Justiça aprova pedido de recuperação judicial do Grupo Toky (TOKY3), dono da Mobly e Tok&Stok, com dívidas de R$ 1 bilhão
A companhia afirmou que o pedido de recuperação judicial é consequência do cenário macroeconômico, em meio ao elevado nível das taxas de juros

A Justiça de São Paulo deu sinal verde para a recuperação judicial do Grupo Toky (TOKY3). A empresa informou nesta manhã (15) que a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo aprovou o processamento do pedido da varejista e das subsidiárias.
O Grupo Toky, dono da Mobly e da Tok&Stok, ajuizou o pedido em 12 de maio, indicando dívidas de R$ 1 bilhão. Na época, a companhia afirmou que o pedido de recuperação judicial é consequência do cenário macroeconômico, em meio ao elevado nível das taxas de juros, maior endividamento das famílias brasileiras e condições de crédito mais restritivas.
Com 63 lojas físicas e 2.278 funcionários, essa não é a primeira crise da varejista do setor de casa e decoração, que já enfrentou pedido de falência, recuperação extrajudicial, renegociações de dívidas e diversas brigas entre os sócios.
O início da crise para a Tok&Stok
Durante a pandemia de 2021, a Tok&Stok sentiu os cintos apertarem. Com interrupções no fornecimento de móveis, a crise levou instabilidade econômica para a companhia, que encerrou 17 lojas e, em 2023, precisou reestruturar R$ 339 milhões em dívidas bancárias.
No mesmo ano, uma consultoria de tecnologia, a Domus Aurea, pediu a falência da Tok&Stok na Justiça. Responsável pela reestruturação tecnológica, a empresa exigia o pagamento de R$ 3,8 milhões. Hoje, a Domus é dona de 5,48% da companhia, com a conversão de dívida em uma fatia na Tok&Stok.
A empresa renegociou esses débitos e, como condição para a sua recuperação, precisou de um aporte de novos recursos da família fundadora, de R$ 100 milhões.
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Mesmo com as renegociações, o cenário não melhorou para a Tok&Stok. Em agosto de 2024, ela pediu recuperação extrajudicial para reestruturação de seu passivo exclusivamente financeiro, que se concretizou via emissão de debêntures.
Foi então que a Mobly, que tinha acabado de fazer um aumento de capital, entrou para comprar a varejista em dificuldades. As duas empresas se uniram, passaram a se chamar Grupo Toky e mudaram de ticker na bolsa, para TOKY3.
Essa fusão não veio sem problemas. A família Dubrule, fundadora da Tok&Stok, tentou retomar o controle da companhia por meio de uma oferta pública de aquisição (OPA) com preço abaixo do preço de mercado da ação MBLY3, à época.
A briga entre os sócios, inclusive, já rendeu prejuízos de R$ 41,6 milhões na receita líquida, só no último trimestre do ano passado.
Mas as dívidas continuaram a pesar no balanço da empresa. Ela conseguiu prorrogar a data de pagamento de debêntures, em janeiro de 2026, para junho deste ano.
Há outros obstáculos no horizonte: cerca de R$ 77 milhões em recebíveis de cartão de crédito foram bloqueados pela SRM Bank.
O bloqueio desses recebíveis representa um "risco concreto de causar, em curtíssimo prazo, o estrangulamento financeiro e a paralisação das atividades empresariais", afirmou o conglomerado.
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