Tempo de vacas magras? Minerva (BEEF3) afunda na bolsa após alerta do Itaú BBA
Banco vê cenário mais difícil para frigoríficos e derruba o preço-alvo das ações BEEF3; o que está por trás do rebaixamento?

As ações da Minerva (BEEF3) amanheceram no vermelho e passaram a liderar as perdas do Ibovespa nesta quinta-feira (21) depois que o Itaú BBA decidiu puxar o freio na tese de investimento no frigorífico.
O que até pouco tempo atrás era visto pelo mercado como uma das grandes apostas para surfar o ciclo favorável do gado no Brasil começou a perder tração. Agora, o banco prefere assistir ao jogo da arquibancada.
Os analistas cortaram a recomendação da companhia de outperform (equivalente à compra) para market perform (neutro).
O movimento veio acompanhado de um corte expressivo no preço-alvo para o fim de 2026: de R$ 9 para R$ 5,50 por ação. Apesar da redução, a cifra ainda implica uma valorização potencial de 29% em relação ao último fechamento.
O rebaixamento da Minerva acontece em meio a uma combinação que mistura piora no ciclo pecuário, incertezas na China, pressão cambial e uma estrutura que amplifica qualquer ruído operacional no preço das ações.
“A revisão para baixo reflete principalmente um ambiente operacional menos favorável, combinado com visibilidade limitada sobre variáveis-chave”, afirmam os analistas do Itaú BBA.
Leia Também
Por volta das 11h55, BEEF3 tombava 5,87%, cotado a R$ 4,01 na B3. Desde o início do ano, as ações do frigorífco acumulam desvalorização de quase 30% na bolsa brasileira.
O ciclo virou para os frigoríficos — e a Minerva (BEEF3) sente primeiro
Durante os últimos anos, a grande narrativa por trás dos frigoríficos brasileiros foi relativamente simples: havia muito boi disponível no mercado, os custos de compra do gado caíram e as margens dispararam.
Foi esse ambiente que ajudou empresas exportadoras como a Minerva (BEEF3) a navegar um período bastante lucrativo.
Mas o Itaú BBA avalia que essa “festa do boi gordo barato” está começando a perder força.
“Após três anos de atividade de abate acelerada no Brasil, a ampla disponibilidade de gado provavelmente desaparecerá mais cedo ou mais tarde”, dizem os analistas.
A leitura do banco é que o setor começa a entrar em uma fase menos confortável do ciclo pecuário. A própria projeção da Conab aponta para uma queda de 5,3% na produção de carne bovina brasileira em 2026, reflexo da retenção de fêmeas para recomposição dos rebanhos.
Na prática, isso significa menos oferta de animais para abate e, consequentemente, pressão de custos para os frigoríficos.
Para uma companhia altamente exposta à exportação como a Minerva, o momento passa a exigir muito mais precisão operacional, segundo os analistas.
China vira principal ponto de interrogação no balanço da Minerva
Embora o custo do gado tenha começado a subir na origem, a previsibilidade das receitas também ficou mais nebulosa no destino final, segundo o Itaú BBA.
Para os analistas, boa parte dessa incerteza passa pela China — principal mercado da proteína bovina brasileira e peça central na tese da Minerva.
O Itaú BBA avalia que existe um risco crescente de esgotamento das cotas de exportação para o país asiático já em agosto. Caso isso aconteça, a companhia pode ser obrigada a redirecionar parte dos embarques para mercados menos rentáveis.
“A combinação da falta de visibilidade sobre o momentum dos lucros e a alta dispersão de cenários são os pilares por trás da nossa postura neutra”, destaca o banco.
Os analistas avaliam que o mercado já começou a precificar um terceiro trimestre mais difícil para a companhia. Ainda assim, destacam que negociações comerciais envolvendo a China costumam ser historicamente voláteis — o que mantém o cenário em aberto.
Dólar deixou de ajudar
Tradicionalmente, empresas exportadoras tendem a se beneficiar de um dólar mais forte. Mas a dinâmica recente do câmbio começou a jogar contra parte da rentabilidade da Minerva.
Mesmo com os preços internacionais da carne bovina em patamares elevados — chegando a US$ 6,2 por quilo em maio, segundo o banco —, a valorização do real reduz o ganho quando as receitas são convertidas para moeda local.
O resultado é uma espécie de compensação parcial: o preço da exportação sobe lá fora, mas o benefício do câmbio diminui dentro do balanço.
Além disso, o banco também chama atenção para pressões adicionais vindas do cenário geopolítico. Tensões no Oriente Médio seguem elevando preocupações com custos de frete e energia ao longo do ano, afirmam os analistas.
Por que a ação da Minerva oscila tanto?
O Itaú BBA também revela o que está por trás da elevada volatilidade das ações da Minerva (BEEF3) na bolsa. Hoje, o valor de mercado da companhia representa apenas cerca de 25% do valor total da firma (enterprise value).
Segundo os analistas, isso significa que pequenas mudanças nas expectativas operacionais — seja no câmbio, nos juros, no preço do boi ou nas margens — acabam produzindo impactos muito maiores no valuation da ação.
É uma estrutura que deixa o papel particularmente sensível ao humor do mercado.
“O valuation atual já incorpora uma parte significativa dos riscos negativos, mas o valor de mercado relativamente comprimido da Minerva dentro de seu valor da firma aumenta a sensibilidade da avaliação”, dizem os analistas.
BEEF3: ainda existe espaço para recuperação?
Apesar do rebaixamento, o Itaú BBA não vê um cenário de deterioração estrutural da companhia.
O banco reconhece que a Minerva segue avançando em sua trajetória de desalavancagem e destaca que eventuais monetizações de ativos não estratégicos — como a planta de biodiesel — poderiam acelerar esse processo.
Ainda assim, a avaliação é de que o momento do ciclo não favorece expansão de múltiplos para empresas do setor frigorífico.
“Vemos espaço limitado para expansão de múltiplos no curto prazo, mesmo assumindo uma execução operacional sólida, especialmente à medida que o setor se aproxima de uma fase menos favorável do ciclo do gado”, afirmam os analistas.
Por enquanto, a recomendação do Itaú BBA é mais defensiva: sair um pouco do centro do campo e esperar maior clareza sobre margens, China, custos e dinâmica operacional antes de voltar a apostar de forma mais agressiva na tese da Minerva.
PUXOU O FREIO
JP Morgan ‘manda vender’ ação do Banco do Brasil (BBAS3) após rali eleitoral — e elege outro bancão para comprar agora
6 de outubro de 2026 - 14:22OTIMIZANDO ONDE DÁ
Na luta para virar o jogo, Hapvida (HAPV3) fecha acordo bilionário com a Roche. Como a parceria pode ajudar a operadora?
6 de outubro de 2026 - 10:31DESPEDIDA COM DATA MARCADA
Adeus, B3: oferta para tirar Helbor (HBOR3) da bolsa recebe aval da CVM e tem leilão marcado; veja os próximos passos
6 de outubro de 2026 - 9:50VEJA AS FAVORITAS
Após eleições, JP Morgan troca campeãs do Minha Casa, Minha Vida por construtoras de média e alta renda
5 de outubro de 2026 - 18:13COMMODITIES
Petrobras (PETR4) ou Vale (VALE3): qual delas se dá melhor caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno
5 de outubro de 2026 - 17:05MODO RELAX
Da esteira para a massagem: Smart Fit (SMFT3) quer comprar até 20% do Buddha Spa. O que está por trás da estratégia?
5 de outubro de 2026 - 9:00FAVORITA DOS ANALISTAS
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja a ação que pode blindar seus investimentos no segundo turno
5 de outubro de 2026 - 6:03A VACA E O FRANGO
JBS (JBSS32) ou MBRF (MBRF3): qual ação tem mais potencial para 2027? Itaú BBA elege sua favorita
4 de outubro de 2026 - 13:13MERCADOS
A ação que fez Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3) comerem poeira e dobrou de preço com trade eleitoral de Flávio Bolsonaro
2 de outubro de 2026 - 19:49DE OLHO NAS RIVAIS
Os planos do novo CEO da B3 (B3SA3) para fortalecer a bolsa de valores diante do avanço da concorrência, segundo o BTG
2 de outubro de 2026 - 17:10A LISTA DE DESPEDIDAS VAI AUMENTAR
Mais um adeus à B3: Claro assume Desktop (DESK3) por R$ 1,75 bilhão e prepara OPA. O que muda para quem tem as ações?
2 de outubro de 2026 - 8:53RENDA EXTRA NA CONTA
Enquanto três gatilhos não fazem preço na CPFL (CPFE3), Itaú BBA defende a compra pelos dividendos
1 de outubro de 2026 - 17:45VIRADA À FRENTE
IRB Brasil (IRBR3): mudança tributária abre caminho para dividendos generosos; JP Morgan turbina preço-alvo para ação
1 de outubro de 2026 - 17:28CASA NOVA?
Tenda (TEND3) ‘pega as chaves’ da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida; o que a construtora busca no andar de cima
1 de outubro de 2026 - 14:15O QUE AINDA FALTA?
Queridinha do Barsi, Paranapanema (PMAM3) fecha acordo que acaba com boa parte da dívida bilionária, mas recuperação judicial segue
1 de outubro de 2026 - 13:03FUTURO DA 'FILHA DO DIVÓRCIO'
Todo mundo quer a Farm: ações da Azzas 2154 (AZZA3) lideram as altas no Ibovespa com chuva de propostas no radar
1 de outubro de 2026 - 12:38APOSTAS SAÍRAM DO CARRINHO
Com proibição das bets, duas ações do varejo podem ser as mais beneficiadas, mas Eleven faz alerta para a recuperação do setor
1 de outubro de 2026 - 12:12ROXINHO NÃO VAI ÀS COMPRAS?
Nubank (ROXO34) nega compra bilionária de fintech britânica Monzo após tombo em NY; ações sobem forte no pré-mercado
1 de outubro de 2026 - 9:35PANDA BONDS
A operação bilionária da Vale (VALE3) na China: mineradora conta os planos dessa estreia
30 de setembro de 2026 - 19:53BANCOS