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A companhia busca suspender temporariamente obrigações financeiras e evitar a antecipação de dívidas enquanto negocia com credores, em meio a um cenário de forte pressão de caixa e endividamento elevado

A Oncoclínicas (ONCO3) decidiu recorrer à Justiça para tentar reorganizar sua situação financeira. Em fato relevante divulgado nesta segunda-feira (13), a companhia informou que vai ajuizar uma ação de tutela cautelar em caráter antecedente no Tribunal de Justiça de São Paulo, com o objetivo de suspender temporariamente obrigações financeiras e evitar a antecipação de dívidas.
A medida busca interromper efeitos de cláusulas contratuais que poderiam acelerar o vencimento das dívidas, além da exigibilidade de pagamentos ligados a instrumentos financeiros e instituições credoras.
“A Tutela Cautelar terá como objetivo proporcionar um ambiente administrativo e financeiro mais organizado e estável para a companhia, permitindo que ela conduza a mediação e negociação com seus credores sem interrupção de suas atividades ou alteração na condução ordinária de seus negócios”, escreveu a Oncoclínicas em comunicado.
O recurso ocorre após a companhia já ter informado ao mercado que já vinha se movimentando para reestruturar suas obrigações. Além disso, em resultado divulgado na sexta-feira, a auditoria citou "incertezas" sobre a continuidade da sua operação.
A Oncoclínicas atravessa um período de forte pressão financeira e chegou a convocar assembleias gerais de debenturistas de diferentes emissões para deliberar sobre a concessão de um waiver. Esta é uma dispensa temporária diante do risco de descumprimento do índice de alavancagem, que mede o nível de endividamento da companhia.
Na prática, o mecanismo funciona como uma exceção contratual e permite à empresa não cumprir, por um período determinado, a relação entre dívida líquida e Ebitda, indicador amplamente utilizado como cláusula de proteção em contratos de dívida.
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No caso da Oncoclínicas, o limite previamente estabelecido era de 3,5 vezes. Com o waiver, a companhia ganha fôlego para não seguir esse patamar sem que isso configure automaticamente um evento de inadimplência.
A decisão foi aprovada em assembleia com a participação dos detentores de 62,65% dos papéis em circulação dessa emissão. Com a aprovação, a empresa evita, ao menos por ora, o gatilho de default e ganha tempo para reorganizar sua estrutura financeira.
Após uma trajetória de crescimento arrojado marcada por alguns erros estratégicos — como a entrada no segmento de hospitais e a joint venture na Arábia Saudita —, a companhia precisou revisar a rota para enfrentar o endividamento elevado e o consumo intenso de caixa.
A operação principal segue sendo vista como capaz de gerar caixa, ao desconsiderar ativos menos rentáveis, como hospitais e a participação na Unimed FERJ. Porém, essa geração ainda não é suficiente para fazer frente ao custo da dívida atual, especialmente no pagamento de juros.
Nesse contexto, a companhia se vê obrigada a adotar medidas para reequilibrar sua estrutura financeira e retomar uma trajetória mais sustentável.
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