruturas geológicas e acompanhar a movimentação de óleo, gás e água.
Com isso, a Petrobras passa a ter uma leitura mais precisa da dinâmica dos reservatórios ao longo do tempo, o que tende a melhorar as decisões de produção e elevar o fator de recuperação de petróleo.
O monitoramento será feito nos FPSOs — unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência — Guanabara (Mero 1) e Sepetiba (Mero 2). A previsão é que os primeiros dados sejam coletados no segundo trimestre de 2026.
“O projeto inédito em águas profundas, trará dados que permitirão uma compreensão aprofundada do comportamento do reservatório e sua dinâmica ao longo do tempo. Isso permitirá um melhor gerenciamento, garantindo a máxima recuperação de petróleo dos reservatórios”, informou a Petrobras em nota.
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Novo projeto da Petrobras e o campo de Mero
O foco da iniciativa é o campo de Mero, na Bacia de Santos, um dos principais ativos do pré-sal brasileiro e ainda em fase de crescimento. Em janeiro de 2026, a produção média mensal do campo superou 680 mil barris por dia.
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Para monitorar o reservatório, será instalada uma ampla infraestrutura submarina formada por sensores e cabos ópticos, conhecida como PRM (Permanent Reservoir Monitoring).
Os números mostram a escala do projeto:
- Primeira fase (concluída): mais de 460 km de cabos com sensores ópticos instalados até março, cobrindo uma área de 222 km²
- Segunda fase (em andamento): mais 316 km de cabos sismográficos, cobrindo outros 140 km², incluindo as áreas dos FPSOs Duque de Caxias (Mero 3) e Alexandre de Gusmão (Mero 4)
- Conclusão da segunda etapa: prevista para 2027
Quando totalmente implementado, o sistema permitirá acompanhar, ao longo do tempo, como o reservatório reage à produção, oferecendo uma base mais sólida para decisões operacionais.
Dados em tempo real e uso de inteligência artificial
Inicialmente, os dados coletados no fundo do mar serão processados a bordo das plataformas. Com o avanço do projeto, a expectativa é que essas informações passem a ser transmitidas em tempo real, por meio de fibra óptica, para a sede da companhia.
A Petrobras também firmou parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para aplicar inteligência artificial (IA) no sistema.
A proposta é usar algoritmos para interpretar continuamente os dados do PRM, aumentando a eficiência operacional e contribuindo para o avanço de pesquisas científicas.
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