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Nem o lucro bilionário do segundo trimestre foi suficiente para aliviar a pressão financeira da Braskem, que entrou em inadimplência e agora precisa da reestruturação das dívidas

A crise da Braskem (BRKM5) se aprofundou ao nível que o mercado já esperava. A petroquímica não pagou juros de suas dívidas dentro do prazo previsto e passou a ser considerada oficialmente inadimplente pela agência de classificação de risco Fitch Ratings.
Como consequência, a nota de crédito da empresa caiu de "C" para "RD", sigla para Restricted Default (inadimplência restrita) — e pode diminuir ainda mais.
Em relatório, a Fitch destaca que, segundo a metodologia utilizada, o calote de obrigações financeiras relevantes sem um processo de recuperação judicial em curso ou interrupção das atividades configura "inadimplência restrita" — algo como um calote pontual.
A Braskem avalia uma possível reestruturação da dívida e o não pagamento foi uma decisão deliberada da empresa, segundo a agência.
A empresa está sob tutela cautelar desde 25 de junho para se proteger de execuções dos credores. A medida vai até 24 de agosto, mas não interrompe as obrigações da Braskem de pagar os juros de seus títulos.
A petroquímica optou por preservar a liquidez do caixa, segundo a Fitch, enquanto negocia uma solução mais ampla para a dívida com os credores. O passivo total soma US$ 10,3 bilhões, cerca de R$ 53,6 bilhões na cotação atual do dólar.
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Segundo a Fitch, a Braskem ultrapassou o período de carência estabelecido nos contratos de suas dívidas sem pagar os credores e, por esse motivo, os ratings da empresa foram rebaixados para "RD".
Quando uma empresa deixa de fazer um pagamento previsto no título de dívida, normalmente existe um prazo adicional para corrigir o problema.
Se o pagamento continua sem ser realizado após esse período, o mercado passa a considerar que houve um calote e a empresa fica inadimplente.
Foi exatamente isso que aconteceu com a Braskem, segundo a agência.
A classificação "RD" é um dos níveis mais graves dentro da escala de crédito da Fitch. Ela indica que a empresa deixou de pagar obrigações importantes, mas que ainda não está em situação de default total.
Para entender a diferença:
A própria Fitch afirma que um eventual pedido de recuperação judicial levaria os ratings da Braskem para "D".
A inadimplência ocorre em um momento em que a empresa enfrenta uma enorme pressão financeira e tenta um processo judicial formal para renegociar as dívidas.
Em junho de 2026, a Braskem possuía US$ 1 bilhão em caixa, excluindo a operação no exterior da Braskem Idesa. A dívida total, entretanto, somava US$ 10,3 bilhões, sendo que US$ 1,8 bilhão venciam no curto prazo.
Na visão da Fitch, a companhia dificilmente conseguirá atravessar esse período apenas com os recursos que possui atualmente.
A agência afirma que, sem fontes adicionais de financiamento, a Braskem provavelmente precisará recorrer a venda de ativos, aporte de capital dos acionistas ou a renegociação da dívida com credores.
A agência sinaliza no relatório que só reavaliará os ratings da companhia depois que tiver mais informações sobre a possível reestruturação. Ou seja, a próxima nota dependerá diretamente de como ficarão as condições negociadas com os credores.
A companhia divulgou um lucro líquido de R$ 3,33 bilhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o prejuízo registrado um ano antes.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente alcançou R$ 5,25 bilhões, impulsionado principalmente pela elevação dos spreads petroquímicos após os impactos da guerra no Oriente Médio sobre a oferta global de matérias-primas derivadas de petróleo.
A receita líquida cresceu 22% na comparação anual e a geração operacional de caixa voltou ao terreno positivo.
Mas os números operacionais melhores não resolveram o problema central da companhia: o tamanho da dívida acumulada.
Ao fim de junho, a dívida líquida ajustada da Braskem estava em US$ 9,4 bilhões e a alavancagem (indicador que mede em quantos anos a empresa conseguiria pagar a dívida considerando o último lucro operacional) era de 6,74 vezes — um nível muito alto para os padrões do mercado.
Isso significa que a empresa voltou a gerar lucro, mas continua carregando um passivo tão grande que nem a melhora recente dos negócios foi suficiente para evitar o calote.
A tutela cautelar vence em 24 de agosto e a Braskem corre contra o tempo para fechar uma possível recuperação judicial ou extrajudicial com os seus credores.
Na teleconferência de resultados da última sexta-feira (14), o diretor financeiro da empresa, Carlos Augusto Brandão, afirmou que as negociações estão avançadas e se encaminham para um acordo consensual.
O mercado, entretanto, segue desconfiado. As ações caíram 7, 8% no dia. Nesta segunda (17), os papéis continuam caindo, mas bem menos: -1,42% por volta da 11h28 (horário de Brasília). No ano, a queda acumulada é de 38,4%.
No mercado de títulos, a dívida local da Braskem (debêntures e CRAs), negociam com desconto de mais de 50%, já refletindo o nível de risco dos papéis. Entretanto, esses títulos representam um volume pequeno do passivo: US$ 658 milhões, cerca de 7% do total da dívida.
O maior volume (74%) está em bonds, títulos de dívida em dólar, mantidos por investidores institucionais.
O momento agora é de acompanhar a adesão dos credores ao possível plano de reestruturação da dívida ou a resposta dos acionistas para entender se haverá reforço de caixa.
Lembrando que a Petrobras (PETR4) é uma das principais acionistas da Braskem, com 36% da petroquímica. Alguns dos investidores institucionais têm cobrado a petroleira brasileira dessa injeção de recursos. A CEO estatal, Magda Chambriard, afirmou que a petroleira tem “pouca ação na Braskem” e que ainda estão avaliando o que pode ser o futuro da empresa.
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