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Oferta terá participação restrita a investidores profissionais e prioridade concedida aos acionistas da companhia; volume de ações ofertadas poderá dobrar se houver demanda
A Moura Dubeux (MDNE3) prepara terreno para um salto financeiro. A incorporadora anunciou na quarta-feira (14) a emissão de quase 9,7 milhões de ações ordinárias em oferta pública primária. Segundo ata do conselho, a operação poderá ser ampliada em até 100% do volume inicial.
A oferta será destinada exclusivamente a investidores profissionais, garantindo aos atuais acionistas prioridade para subscrever até a totalidade das ações, informou a empresa.
O preço por ação ainda será definido, mas a expectativa é que o processo de coleta de intenções de investimento trace o rumo desse novo capítulo.
A companhia já havia indicado a intenção de fazer esta oferta de ações na terça-feira (13) à noite, ao mesmo tempo que anunciava um volume recorde anual de vendas em 2025.
Ontem, as ações da companhia caíram 3,98% na B3, a bolsa brasileira. O foi movimento causado pela intenção da empresa na operação de oferta de ações, que teria um tamanho inicial de R$ 250 milhões, mas que poderia chegar a R$ 500 milhões. Nesta quinta-feira (15), MDNE3 segue em queda: -1,33% por volta de meio-dia.
Na avaliação do Safra, a operação tende a gerar cautela no curto prazo, o que ajuda a explicar o recuo na bolsa, especialmente por envolver uma diluição relevante em um momento em que o papel da incorporadora negocia a múltiplos comprimidos, em torno de 4,5 vezes o lucro.
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Segundo os cálculos do banco, considerando o último preço de fechamento da ação, de R$ 25,90, a emissão no cenário base envolveria cerca de 9,7 milhões de novos papéis, o que representaria uma diluição de aproximadamente 10,2%. No caso de aumento total da oferta, esse percentual subiria para 18,6%.
Vale ressaltar, porém, que os acionistas controladores sinalizaram intenção de participar da operação com até R$ 90 milhões, o equivalente a cerca de 36% da oferta base.
De acordo com o Safra, a expectativa é que os recursos captados sejam direcionados principalmente para apoiar e acelerar o crescimento da marca Única, divisão da incorporadora voltada ao segmento de baixa renda.
Em outubro de 2025, a Moura Dubeux já havia demonstrado o objetivo de avançar no nicho de moradias populares ao anunciar uma joint venture com a Direcional (DIRR3). A oferta, portanto, poderia financiar os projetos da parceria.
Na visão do banco, a captação também pode servir para dar suporte ao pagamento antecipado de dividendos já anunciados, que somam cerca de R$ 352 milhões, com R$ 50 milhões distribuídos trimestralmente até 2027, além de reforçar o caixa para fins corporativos gerais, aumentando a flexibilidade financeira.
Os detalhes da alocação, no entanto, ainda não foram formalmente definidos pela empresa e devem ser divulgados após o lançamento oficial da oferta.
Embora a emissão possa gerar uma diluição de até 19% para os atuais acionistas, o Safra vê a iniciativa como positiva do ponto de vista estratégico, já que, após os dividendos anunciados, o patrimônio líquido da companhia deve encerrar 2025 em cerca de R$ 1,5 bilhão, nível considerado limitado diante da escala atual do negócio.
“Nesse contexto, a emissão poderia sustentar um novo ciclo de crescimento, com os lançamentos se estabilizando em aproximadamente R$ 5 bilhões, ante os atuais cerca de R$ 4 bilhões”, diz a instituição.
A casa ainda projeta que, em um cenário em que os controladores não participem da oferta, o free float — ou seja, a fatia de ações efetivamente disponível para negociação no mercado — poderia subir de 64,1% para 67,4%, o que tende a melhorar a liquidez dos papéis.
*Com informações do Money Times
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