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O ‘apagão chinês’ que está forjando a virada da Usiminas (USIM5) — ação ainda pode saltar 30%

Para analistas do UBS BB, tarifas antidumping contra a China e preços mais altos podem destravar valor para USIM5; Morgan Stanley está menos otimista

Imagem criada por IA traz um gráfico de ações em azul ao fundo, o logo da Usiminas ao centro e bobinas de aço na parte inferior da imagem
Imagem criada por inteligência artificial - Imagem: ChatGPT

Após uma sequência de rebaixamentos e revisões negativas ao longo deste mês, a Usiminas (USIM5) conseguiu conquistar espaço entre os investidores. A melhora de sentimento vem na esteira de um balanço do primeiro trimestre mais forte que o esperado e depois de a empresa ter ganhado um aliado improvável na sua tese de recuperação: a 'saída forçada' do aço chinês do mercado brasileiro.

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Após a imposição de tarifas antidumping pelo governo em fevereiro, uma parcela relevante da oferta simplesmente deixou de competir nas mesmas condições.

Para o UBS BB, o efeito é comparável a tirar uma siderúrgica inteira de circulação de uma hora para outra — e isso pode mudar o equilíbrio do setor, segundo os analistas.

É nesse novo tabuleiro que o banco vê espaço para uma reprecificação relevante das ações da Usiminas. Mesmo após o rali recente, o UBS BB avalia que USIM5 ainda tem potencial para saltar mais de 30% nos próximos meses.

O banco elevou o preço-alvo para a ação de R$ 9 para R$ 10 e manteve recomendação de compra para a companhia.

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As ações da Usiminas operaram novamente em forte alta nesta segunda-feira (27): os papéis subiram 6,83% e lideraram as maiores altas do Ibovespa, cotados a R$ 8,13. Desde o início do ano, a valorização supera os 36% na B3.

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Por trás do otimismo com a Usiminas: o apagão planejado do aço chinês

A visão mais construtiva do UBS BB para a Usiminas parte de uma mudança relevante no ambiente competitivo da siderurgia brasileira.

Em fevereiro, o governo aplicou tarifas antidumping sobre importações de aços laminados a frio e revestidos — instrumentos de defesa comercial usados para conter a entrada de produtos estrangeiros a preços considerados desleais.

Segundo o banco, a medida redesenhou o mercado de aço plano no Brasil. Com o aço chinês perdendo competitividade, entre 15% e 20% da oferta doméstica foi impactada, abrindo um déficit relevante entre oferta e demanda.

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Esse espaço deverá ser preenchido parcialmente por importações de outros países asiáticos e, principalmente, pelas siderúrgicas locais, segundo os analistas.

Além disso, os analistas estimam que os preços devem subir entre US$ 100 e US$ 200 por tonelada, abrindo espaço para reajustes ao longo dos próximos meses.

Diante dessa lacuna, a avaliação é que empresas com capacidade instalada e posicionamento no mercado doméstico — como a própria Usiminas — tendem a capturar a demanda adicional com preços mais altos.

“Mesmo após a alta recente, ainda vemos potencial relevante de valorização até 2027, à medida que o mercado incorpore gradualmente níveis maiores de margem”, afirmam os analistas sobre as ações USIM5.

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Reajustes no horizonte e margens em expansão

A melhora do cenário setorial ganhou tração com os resultados do primeiro trimestre de 2026, que vieram acima das expectativas e ajudaram a consolidar a narrativa de recuperação da companhia.

Veja os principais números do período:

  • Lucro líquido: R$ 896 milhões, +166% a/a;
  • Ebitda ajustado: R$ 653 milhões. -11% a/a, mas +56% t/t;
  • Margem Ebitda: 11%, +0,04 ponto percentual (p.p) e +4,4 p.p t/t;
  • Receita líquida: R$ 5,87 bilhões, -14% a/a;
  • Caixa líquido: R$ 391 milhões;
  • Alavancagem: -0,20 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda.

Confira aqui: Lucro da Usiminas (USIM5) mais que dobra e ação salta na B3; dólar fraco e ‘mix premium’ turbinam os números do 1T26

Mas, para o UBS BB, o principal gatilho está à frente. A Usiminas já implementou um reajuste de 5% nos preços na rede de distribuição em abril, e novas rodadas estão previstas para maio e junho.

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Com isso, o banco revisou para cima suas projeções e elevou as estimativas de Ebitda (que mensura o potencial de geração de caixa operacional de um negócio) em cerca de 10% a 15% para 2026 e 2027.

“Vemos um ponto de partida mais alto para as margens Ebitda da divisão de aço no 1T26, em 10,4% (contra 7,4% esperados anteriormente), e agora projetamos de forma conservadora margens de 14% em 2027 (ante 13% antes), à medida que reajustes de preços sejam implementados gradualmente (mais concentrados a partir do 3T26)”, dizem os analistas.

Na visão dos analistas, o mercado ainda não "comprou" totalmente essa história e precifica margens entre 10% e 11%, o que abre espaço para revisões positivas conforme os resultados forem aparecendo.

A estratégia da Usiminas

Durante a teleconferência de resultados, a administração da Usiminas deixou claro que o foco daqui para frente não é apenas produzir mais, mas produzir melhor.

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A empresa adotará uma estratégia de "valor sobre volume" até que os estoques elevados na cadeia de suprimentos sejam normalizados, o que deve ocorrer no segundo semestre de 2026, segundo os analistas.

Além disso, a companhia reportou uma economia estrutural de US$ 15 por tonelada graças a esforços contínuos de eficiência. Essa disciplina de custos, somada à proteção comercial, cria o que os analistas chamam de "caminho claro para melhoria estrutural".

Vale a pena entrar em Usiminas?

Para o UBS BB, a resposta é positiva. Mesmo após a valorização recente de 12% desde a divulgação do balanço, o banco avalia que o potencial de alta até 2027 segue subestimado pelo mercado.

Segundo os analistas, entre os principais riscos estão a volatilidade das commodities e eventuais interrupções na produção. Ainda assim, o ambiente atual, com o “escudo” antidumping, é visto como suficientemente robusto para sustentar a tese.

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O Morgan Stanley, por outro lado, adota uma postura mais cautelosa. Apesar de elevar suas projeções em quase 50%, o banco manteve recomendação equalweight, equivalente a neutra, para USIM5.

O ponto de atenção está na efetividade das medidas antidumping. Na visão dos analistas, há risco de que importadores encontrem formas de contornar as restrições, mantendo a pressão sobre os preços domésticos.

Além disso, o banco destaca que as ações já negociam acima da média histórica de cinco anos — cerca de 3,6 vezes o valor de firma (EV) sobre o Ebitda estimado para 2026 —, o que pode limitar o potencial de valorização no curto prazo.

*Com informações do Money Times.

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