Ganha-ganha: Mercado Livre (MELI34) venderá produtos do Assaí (ASAI3) — veja por que parceria pode ser boa para ambos
Ações do Assaí (ASAI3) disparam hoje com mais um avanço do atacarejo no mundo digital, apesar de resultado fraco

O Mercado Livre (MELI34) começará a vender produtos do Assaí (ASAI3) em sua plataforma de comércio eletrônico a partir do final de março, disseram as empresas nesta quarta-feira (11). A gigante argentina irá armazenar e entregar as mercadorias do atacarejo brasileiro, no modelo de fulfillment.
Essa é a iniciativa mais recente do Mercado Livre, a maior empresa da América Latina em valor de mercado, para adicionar outros varejistas à sua plataforma no Brasil. É também um novo impulso na categoria de supermercados.
Para o Assaí, é mais um avanço no mundo digital. A parceria pode ajudar a impulsionar o crescimento das vendas com investimentos menores do que os exigidos por novas lojas físicas, já que a empresa reduziu a abertura de lojas nos últimos anos para diminuir sua dívida líquida.
Com o anúncio, e apesar da queda expressiva no lucro, as ações ASAI3 estão em disparada nesta manhã. Os papéis subiam 8,23% às 11h10. Os BDRs MELI34, recibos de ações estrangeiras negociados na bolsa brasileira, estavam em alta de 2,26% no mesmo horário.
Vendas digitais de alimentos ainda patinam
A parceria incluirá alimentos não perecíveis e categorias como higiene e perfumaria, priorizando itens com boa recorrência de compra e maior tíquete dentro de mercearia seca, limpeza, bebidas e itens selecionados não alimentares.
São inicialmente 400 tipos de produtos, entregues a partir de três centros de distribuição do Mercado Livre no estado de São Paulo, no sudeste do país, afirmou Fernando Yunes, head de commerce do Mercado Livre na América Latina. As entregas chegarão a todo o território nacional até o final do ano, acrescentou.
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Ainda que a categoria de alimentos e bebidas seja essencial para o varejo, com compras recorrentes, as vendas digitais ainda estão patinando e representaram apenas 3% do total em 2025, segundo estimativas do Mercado Livre.
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Assaí mais digital
O Assaí, que opera mais de 300 lojas no Brasil em um formato híbrido de atacado e varejo, não tem uma operação digital própria, e também vende em plataformas de delivery como iFood e Rappi.
“Realizamos muitos cálculos e projeções e estamos confiantes de que conseguiremos manter nosso nível atual de competitividade, mesmo com a taxa que teremos que pagar ao Mercado Livre”, afirmou Belmiro Gomes, presidente-executivo do Assaí.
Os detalhes financeiros da parceria, incluindo sobre compartilhamento de dados, não foram divulgados.
Além da entrada do Assaí no marketplace do Mercado Livre, a parceria também amplia as soluções de compras: as 312 lojas do Assaí poderão utilizar a plataforma Mercado Livre Negócios para a aquisição de suprimentos e insumos operacionais.
Mercado Livre conquista mais categorias
O Mercado Livre está em expansão para mais categorias. No ano passado, anunciou uma parceria para vender produtos da Casas Bahia, em um esforço para impulsionar a expansão das vendas de eletrônicos e eletrodomésticos de tíquete mais elevado.
Também ano passado, a gigante anunciou a compra de uma pequena farmácia pertencente à Memed, para venda de medicamentos via marketplace. Esse comércio ainda é vetado pela legislação brasileira, mas o Meli está em diálogo com autoridades para discutir uma possível revisão dessa restrição.
Lucro do Assaí encolheu
Afetado pela deflação de alimentos, o Assaí (ASAI3) registrou lucro líquido de R$ 78 milhões no quarto trimestre de 2025, queda de 83,5% em relação a igual período do ano anterior, em um cenário marcado por deflação alimentar e consumo mais restrito das famílias.
Desconsiderando efeitos extraordinários, como a provisão de impairment da FIC, o lucro líquido ajustado somou R$ 347 milhões no trimestre, recuo de 26,8% na comparação anual.
O presidente da empresa, Belmiro Gomes, afirmou que o período foi impactado por um “movimento incomum de deflação simultânea” em diversas commodities relevantes da cesta de consumo, o que pressionou o crescimento nominal das vendas.
“Normalmente, o que ocorre é uma queda em uma commodity, e outra acaba segurando. Mas nesse trimestre tivemos várias com bastante queda e ao mesmo tempo”, disse, em entrevista ao Broadcast.
Segundo o BTG Pactual, foram resultados fracos, em meio a um ambiente mais competitivo no setor.
"Mas a empresa conseguiu melhorar gradualmente as margens brutas e poderia aproveitar o impacto potencialmente positivo da isenção do imposto de renda para pessoas físicas que ganham até R$ 5 mil para impulsionar as vendas no varejo, ajudando a geração de caixa em 2026 e ainda justificando nossa recomendação de compra", afirmou o banco em relatório.
Com Money Times
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