No coração da estratégia da Vale (VALE3), metais básicos devem compor o motor de lucros da mineradora
Subsidiária VBM salta de 10% para 26% do Ebitda da Vale e deve ganhar ainda mais peso com preços elevados e novos projetos

A Vale (VALE3) está reposicionando o eixo de crescimento — e os metais básicos são a peça central dessa estratégia. A subsidiária Vale Base Metals (VBM) deve mais que triplicar sua participação no resultado da companhia ao longo da próxima década, segundo projeções divulgadas nesta terça-feira (31).
Mais cedo, durante o VBM Day, no Canadá, o diretor financeiro e de relações com investidores, Marcelo Bacci, afirmou que a divisão já responde por uma fatia crescente do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do grupo todo.
“A VBM tem se tornado maior no nosso portfólio desde a cisão. Em 2024, representava 10% do Ebitda da Vale. Este ano, será 26%”, disse.
Para os próximos anos, a ambição é ainda mais robusta: a mineradora projeta que a unidade alcance entre 30% e 35% do Ebitda total a partir de 2035.
A projeção considera premissas como preços de longo prazo de commodities, especialmente cobre, níquel e ouro, além das perspectivas de aumento de produção.
Leia Também
Caixa sensível ao preço — mas com potencial bilionário
No curto prazo, a geração de caixa da VBM segue atrelada à volatilidade das commodities. Para 2026, a subsidiária da Vale estima um fluxo de caixa livre (FCL) entre US$ 400 milhões e US$ 1,9 bilhão, a depender dos preços internacionais.
As premissas incluem:
- Cobre entre US$ 11,6 mil e US$ 13,2 mil por tonelada;
- Níquel entre US$ 15 mil e US$ 18,1 mil por tonelada;
- Ouro entre US$ 4,3 mil e US$ 5,5 mil por onça troy.
Segundo Bacci, a companhia vê espaço para crescimento orgânico da produção de cobre entre 4% e 6% ao ano.
Vale aposta em metais básicos
A mudança de foco já vinha sendo sinalizada. Durante a teleconferência de resultados da Vale em fevereiro, o CEO Gustavo Pimenta reforçou que os metais críticos estão no centro da criação de valor da empresa.
No quarto trimestre de 2025, enquanto o Ebitda consolidado da mineradora cresceu 17%, para US$ 4,8 bilhões, a divisão de metais básicos mais que dobrou seu resultado, alcançando US$ 1,4 bilhão.
Apesar das especulações sobre uma eventual oferta pública de ações (IPO) da VBM, a prioridade segue sendo execução.
“Nosso foco agora é continuar entregando resultados, operar bem os ativos e acelerar o programa de crescimento”, afirmou Pimenta na ocasião.
Guerra e oferta restrita elevam tese do cobre
Enquanto isso, a conjuntura internacional também joga a favor da estratégia.
Segundo Shaun Usmar, presidente da VBM, a guerra no Oriente Médio tem ampliado incertezas na cadeia global de suprimentos e reforçado desafios estruturais na oferta de minerais críticos.
“O crescimento do cobre está subavaliado pelo mercado”, afirmou, durante o VBM Day.
Ele destacou que novos projetos enfrentam custos mais altos e escassez de descobertas relevantes — fatores que tendem a sustentar preços no longo prazo.
A meta da companhia é atingir produção de cerca de 700 mil toneladas anuais de cobre até 2035, apoiada em um pipeline de projetos com retorno elevado e menor intensidade de capital.
VBM: pipeline robusto e retornos elevados
A expansão da produção da VBM está ancorada em um portfólio de projetos com alta rentabilidade esperada. Entre os destaques apontados pelos executivos:
- Bacaba (2028) e Salobo CPF (2029), com taxa interna de retorno (TIR) acima de 50%;
- Alemão (2030), com TIR superior a 25%;
- Projetos pós-2032, como 118 e Cristalino, também acima de 25%;
Vale lembrar ainda a parceria com a Glencore no Canadá, incluindo projetos em Sudbury e negociações envolvendo ativos em Thompson.
Nos ativos atuais, a expectativa é que Onça Puma atinja capacidade máxima em 2026, impulsionada pela entrada do segundo forno.
VIRADA À FRENTE
IRB Brasil (IRBR3): mudança tributária abre caminho para dividendos generosos; JP Morgan turbina preço-alvo para ação
1 de outubro de 2026 - 17:28CASA NOVA?
Tenda (TEND3) ‘pega as chaves’ da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida; o que a construtora busca no andar de cima
1 de outubro de 2026 - 14:15O QUE AINDA FALTA?
Queridinha do Barsi, Paranapanema (PMAM3) fecha acordo que acaba com boa parte da dívida bilionária, mas recuperação judicial segue
1 de outubro de 2026 - 13:03FUTURO DA 'FILHA DO DIVÓRCIO'
Todo mundo quer a Farm: ações da Azzas 2154 (AZZA3) lideram as altas no Ibovespa com chuva de propostas no radar
1 de outubro de 2026 - 12:38APOSTAS SAÍRAM DO CARRINHO
Com proibição das bets, duas ações do varejo podem ser as mais beneficiadas, mas Eleven faz alerta para a recuperação do setor
1 de outubro de 2026 - 12:12ROXINHO NÃO VAI ÀS COMPRAS?
Nubank (ROXO34) nega compra bilionária de fintech britânica Monzo após tombo em NY; ações sobem forte no pré-mercado
1 de outubro de 2026 - 9:35PANDA BONDS
A operação bilionária da Vale (VALE3) na China: mineradora conta os planos dessa estreia
30 de setembro de 2026 - 19:53BANCOS
Dia cheio no Bradesco (BBDC4): de R$ 3,8 bilhões em JCP a leilão de sobras de ações até o “Pix” internacional
30 de setembro de 2026 - 19:33QUEM SOBE QUANDO OS JUROS CAEM?
JP Morgan aumenta pessimismo com Natura (NATU3) e corta recomendação; veja as varejistas preferidas do banco para surfar o rali eleitoral
30 de setembro de 2026 - 12:10CORTANDO ONDE DÁ
Como o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) quer transformar uma despesa milionária em fonte de receita em meio à recuperação
30 de setembro de 2026 - 10:53REESTRUTURAÇÃO CORPORATIVA
Raízen (RAIZ4) quer trocar o conselho, mexer no capital e entregar até R$ 35 bilhões em novos papéis aos acionistas
30 de setembro de 2026 - 10:33GOVERNANÇA
CEO bumerangue: por que empresas, como Natura e Ri Happy, trazem antigos líderes de volta — e quando isso vira um sinal de alerta
30 de setembro de 2026 - 6:12CHEQUE EM BRANCO
Do sonho de construir um ‘avião de ponta-cabeça’ ao banco do futuro: o que o CEO da Revolut prevê para o seu dinheiro
29 de setembro de 2026 - 19:42GATILHO BILIONÁRIO
IRB (IRBR3): nova lei reduz impostos e pode liberar vantagem bilionária para a resseguradora
29 de setembro de 2026 - 14:11DANÇA DAS CADEIRAS
Copasa (CSMG3) troca liderança e aumenta poderes do governo de MG com a golden share; entenda as mudanças
29 de setembro de 2026 - 10:21MAIS UMA FRONTEIRA
BTG Pactual (BPAC11) conquista licença de banco no Peru e acelera expansão internacional; veja o que muda
29 de setembro de 2026 - 10:00Marketing Digital
R$ 42,7 bilhões em publicidade digital: Por que as marcas estão indo além do anúncio para conquistar a atenção do público
29 de setembro de 2026 - 9:00RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Do Chapter 11 para o 15: o que significa a decisão favorável da Ambipar (AMBP3) nos EUA
28 de setembro de 2026 - 19:34TCHAU OU ATÉ LOGO?
Presidente do conselho da Tupy (TUPY3) renuncia, mas não deve dar adeus à empresa
28 de setembro de 2026 - 19:24REVANCHE EM SOLO INGLÊS