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Safra seguiu com recomendação de venda em sinal de que o preço esticado exige cautela extra antes de decidir se você vai colocar mais dinheiro para acompanhar a oferta e evitar a diluição

Os acionistas da Engie Brasil (ENGI3) deram o sinal verde que a companhia esperava. Em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), foi aprovada a aquisição de 40% da Usina Hidrelétrica de Jirau, operação avaliada em R$ 5,744 bilhões.
O negócio, que vinha sendo desenhado com a Engie Brasil Participações — que se absteve de votar por ser a vendedora —, contou com o apoio de investidores que representam 89,81% do capital votante, embora uma ala de minoritários tenha votado contra.
Mas o que esse "sim" significa para o bolso do investidor pessoa física? Se você tem ou acompanha os papéis da elétrica, prepare-se: o Safra já ligou o sinal de alerta e projeta um período de fortes emoções (leia-se: volatilidade) para as ações da companhia nos próximos meses.
A aprovação da compra de Jirau abre caminho para uma oferta pública primária de ações de grande porte, segundo o Safra.
Para o investidor comum, o tamanho desse movimento impressiona. O banco estima que, para a estrutura da operação funcionar sem que os acionistas minoritários sejam diluídos, será necessária uma captação expressiva.
Segundo o banco, os acionistas minoritários precisariam subscrever cerca de R$ 2,6 bilhões além da oferta-base de R$ 5,7 bilhões, elevando o tamanho potencial da oferta para R$ 8,4 bilhões.
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Na visão dos analistas Daniel Travitzky, Carolina Carneiro e Ricardo Bello, a perspectiva de uma oferta primária desse tamanho tende a pesar no mercado e aumentar a volatilidade das ações da Engie nos próximos meses.
Se você está pensando que os bilhões movimentados servirão apenas para comprar a hidrelétrica, os analistas do Safra apontam que o destino dos recursos é mais amplo.
Segundo o trio de analistas, parte do montante também poderá ser utilizada para liquidar a obrigação referente à UBP, estimada em cerca de R$ 2,4 bilhões.
Além disso, seriam usados para financiar investimentos em ativos de transmissão ainda em construção e otimizar a estrutura de capital da companhia.
Mesmo com o negócio sacramentado pelos acionistas, o Safra decidiu manter a recomendação de underperform (equivalente à venda) para as ações da Engie, estipulando um preço-alvo de R$ 34,26 — o que ainda representa um potencial de valorização discreto de 5,6% em relação ao fechamento anterior.
O motivo principal do ceticismo do banco gira em torno do preço pago. O Safra avalia que o valor aprovado para a participação em Jirau ficou acima de suas estimativas anteriores e classificou o valuation atual do ativo como exigente.
Mas nem tudo é motivo de cautela. O banco pondera que há espaço para uma melhora nas projeções de retorno para o investidor se alguns gatilhos operacionais e fiscais se confirmarem no futuro.
A taxa interna de retorno (TIR) do investimento pode alcançar cerca de 9,3%, desde que haja renovação do benefício fiscal da Sudam até 2037, ganhos de modulação da ordem de R$ 10 por MWh e a premissa mais favorável para o GSF (fator de risco hidrológico).
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