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O banco projeta que a receita da Embraer avance de US$ 7,578 bilhões em 2025 para US$ 8,671 bilhões em 2026

A Embraer (EMBJ3) chega ao maior palco da aviação em 2026 com um voto de confiança vindo do BTG Pactual. O banco manteve recomendação de compra para os ADRs da companhia, que são os recibos de ações negociados nos Estados Unidos, e estabeleceu preço-alvo de US$ 97 para os papéis.
Com o relatório considerando a cotação de US$ 62,15, o banco vê espaço para uma valorização de 56,1% nas ações. Ao somar os dividendos esperados no período, o retorno total projetado chega a 57,4%.
No relatório, publicado na terça-feira (30), os analistas do BTG afirmam que seguem compradores dos papéis antes do Farnborough Airshow, evento marcado para os dias 20 a 24 de julho.
A visão positiva do banco está apoiada em três pilares: a expectativa de fluxo favorável de notícias com a proximidade da feira, a sazonalidade mais positiva e o ganho de força dos resultados nos próximos trimestres, além de um valuation considerado atrativo.
Segundo o BTG, a Embraer negocia a 11,1 vezes EV/Ebitda estimado para 2026, indicador que compara o valor da empresa com sua geração operacional de caixa, com desconto de dois dígitos em relação aos pares globais, apesar de fundamentos ainda fortes.
Para os analistas, esse desconto é “desnecessário”, especialmente diante da perspectiva positiva para todas as unidades de negócio da companhia.
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Por volta das 16h (de Brasília), as ações da Embraer operavam em alta de 0,22% no Ibovespa, cotadas a R$ 82,01, após chegarem a subir mais de 1% no final da manhã. Já os ADRs da companhia — negociados na Bolsa de Nova York (Nyse) sob o ticker EMBJ — operavam em queda de 0,78%, cotados a US$ 63,30.
O banco projeta que a receita da Embraer avance de US$ 7,578 bilhões em 2025 para US$ 8,671 bilhões em 2026. O Ebitda deve subir de US$ 840 milhões para US$ 1,002 bilhão no mesmo período.
Já o lucro líquido é estimado em US$ 479 milhões em 2026, ante US$ 352 milhões no ano anterior. Para 2028, as projeções sobem para receita de US$ 10,516 bilhões, Ebitda de US$ 1,264 bilhão e lucro líquido de US$ 746 milhões.
O BTG também espera melhora gradual do retorno sobre o capital investido (RoIC). O indicador deve passar de 12,1% em 2025 para 14,6% em 2026 e chegar a 17,3% em 2028.
É nesse contexto que o Farnborough Airshow entra como um potencial catalisador de curto prazo. O evento é o segundo maior do setor no mundo, atrás apenas do Paris Air Show, e costuma concentrar anúncios de pedidos, negociações comerciais e atualizações de fabricantes, companhias aéreas e governos.
“Na nossa visão, o fluxo de notícias sobre pedidos é um fator-chave que os investidores dificilmente irão ignorar quando se trata do desempenho de EMBJ”, escreveram os analistas.
O cenário geopolítico aparece como um ponto de atenção no relatório. O BTG afirma que a escalada da guerra no Irã, com impacto sobre o preço do combustível de aviação, pode ter levado ao adiamento de pedidos que seriam anunciados em feiras aéreas neste ano.
Ainda assim, o banco vê fatores que ajudam a limitar esse efeito. Um deles é o nível elevado de backlog da indústria, que faz com que novos pedidos feitos hoje só se transformem em capacidade efetiva para as companhias aéreas daqui a vários anos.
Outro ponto é que o combustível mais caro pode reforçar o interesse por aeronaves mais novas e eficientes.
“Esse ambiente prolongado pode, na verdade, reforçar a tese de investimento em aeronaves mais novas e mais eficientes em consumo de combustível”, afirma o BTG.
O banco lembra que o combustível costuma representar cerca de 30% dos custos operacionais das companhias aéreas. Em uma primeira leitura, isso poderia pressionar a rentabilidade do setor. Mas, para o BTG, o mesmo cenário pode acelerar decisões de renovação de frota.
A edição deste ano de Farnborough deve ter a aviação de defesa como principal destaque, segundo o BTG. Entretanto, a Eve — subsidiária da Embraer voltada aos chamados “carros voadores (eVTOLs)” —, também pode ganhar espaço no evento.
O BTG lembra que o Paris Air Show do ano passado trouxe cartas de intenção para a plataforma da Eve, incluindo acordos com a brasileira Revo, para até 50 aeronaves, e com a Future Flight Global, para até 54 veículos.
O banco também destaca que o eVTOL brasileiro já realizou mais de 58 voos desde sua estreia, em dezembro do ano passado.
Com os processos de certificação junto à Federal Aviation Administration (FAA) e à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) esperados para começar no próximo ano, os analistas afirmam que os investidores não devem desconsiderar o potencial de novas notícias e de aumento do interesse comercial pela aeronave.
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