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"SÃO CICLOS"

Fred Trajano não perdeu a humildade quando o Magalu disparou, agora não perde a serenidade com queda de 50%: “foge ao controle”

CEO do Magazine Luiza diz que acompanha o preço da ação, mas afirma que seu foco está nos fundamentos da empresa; em entrevista ao Market Makers, também falou sobre juros, bets e o futuro do varejo

Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza
Fred Trajano, CEO do Magazine Luiza - Imagem: Magazine Luiza

Se engana quem pensa que a trajetória de liderança de Frederico Trajano no Magalu (MGLU3) teve início com a posição de CEO que assumiu há dez anos. O executivo deixou para trás o mercado financeiro há 26 anos e se tornou o grande nome por trás da digitalização da empresa fundada por sua família.

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Talvez por isso ele já tenha criado casca em relação às movimentações de mercado, principalmente dado o caráter cíclico das ações MGLU3, que caem quase 50% no ano, no topo das maiores desvalorizações do Ibovespa.

Em entrevista a Thiago Salomão e Leopoldo Rosa, durante uma edição especial do podcast Market Makers, parceiro do Seu Dinheiro, Trajano destacou que se preocupa em gerar valor para os stakeholders, mas compreende que nem tudo está sob o seu controle — como os juros, aspecto que machuca o desempenho dos papéis.

“Para qualquer CEO responsável por uma empresa de capital aberto, se você disser que não olha para o preço de tela, não é verdade. São aspectos relevantes, especialmente quando se considera o longo prazo”, afirmou em fala rara sobre o desempenho dos papéis.

No entanto, ele disse que busca refletir sobre o que está ou não ao seu alcance. “Eu procuro focar naquilo que eu controlo. No curto prazo, eu controlo fundamento da companhia e, no longo prazo, isso vai se refletir no preço”, disse ao Market Makers.

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O CEO recorda que as ações do Magazine Luiza viveram um momento de “vacas gordas” durante seus primeiros anos de gestão, em um momento em que a Selic saiu do patamar de 14%, em 2016, e chegou a 2%, em 2020, na época da pandemia do novo coronavírus.

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Nesse período, Trajano conta que manteve o pé no chão e já entendia que, seja em momentos de euforia ou adversidade, precisava entregar consistência nos resultados, pois o ciclo dos juros muda.

“Não perdi a minha humildade lá [Selic baixa], nem perdi minha serenidade e convicção agora”, disse Trajano, defendendo a posição de um executivo que foca nos fundamentos da empresa em detrimento das oscilações do papel no curto prazo.

O impacto do macro

Falar de varejo sem falar de macroeconomia é uma missão quase impossível. O próprio Frederico Trajano reconhece que os indicadores macro afetam o negócio, em razão do baque nas despesas financeiras, limitação de investimentos e comportamento do consumidor.

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Além disso, o coração do Magazine Luiza é feito de bens duráveis, que também sofrem em momentos de endividamento das famílias e juros elevados.

Trajano chama atenção para o movimento dos ciclos estratégicos que conduziu, que levou à diversificação dos produtos sob o guarda-chuva do Magazine Luiza, além de marcas distintas, com seus respectivos posicionamentos.

Apesar disso, o CEO pondera que são cinco anos de diversificação (desde a implementação desse ciclo), contra 70 anos de um Magazine Luiza reconhecida por bens duráveis. Ele afirma que a companhia busca cada vez mais reduzir o impacto da Selic no negócio, mas afirmou que, no entanto, isso demanda tempo.

O problema das bets

Questionado pelo Market Makers sobre sua visão acerca das bets, Trajano afirmou que, junto com os juros elevados, estão entre os principais fatores que ajudam a explicar por que o PIB (Produto Interno Bruto) cresce sem que o consumo das famílias acompanhe no mesmo ritmo.

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Passando também a visão do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo), onde ocupa a posição de vice-presidente, Trajano classificou a relação do brasileiro com as bets como mais do que um problema econômico, um problema de saúde pública.

“Eu acho que deveria ser extinto ou muito bem regulamentado”, afirmou.

O digital e as lojas físicas no Magalu

Apesar do reconhecimento que recebe como peça importante na digitalização da empresa, o executivo é enfático ao afirmar que nunca deixou de olhar para o varejo físico, mesmo com a forte expansão do digital.

“Quando assumi a companhia, eu tinha uma convicção brutal da oportunidade que tinha pela frente”, afirma.

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Para Trajano, o futuro da loja física é oferecer mais do que um ponto de venda, uma experiência ressignificada para o consumidor.

A exemplo disso, o executivo chamou atenção para o próprio ambiente em que a entrevista era gravada. O Teatro YouTube fica na Galeria Magalu, no Conjunto Nacional, em São Paulo, em um espaço com mais de 4 mil metros quadrados inaugurado em dezembro de 2025.

Ali estão reunidas as marcas Magazine Luiza, Netshoes, Época Cosméticos, Estante Virtual e KaBuM!, negócios de diferentes segmentos que compõem o ecossistema da varejista. Além disso, há o Teatro YouTube e uma exposição da Pinacoteca de São Paulo.

Na visão do CEO, o futuro do varejo não está no online ou no físico, mas justamente na continuidade da integração entre os modelos.

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Como exemplo, ele cita a Estante Virtual, um sebo que oferece livros novos e usados, presente na galeria, que promove encontros entre autores e leitores para além dos autógrafos, mas com utilização do teatro em que a entrevista ao Market Makers foi concedida.

Desde que assumiu a liderança do Magazine Luiza, em 2016, o executivo conduziu dois ciclos de transformação, de digitalização e expansão do e-commerce, que, aliados com o conceito de experiência que vê para as lojas físicas, formam as bases em que a varejista caminha hoje.

*Com informações Money Times.

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