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COSMÉTICOS E NEGÓCIOS

Natura (NATU3) ainda pode virar o jogo? JP Morgan vê alta de 63% com avanço da Advent

Banco diz que a gestora pode apoiar a execução da estratégia e dar mais disciplina à alocação de capital da companhia

Natura
Natura - Imagem: Divulgação

A chegada da Advent International ao capital da Natura (NATU3) ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira (2) e, para o JP Morgan, a notícia é positiva para a tese de investimento da companhia. A gestora alcançou exposição total próxima de 8% na empresa de cosméticos, considerando ações já detidas diretamente e contratos de derivativos.

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Diante do avanço, o banco reiterou a recomendação overweight (equivalente a compra) para os papéis da Natura, com preço-alvo de R$ 14. O valor embute um potencial de valorização de 63,2% em relação ao fechamento anterior de R$ 8,58.

Por trás da leitura otimista está a expectativa de que a Advent ajude a dar mais força à transição de governança da companhia, iniciada após a simplificação da estrutura societária. Segundo o relatório, o movimento confirma que a gestora caminha para atingir a participação mínima prevista no acordo firmado em março com os acionistas da Natura.

Apesar da visão positiva do JP Morgan, as ações da Natura caem forte no Ibovespa. Por volta das 14h50, NATU3 recuava 3,85%, cotada a R$ 8,25. Na mínima do dia, os papéis chegaram a cair 3,96%.

A visão do JP Morgan

Na avaliação dos analistas, a entrada da Advent ajuda a dar mais credibilidade à nova fase da Natura, que passa por uma reorganização societária e de governança.

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A expectativa é que a gestora contribua para uma execução mais eficiente da estratégia, maior disciplina na alocação de capital e apoio em decisões estratégicas.

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O momento é considerado relevante porque a Natura voltou a concentrar seus esforços na América Latina. Para o JP Morgan, a presença de um investidor como a Advent pode ser um fator de apoio nesse processo.

O banco ressalta, no entanto, que não se trata de uma mudança de controle. A participação da Advent é minoritária e não dá à gestora poder de veto dentro da companhia.

Por isso, o impacto esperado tende a ser gradual, com mais peso sobre a percepção de governança e sobre o potencial de geração de valor no médio prazo do que sobre uma mudança operacional imediata.

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Para o JP Morgan, a grande questão para a Natura continua sendo a capacidade de transformar a estrutura mais enxuta e o alinhamento entre acionistas em crescimento sustentável de receita, recuperação de margens e maior geração de caixa.

Mesmo com esses pontos de atenção, o banco vê uma relação risco-retorno favorável para as ações da Natura. O JP Morgan lembra que os papéis são negociados a 9,2 vezes o P/L, ou preço sobre lucro, estimado para 2026 e a 7,0 vezes para 2027.

Advent se aproxima do patamar previsto no acordo

A Natura informou ao mercado, também nesta quinta-feira, que a Advent deu mais um passo dentro do compromisso vinculante firmado em março para entrar no capital da companhia de cosméticos.

Um fundo de investimento em participações gerido por veículos da Advent passou a deter 90.676.500 ações da Natura. A fatia corresponde a 6,6% do capital social da empresa.

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A gestora mantém exposição econômica adicional equivalente a 19.288.800 ações, ou 1,4% do capital, por meio de contratos de derivativos com liquidação exclusivamente financeira, conhecidos como total return swaps (TRS).

A posição sintética está no Lotus Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia. Considerando as ações já detidas e os derivativos, a exposição total da Advent chega a cerca de 8% da Natura.

Apesar disso, a Natura destacou que o percentual mínimo previsto no acordo ainda não foi efetivamente alcançado. Isso porque a fatia direta da Advent no capital é de 6,6%, enquanto os outros 1,4% ainda estão ligados aos contratos de derivativos.

O gatilho contratual de 8% só será disparado quando a gestora liquidar os TRS e assumir a titularidade das ações correspondentes.

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O caminho até o conselho da Natura

O acordo anunciado em 30 de março prevê que a Advent compre entre 8% e 10% do capital da Natura em até seis meses, a um preço médio-alvo de R$ 9,75 por ação.

O compromisso foi firmado com os signatários do Acordo de Acionistas da companhia, grupo que inclui os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos.

Quando a Advent se tornar titular de 8% das ações, a gestora terá direito a indicar dois conselheiros adicionais ao conselho de administração da Natura, que hoje tem oito integrantes. Também poderá participar de comitês de assessoramento do colegiado.

Mas essa entrada na governança ainda depende de novas etapas. Depois de atingir a fatia de 8%, será necessário firmar um novo acordo de acionistas entre a Advent e os atuais signatários.

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Antes disso, a Natura precisa obter a dispensa de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA). A liberação deve ser aprovada em Assembleia Geral Extraordinária, ainda a ser convocada pela companhia.

Só após essa etapa será possível formalizar o acordo que dará à Advent os assentos no conselho.

Se a Advent concluir sua entrada no capital, o conselho da Natura poderá passar de oito para até dez membros. Pelo menos quatro deles deverão ser independentes.

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