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A recuperação judicial da Casas Bahia busca proteger R$ 17,3 bilhões em dívidas enquanto enfrenta inadimplência e cenário econômico difícil no varejo

O investidor de Casas Bahia (BHIA3) não tem um momento de sossego. Pouco mais de 24 horas depois de anunciar um prejuízo recorde, a varejista pediu recuperação judicial. E, durante a teleconferência com investidores, o CEO afastou as esperanças de uma retomada breve e tranquila.
"Consideramos que 2027 será pior do que 2026", disse Renato Franklin, ao comentar as perspectivas macroeconômicas e seus impactos sobre a companhia.
A inadimplência das famílias está cada vez maior, enquanto as bets consomem uma parcela da renda disponível dos brasileiros.
A empresa afirma que tem sido restritiva na hora de oferecer crédito aos clientes. Mas, como depende do crediário para fechar vendas e ter uma rentabilidade maior, a busca por uma carteira de qualidade também afeta a sua receita.
Se o aumento no uso do consignado privado deu um alívio momentâneo para a empresa, criou um passivo que precisará ser resolvido no ano que vem.
A empresa continua com uma operação ainda resiliente, mesmo com o cenário desafiador no varejo e com restrições de crédito.
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Mesmo assim, "a evolução operacional não é o suficiente para bancar todos os passivos", disse o CEO.
Quando a empresa finalizou a conversão de sua dívida em ações — e acabou com uma subsidiária da Mapa Capital como o seu principal acionista — reuniu os investidores para falar do futuro com otimismo.
Franklin lembra que, na ocasião, o mercado via um fluxo recorde de capital estrangeiro entrando na nossa bolsa de valores. Algumas empresas chegaram a cogitar IPOs e follow ons — a Casas Bahia era uma dessas, que planejava uma oferta de emissão de ações.
A partir de abril, o cenário mudou, com piora de indicadores macroeconômicos, saída de capital estrangeiro e até escândalos políticos, que afetaram a disputa eleitoral e até a curva de juros.
"Em abril, a janela para emissões de fechou completamente", disse o executivo. Agora, não há prazo para essa operação no mercado de capitais.
Com isso, a varejista não viu alternativa a não ser pedir recuperação judicial e reduzir de tamanho.
Ela anunciou pedido de recuperação judicial envolvendo R$ 17,3 bilhões em obrigações com bancos, fundos de investimento, seguradoras e fornecedores, além de aluguéis e dívidas trabalhistas.
Cerca de 300 lojas serão fechadas. Embora o fechamento de dezenas de lojas já estivesse nos planos da empresa, não havia nem caixa para isso. Agora, resolveu fazer esse movimento de uma vez, e não há previsão de novos fechamentos. Com isso, a rentabilidade média das vendas físicas deve melhorar.
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