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A JBS ainda considera que o cenário de oferta de gado nos EUA seguirá difícil em 2026, com o boi se mantendo caro para os frigoríficos devido à baixa no ciclo pecuário
A JBS (JBSS32) sentiu os efeitos dos custos maiores decorrentes da redução do rebanho nos Estados Unidos no ano passado, com compressão das suas margens. Agora, sentirá o aumento dos custos do milho, uma das principais matérias-primas para a ração de gado.
Apesar disso, ela continua crescendo. Segundo o CEO global da companhia, Gilberto Tomazoni, o crescimento foi consistente mesmo em um ambiente mais desafiador. "A gente cresceu em todos os negócios. Isso mostra a vitalidade da companhia", afirmou.
A JBS ainda considera que o cenário de oferta de gado nos EUA seguirá difícil em 2026, com o boi se mantendo caro para os frigoríficos devido à baixa no ciclo pecuário, mas há atenuantes como a forte demanda por proteínas, disse o CEO à Reuters na véspera.
Ainda que a JBS opere com outras carnes, como de frango e suína em outras regiões e também nos EUA, a situação da oferta de gado é particularmente desafiadora já que a unidade de carne bovina norte-americana representou pouco mais de 30% do total da receita da empresa em 2025.
“Achamos que este ano não tem mudança significativa (na oferta de gado dos EUA), vai continuar sendo um ano difícil para nós”, afirmou o executivo.
A demanda firme, juntamente com a diversificação geográfica e de produtos da JBS, deverá colaborar para minimizar impactos desta conjuntura.
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A JBS registrou lucro líquido de US$ 415 milhões no quarto trimestre de 2025, avanço de 1% ante igual período de 2024. A receita líquida atingiu US$ 23,06 bilhões, alta de 15% na comparação anual.
O Ebitda ajustado recuou 7,1% no período, para US$ 1,72 bilhão, com a margem caindo de 9,2% para 7,4%. Já o lucro por ação ficou estável em US$ 0,39.
Na mesma base, o lucro operacional ajustado caiu 15,4%, para US$ 1,09 bilhão.
A principal pressão sobre o resultado veio do aumento dos custos do gado na América do Norte, em um cenário de oferta restrita, comprimindo margens e limitando o avanço do Ebitda consolidado.
No acumulado do ano, a JBS registrou lucro líquido de US$ 2,02 bilhões, alta de 15% em relação aos US$ 1,77 bilhão de 2024. A receita líquida atingiu US$ 86,18 bilhões em 2025, crescimento de 12% na comparação anual. Já o Ebitda ajustado somou US$ 6,83 bilhões, queda de 5%, com margem de 7,9%, recuo de 1,4 ponto porcentual.
O lucro por ação avançou 15%, para US$ 1,89, enquanto o retorno sobre patrimônio (ROE) atingiu 25,3% no período. A geração de caixa livre foi de US$ 400 milhões no ano, abaixo dos US$ 2,33 bilhões registrados em 2024, refletindo maior consumo de capital de giro e investimentos.
Apesar disso, a companhia manteve forte geração de caixa. O fluxo de caixa livre somou US$ 990 milhões no trimestre, enquanto a alavancagem encerrou em 2,39 vezes dívida líquida/Ebitda, acima de 1,89 vez um ano antes, mas em linha com a meta de longo prazo.
O CFO da companhia, Guilherme Cavalcanti, destacou que cerca de um terço da dívida vence após 2050 e que a empresa tem "praticamente cinco anos sem amortizações relevantes", o que amplia a flexibilidade para enfrentar cenários de maior volatilidade.
A JBS (JBSS32) segue como a principal aposta do BTG Pactual dentro do setor de alimentos, mesmo após resultados mistos no quarto trimestre de 2025 (4T25).
Segundo o banco, a companhia entregou um Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) acima do esperado, com recuperação de margens, especialmente impulsionada pela operação de carne bovina nos Estados Unidos (US Beef), que voltou ao positivo — um desempenho considerado atípico dada a sazonalidade do negócio.
Apesar da melhora operacional, o lucro líquido ficou levemente abaixo das projeções.
Entre os destaques positivos, o BTG aponta a US Beef, com retomada de margens, e a Seara, com expansão acima do esperado, beneficiada pela volta das exportações de frango para China e União Europeia.
Por outro lado, Austrália e a US Pork decepcionaram, com pressão sobre margens, enquanto a operação no Brasil mostrou receita recorde, mas rentabilidade menor na comparação trimestral.
Além dos números, a JBS anunciou dividendos de US$ 1 por ação, equivalente a um dividend yield de cerca de 6,3%, reforçando a estratégia de retorno ao acionista.
Na visão do BTG, embora os ventos favoráveis para os lucros devam perder força — com normalização das margens de aves e um ciclo de gado ainda desafiador nos EUA até 2028 —, a companhia segue se destacando pela diversificação geográfica e de proteínas, que reduz a volatilidade dos resultados.
Assim, mesmo sem ser a principal tese de ganhos altos no curto prazo, o banco avalia que a JBS oferece a proposta de valor mais atrativa do setor, seja frente a pares brasileiros quanto a norte-americanos, combinando geração consistente de caixa com pagamento de dividendos.
A JBS (JBSS32) vê cenários distintos para os preços do milho e do farelo de soja em 2026, com as cotações do cereal aumentando por fatores como a redução de estoques e influência do preço do petróleo, disse o CEO global da empresa, Gilberto Tomazoni, durante teleconferência com analistas.
No caso do farelo de soja, outra importante matéria-prima para a ração animal, o cenário é “baixista”, diante da grande oferta e de margens apertadas para a produção de carne suína na China, disse Tomazoni.
*Com informações da Reuters e Money Times
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