Inter (INTR) ficou barato? Itaú BBA corta preço-alvo e diz o que ainda trava uma alta das ações
Analistas reduzem projeções de lucro e veem pressão nas provisões com a maturação de novas carteiras; saiba o que esperar agora

O crédito que ajudou o Banco Inter (INTR) a avançar em rentabilidade passou a exigir uma dose maior de cautela. Na avaliação do Itaú BBA, a estratégia de ampliar a exposição a linhas mais rentáveis ainda sustenta a tese de longo prazo, mas pode cobrar seu preço nos resultados dos próximos trimestres.
Diante desse cenário, o banco reduziu de US$ 10 para US$ 8 o preço-alvo das ações do Inter negociadas em Nova York e reiterou a recomendação neutra.
A preocupação está no aumento da participação de produtos de maior retorno — e também de maior risco — na carteira de crédito. Para os analistas, a maturação dessas operações tende a elevar as provisões para perdas e limitar o ritmo de crescimento dos lucros no curto prazo.
“Embora a história de longo prazo permaneça intacta e o valuation seja atrativo, essa desaceleração de curto prazo nos resultados deve impedir uma reprecificação das ações”, projetam os analistas.
Inter: o crédito que ajudou a margem agora entra no radar
A mudança na composição da carteira é o principal fator por trás da cautela do Itaú BBA com o Inter.
Nos últimos trimestres, o banco aumentou sua exposição a modalidades de crédito com retorno mais elevado, como o rotativo do cartão e o consignado privado.
Leia Também
São produtos capazes de ampliar a receita financeira por operação e, consequentemente, melhorar a margem financeira líquida (NIM).
A estratégia contribuiu para a evolução da rentabilidade do Inter. Mas o ganho de margem não vem sozinho.
Crédito de maior rendimento costuma carregar também risco mais elevado. À medida que as safras mais recentes de empréstimos avançam em seu ciclo de maturação, cresce a necessidade de reconhecer eventuais perdas e reforçar as provisões.
O Itaú BBA avalia que essa pressão não está necessariamente associada a uma deterioração generalizada do ambiente macroeconômico brasileiro.
A preocupação dos analistas é que o custo de risco deve avançar como consequência natural do processo de maturação dessas carteiras, levando a um período de ajuste nos resultados.
“Acreditamos que, enquanto as margens atuais já refletem o mix de ativos de maior rendimento, o custo do risco pode aumentar em um ritmo mais rápido”, escreveram os analistas.
Itaú BBA corta projeções para o Inter
A expectativa de aumento das provisões levou o Itaú BBA a revisar para baixo suas estimativas para os próximos anos, agora mais conservadoras do que a média do mercado.
A projeção de lucro líquido para 2026 foi reduzida em 6%, para R$ 1,7 bilhão. Para 2027, o corte foi de 10%, para R$ 2,1 bilhões. Confira:
| Projeções do Itaú BBA para o Inter | Estimativa |
| Lucro líquido em 2026 | R$ 1,7 bilhão |
| Lucro líquido em 2027 | R$ 2,1 bilhões |
| ROE projetado para 2027 | 17% |
| ROE projetado para 2030 | 23% |
Para amortecer parte dessa pressão, os analistas esperam que o Inter mantenha o foco em eficiência e controle de despesas administrativas.
Na leitura do Itaú BBA, a disciplina de custos pode ajudar a preservar a rentabilidade, mas não deve neutralizar integralmente a alta projetada para o custo de risco.
Por isso, a atenção do mercado tende a se concentrar menos no ganho de margem e mais na evolução dos indicadores de inadimplência, provisões e revisões de lucro.
Segundo os analistas, o Inter já incorporou, em suas margens, boa parte do benefício trazido pelo crédito de maior retorno.
Daqui em diante, a capacidade de administrar a qualidade dessas novas safras será determinante para a velocidade de crescimento dos resultados.
Itaú BBA espera por uma janela de entrada no Inter
A recomendação neutra não significa que o Itaú BBA tenha abandonado a tese estrutural do Inter.
O banco reconhece a força da base de clientes, os avanços em rentabilidade e o potencial de crescimento do ecossistema financeiro da companhia. Também vê espaço para que o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) continue avançando ao longo dos próximos anos.
A diferença está no ritmo dessa evolução. O próprio Inter já postergou a meta de alcançar um ROE de 30%, antes prevista para 2027, para 2029.
O Itaú BBA trabalha com uma trajetória mais gradual: estima rentabilidade de 17% em 2027 e de 23% apenas em 2030.
Além disso, as ações negociam a cerca de uma vez o valor patrimonial e sete vezes o lucro estimado para 2026. São múltiplos que, isoladamente, podem parecer atrativos — e que ajudam a explicar por que o banco ainda vê valor na tese no longo prazo.
Mas, para os analistas, o desconto atual não é suficiente para justificar uma recomendação mais positiva enquanto persistirem dúvidas sobre a velocidade de alta do custo de risco e o efeito dessa pressão sobre as estimativas de lucro.
"À medida que os custos de crédito se normalizarem no próximo ano, os motores estruturais de expansão de ROE via receita/custo devem voltar a aparecer”, avaliam.
O Itaú BBA, porém, prefere aguardar evidências mais claras dessa virada antes de mudar de posição.
“O Inter não é caro, negociando a 1 vez o valor patrimonial e 7 vezes os lucros para 2026. Buscaremos sinais mais claros de inflexão no custo de risco e nas revisões de resultados antes de adotar uma visão mais construtiva sobre o papel.”
PROVENTOS
Mais de R$ 600 milhões aos acionistas: confira quem tem direito a receber o JCP da Localiza (RENT4)
22 de setembro de 2026 - 19:27TERMÔMETRO DAS ELEIÇÕES
O mercado já escolheu seu cavalo eleitoral? Banco do Brasil (BBAS3) dispara 26% na bolsa, mas a conta não fecha só com as urnas
22 de setembro de 2026 - 17:03UM BOM NEGÓCIO?
Santander quer comprar seu papel SANB11 — mas o que o minoritário ganha ao trocar as ações por BDRs?
22 de setembro de 2026 - 14:16EXPANSÃO
Vale (VALE3) compra 30% da Ligga por R$ 972,36 milhões e prevê expandir capacidade em quatro vezes; qual o plano da mineradora?
22 de setembro de 2026 - 14:01ABRE E FECHA
JBS (JBSS32) fecha capital e J&F quer ser aberta no Brasil: o que muda para o investidor em ações e debêntures na B3
22 de setembro de 2026 - 11:43DE A PARA B
Entre JBS e J&F: o xadrez financeiro dos irmãos Batista na B3
21 de setembro de 2026 - 19:37PREPAREM O BOLSO
Dividendos e JCP: empresas anunciam mais de R$ 600 milhões aos acionistas; saiba quem paga e quando receber
21 de setembro de 2026 - 19:13SINERGIAS
Fusão com a Afya pode turbinar lucro da Yduqs (YDUQ3) e deixar ação mais barata, segundo Itaú BBA; veja o possível prêmio
21 de setembro de 2026 - 17:41A PENEIRA DOS BANCÕES
Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil: BofA escolhe seu favorito na B3 — e deixa uma ação de escanteio
21 de setembro de 2026 - 15:57ALÉM DAS FRONTEIRAS
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
21 de setembro de 2026 - 14:04ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS
J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
21 de setembro de 2026 - 11:04MAIS UM PASSO
Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
21 de setembro de 2026 - 10:42MARGEM EQUATORIAL
Petrobras (PETR4) e MPF entram em briga pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Qual é o impasse?
21 de setembro de 2026 - 10:29ENTREVISTA EXCLUSIVA
Bradesco (BBDC4) está prestes a receber R$ 10 bilhões para crescer, mas não vai acelerar: “Não queremos voo de galinha”, diz CFO
21 de setembro de 2026 - 6:15COMPRA OU VENDER
Vale (VALE3) no olho do furacão? CEO da mineradora abre o jogo; Citi e Itaú BBA dizem o que você deve fazer com a ação
20 de setembro de 2026 - 13:33MERCADO USA A RÉGUA ERRADA?
Citi sobe o preço-alvo de BTG Pactual (BPAC11) e vê espaço para ação se descolar dos bancões
19 de setembro de 2026 - 16:55VAI PINGAR POR AÍ?
Porto (PSSA3), Totvs (TOTS3) e Fleury (FLRY3) colocam R$ 636 milhões em JCP no radar; veja quem tem direito
19 de setembro de 2026 - 15:47QUEM ESCOLHE QUEM FISCALIZA?
Perto do dono, longe da autonomia? O dilema da independência nos conselhos das empresas da bolsa
19 de setembro de 2026 - 12:38POR DENTRO DO NEGÓCIO
Cheque bilionário do Itaú (ITUB4) para a Eztec (EZTC3) deve impactar mercado de escritórios em São Paulo
18 de setembro de 2026 - 18:34PISOU NO FREIO