Nubank (ROXO34) leva cartão amarelo de Wall Street: Citi rebaixa ação e vê risco ‘escondido’ no coração da tese da fintech
Analistas revisam projeções, cortam o preço-alvo e alertam para riscos que podem pressionar crescimento e rentabilidade do Nubank daqui para frente

Nem todo rebaixamento desta semana veio dos gramados. Em pleno clima de Copa do Mundo, o Nubank (ROXO34) acaba de receber um cartão amarelo de Wall Street. O Citi cortou a recomendação para as ações da fintech, de compra para neutro.
Os analistas também reduziram o preço-alvo dos papéis NU, de US$ 18 para US$ 13. A nova cifra implica em um potencial de valorização de cerca de 10% em relação às cotações atuais.
Na visão do banco norte-americano, o crédito — principal avenida de crescimento do Nubank — pode se tornar também sua principal fonte de pressão sobre rentabilidade e risco nos próximos anos.
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Esse cenário levanta dúvidas entre os analistas sobre até onde o banco digital do cartão roxinho conseguirá manter a velocidade sem perder eficiência pelo caminho.
"É improvável que o Nubank desacelere sua trajetória de crescimento sem sacrificar monetização e rentabilidade", afirma o Citi.
O banco avalia que o preço das ações já incorpora boa parte dos fatores positivos da tese e oferece espaço limitado para uma nova reprecificação relevante.
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"A 3,2 vezes o valor patrimonial (P/VPA) estimado para 2027, para um ROE próximo de 28% no curto prazo, vemos espaço limitado para nova reprecificação ", escreveram os analistas.
A dependência do Nubank por crédito
O diagnóstico do Citi parte de uma característica que diferencia o Nubank de alguns de seus principais concorrentes globais.
Enquanto fintechs como a Revolut vêm ampliando receitas em áreas como investimentos, pagamentos e serviços financeiros, o Nubank continua fortemente dependente da expansão do crédito para sustentar seu crescimento.
Hoje, cerca de 60% da receita da companhia está ligada ao chamado ARPAC impulsionado por crédito — indicador que mede a receita média gerada por cliente ativo.
Na avaliação do Citi, essa dependência torna a fintech mais sensível a mudanças no ambiente de crédito e ao comportamento dos consumidores.
Além disso, os analistas observam uma forte correlação entre o crescimento da carteira e o custo de risco do banco, próxima de 90%.
Isso significa que, à medida que o Nubank amplia sua oferta de crédito, também aumenta sua exposição a potenciais deteriorações da qualidade da carteira.
O Citi avalia que o Nu possui uma concentração relevante em cartões de crédito, empréstimos pessoais e clientes de renda mais baixa, ao mesmo tempo em que ainda busca ganhar escala em modalidades consideradas mais seguras, como o crédito consignado privado.
“Embora reconheçamos que cerca de 9% dos clientes do Nu com crédito tenham exposição a crédito consignado, essa participação tende a aumentar devido à sua grande presença nacional e ampla base de clientes no Brasil", afirmam os analistas.
O ponto de preocupação está justamente na relação entre essas modalidades.
O risco fora do radar do mercado que preocupa o Citi
Na leitura do banco, o avanço do crédito consignado privado pode criar um efeito colateral para instituições mais expostas a produtos sem garantia, como cartões e empréstimos pessoais.
"As exposições a cartão de crédito e empréstimos pessoais são efetivamente subordinadas ao crédito consignado privado", afirma o relatório.
Isso acontece porque o consignado possui prioridade natural de pagamento, já que as parcelas são descontadas diretamente da folha salarial.
Na prática, conforme o consignado ganha espaço no orçamento das famílias, sobra menos capacidade financeira para honrar outras dívidas - e o estresse financeiro tende a se concentrar justamente nos produtos sem garantia.
Para o Citi, esse é um risco ainda pouco precificado pelo mercado na tese de investimento em Nubank.
"É provável que o crescimento do consignado reduza a capacidade de pagamento dos tomadores, deslocando o estresse de crédito incremental para produtos sem garantia", avalia o Citi.
Na visão do banco, esse efeito cria uma assimetria negativa para instituições com maior exposição a cartões de crédito, empréstimos pessoais e clientes de menor renda — perfil no qual o Nubank aparece como um dos nomes mais expostos.
Citi corta projeções para o Nubank
A revisão da tese veio acompanhada de cortes nas estimativas financeiras da fintech. O Citi reduziu suas projeções de lucro em 9% para 2026 e em 15% para 2027.
Agora, o banco estima que o Nubank entregue um lucro de US$ 3,7 bilhões em 2026 e de US$ 4,4 bilhões em 2027.
Os analistas também passaram a trabalhar com um nível de rentabilidade estrutural menor para a companhia.
Nos últimos anos, o Nubank se destacou por entregar retornos sobre patrimônio líquido (ROE) próximos ou superiores a 30%, patamar raro mesmo entre grandes bancos.
O Citi, porém, acredita que esse nível será mais difícil de sustentar à medida que a operação amadurece, o crescimento desacelera e os desafios de expansão internacional permanecem no radar. A nova projeção aponta para um ROE sustentável de aproximadamente 25%.
Para o banco, a combinação de crescimento mais moderado, custos de risco potencialmente maiores e incertezas sobre a expansão fora do Brasil justifica uma postura mais cautelosa com as ações da fintech neste momento.
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