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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

NA BERLINDA?

Minerva (BEEF3) ainda promete quase 30% de alta — mas XP decide ligar sinal amarelo antes do balanço do 4T25. Ação ainda vale o risco?

Preço-alvo cai e corretora alerta para riscos crescentes no curto prazo; veja o que está em jogo no 4T25, segundo os analistas

Camille Lima
Camille Lima
24 de fevereiro de 2026
10:01 - atualizado às 10:54
Minerva
Celular com a marca Minerva Foods (BEEF3) - Imagem: Shutterstock

Minerva (BEEF3) entrou na mira da XP Investimentos — e saiu com um sinal amarelo. Nesta terça-feira (24), a corretora aplicou um “golpe duplo” na tese de investimento do frigorífico: reduziu o preço-alvo para a ação e rebaixou a recomendação. 

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Com o downgrade, a XP decidiu colocar BEEF3 na geladeira. A classificação para os papéis passou de compra para neutra.  

A expectativa dos analistas para ganhos com as ações do frigorífico também encolheu. O preço-alvo caiu de R$ 8,40 para R$ 7,20 ao fim de 2026.  

Mesmo assim, o número ainda embute um potencial de valorização próximo de 30% em relação ao último fechamento. 

As ações da Minerva reagem negativamente ao rebaixamento na sessão desta terça-feira. Na primeira hora do pregão, BEEF3 liderava as perdas do Ibovespa, com queda de 3,90% por volta das 10h40, a R$ 5,42.

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Minerva (BEEF3) na berlinda? O que mudou na tese 

Há dois principais motivos que explicam os cortes da XP para a tese de Minerva (BEEF3).  

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De um lado, está a expectativa de um quarto trimestre fraco. De outro, uma relação entre risco e retorno que já não parece tão sedutora quanto há alguns meses. 

Embora os analistas sigam construtivos com o pano de fundo de longo prazo — especialmente diante da persistente escassez global de carne bovina —, o diagnóstico para o curto prazo é mais cauteloso. 

O que esperar do balanço da Minerva no 4T25? 

O balanço do 4T25 será divulgado no dia 18 de março, após o fechamento do mercado. E a XP resume o que espera em três palavras: “um trimestre fraco”. 

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A corretora revisou para baixo suas projeções de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) — indicador que mede a geração potencial de caixa operacional de um negócio. 

As estimativas para 2026 foram cortadas em 7%, enquanto as de 2027 recuaram 6%, agora mais conservadoras do que sugere o consenso de mercado. 

O que pesa no radar  

A XP vê um conjunto de fatores que pode limitar os catalisadores para uma reprecificação positiva das ações BEEF3 no curto prazo. 

No cenário externo, as salvaguardas chinesas — principal destino das exportações do setor de frigoríficos — e as incertezas em torno das cotas de exportação seguem como pontos de atenção.  

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Como a Minerva tem forte atuação em exportação, qualquer mudança nas regras do comércio internacional impacta diretamente suas receitas e margens. 

Além disso, os analistas mencionam o risco de overhang — um excesso potencial de oferta em relação à demanda — que pode pressionar resultados e reduzir o espaço para surpresas positivas. 

No Brasil, o ambiente também limita o otimismo. A XP avalia que o consumo doméstico pode estar mais fraco do que o esperado, ao mesmo tempo em que o setor se aproxima de uma possível virada no ciclo do gado.  

Ainda há dúvidas sobre a magnitude da alta no preço do boi — variável crucial para as margens da companhia. 

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Há também o fator câmbio. Um real mais forte frente ao dólar reduz a competitividade das exportações e pode comprimir receitas quando convertidas para a moeda local.

BEEF3 já não vale mais o risco? 

No fim das contas, a discussão debate volta para o valuation.  

Para os analistas, o papel negocia hoje a 4,6 vezes o valor de firma sobre o Ebitda (EV/Ebitda) projetado para 2026, com um FCF yield (indicador que mostra quanto dinheiro vivo a empresa gera em relação ao seu preço) de 10,8%. 

Os múltiplos não parecem exagerados, mas, na avaliação da XP, também não compensam os riscos crescentes no horizonte. 

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"Em nossa visão, o valuation atual não oferece um perfil de risk‑reward atrativo”, diz a corretora. 

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