Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20%: por que a ação sobe mesmo com prejuízo de R$ 475 milhões?
Ações entraram em leilão por oscilação máxima permitida; alívio no fluxo de caixa e reestruturação de dívidas animaram investidores, mas analistas mantêm cautela com o papel

As ações da Oncoclínicas (ONCO3) vivem um dia de forte valorização nesta segunda-feira (17). Os papéis da companhia do setor de saúde chegaram a disparar quase 20% na abertura dos negócios, entrando em leilão por oscilação máxima permitida na B3.
O movimento chama a atenção por ocorrer na esteira da divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, apresentados na última sexta-feira (14), que trouxeram uma forte deterioração nas linhas finais do balanço: a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 475,7 milhões no período — uma ampliação de 234% em relação às perdas de R$ 142 milhões apuradas no mesmo trimestre do ano anterior.
Mesmo desconsiderando itens não recorrentes, o prejuízo ficou em R$ 275 milhões, ante R$ 62 milhões um ano antes. No entanto, o paradoxo da reação positiva das ações se explica por métricas de liquidez e capital de giro, que trouxeram um alento ao mercado.
Por volta de 12h, as ações da Oncoclínicas subiam 15,58%, cotadas a R$ 0,89. No ano, no entanto, ONCO3 acumula perda de 67%.
Por que Oncoclínicas anima os investidores hoje
Apesar do aumento das perdas e da queda de 28,5% na receita líquida, que somou R$ 1,05 bilhão, o grande destaque positivo do trimestre foi a geração de caixa operacional.
A Oncoclínicas reportou um fluxo de caixa operacional positivo de R$ 158 milhões, revertendo o resultado negativo de R$ 153 milhões visto no primeiro trimestre deste ano.
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Segundo a administração e analistas, a melhoria decorreu principalmente da renegociação de prazos de pagamento com o principal fornecedor da companhia e da normalização na entrada dos recebíveis.
A notícia trouxe um alívio momentâneo para a crise de liquidez da empresa, que recentemente teve seu pedido de recuperação extrajudicial homologado pela Justiça. A medida visa reperfilar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras quirografárias e créditos intercompany.
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A cautela do BTG
Na avaliação do BTG Pactual, a Oncoclínicas apresentou mais um conjunto de resultados bastante fraco, com deterioração adicional das operações.
O banco destacou que a queda de 29% da receita foi influenciada pela escassez de medicamentos iniciada em março, fator que continuou pressionando os volumes de tratamento ao longo do trimestre.
Segundo os analistas, os resultados permaneceram fortemente impactados por ajustes contábeis, incluindo as baixas, provisões e impairments reconhecidos no período.
O BTG ressaltou ainda que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) contábil ficou negativo em R$ 246 milhões, ante resultado positivo de R$ 116 milhões no segundo trimestre de 2025, enquanto o prejuízo líquido aumentou para R$ 476 milhões.
Apesar da deterioração operacional, o BTG apontou alguns sinais positivos, especialmente na geração de caixa. De acordo com o banco, o desempenho foi favorecido pela renegociação de prazos com o principal fornecedor da companhia e pela normalização dos recebíveis.
Ainda assim, o BTG destacou que o endividamento permanece elevado. A dívida líquida, incluindo passivos de aquisições, atingiu R$ 3,4 bilhões ao fim de junho, ante R$ 3,27 bilhões no trimestre anterior.
Para o BTG, a tese de investimento continua cercada de incertezas, diante da elevada alavancagem financeira, da geração de caixa ainda considerada frágil e dos riscos de execução envolvidos na estabilização das operações.
O banco manteve recomendação neutra para ONCO3, com preço-alvo de R$ 3 e diz que o pedido de recuperação extrajudicial reforça a gravidade da situação financeira da empresa.
Embora o processo possa aliviar a liquidez no curto prazo, os analistas avaliam que ainda há visibilidade limitada sobre a velocidade da recuperação operacional e o desfecho das negociações com credores.
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Alerta ao investidor
Apesar da forte reação comprador nesta segunda-feira (17), vale lembrar que a Oncoclínicas negocia atualmente no patamar de penny stock (ações cotadas na casa dos centavos ou valores nominais muito baixos).
Ativos com esse perfil costumam apresentar movimentos percentuais amplos diante de qualquer novidade marginalmente positiva, sem que isso signifique uma mudança definitiva nos fundamentos subjacentes da empresa.
Por isso, a volatilidade deve continuar alta enquanto a Oncoclínicas avança no processo de reestruturação de dívidas e busca a estabilização das operações.
*Com informações do Money Times
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