Com todo o gás: J&F, dos irmãos Batista, recebe autorização para compra da Logás, de logística e distribuição do combustível
A operação envolve a aquisição pela holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista de 90% das ações do capital social da Logás, que leva combustível a locais sem acesso a gasodutos

A J&F, holding dos irmãos Batista, deu mais um passo no setor de energia. Hoje (3), a superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou a compra pela holding da Logás, empresa que atua na logística e distribuição multimodal de gás, que leva o combustível para locais sem acesso a gasodutos.
A operação envolve a aquisição pela holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista de 90% das ações do capital social da Logás, que está sendo vendida pela Macaw Energies Brasil e pelo sócio Márcio Pires Pinheiro, por um valor não revelado. A compra foi informada ao Cade no dia 31 de dezembro de 2025.
Além da JBS, o grupo J&F controla a Eldorado (celulose), PicPay (financeiro), e a Âmbar (energia). Por sua vez, a Macaw é uma empresa do Grupo Golar, de origem norueguesa e norte-americana, que opera em âmbito mundial no transporte de GNL.
A informação partiu de um despacho publicado nesta terça-feira (3) no Diário Oficial da União. A compra foi inicialmente divulgada no DOU no dia 27 de fevereiro.
Quem é a Logás
A Logás é sediada em Betim (MG) e atua na distribuição, abastecimento e logística de gás natural comprimido, liquefeito e renovável. A empresa opera em regiões não atendidas por gasodutos, fazendo o transporte rodoviário do insumo por meio de carretas especiais.
A Logás já tem operações nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Sergipe e Mato Grosso do Sul, e está em fase de expansão operacional para o Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Mato Grosso, segundo informações prestadas ao Cade.
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Essa modalidade de distribuição de gás, chamada off grid, tem crescido como aposta entre as grandes empresas do setor, como Cosan e Eneva, que vêm buscando estimular o crescimento da demanda por gás em localidades não atendidas por gasodutos.
"Para a J&F, a operação representa uma boa oportunidade para a expansão das atividades no mercado de gás natural por meio da distribuição de GNC, GNL e GNR, visando atender clientes em suas jornadas de transição para fontes energéticas menos poluentes. Para os vendedores, a operação está alinhada aos seus planos de desinvestimento", disse a companhia em documento ao Cade.
J&F amplia negócios no setor de energia
A J&F, que cresceu rapidamente no setor de geração de energia elétrica nos últimos anos, principalmente com compras de termelétricas a gás, vem ampliando seus negócios também no setor de gás natural, no qual tem presença mais tímida.
A holding dos Batista incorporou recentemente a MGas, comercializadora do insumo com atuação nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Ao Cade, a J&F disse que a aquisição da Logás representa “uma boa oportunidade para a expansão das atividades no mercado de gás natural por meio da distribuição de gás natural comprimido, liquefeito e renovável, visando atender clientes em suas jornadas de transição para fontes energéticas menos poluentes”.
Nos últimos anos, a J&F comprou diversas companhias de energia, como usinas termelétricas, eólicas, além de usinas da Cemig em MG, termelétricas a gás natural da antiga estatal Copel, do PR, e parcerias com a Furnas, da Eletrobras, em leilões.
Atualmente, a Âmbar Energia, o braço no setor da holding, conta com 50 ativos, que englobam uma ampla gama de negócios, incluindo geração hidrelétrica, solar, biomassa, biogás, além das térmicas a gás natural e carvão mineral.
Em outubro do ano passado, a holding comprou a participação da antiga Eletrobras, hoje Axia, na Eletronuclear por R$ 535 milhões. No entanto, a venda ainda não foi concluída, segundo apuração do Investnews, por falta de resposta da ENBPar, que representa a União na companhia.
Com Money Times
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