Vale (VALE3) no olho do furacão? CEO da mineradora abre o jogo; Citi e Itaú BBA dizem o que você deve fazer com a ação
O CEO Gustavo Pimenta detalha o impacto do frete caro, a demanda na China e os metais básicos

Entre os ventos contrários da economia chinesa e as pressões dos custos de frete marítimo, os executivos da Vale (VALE3) se sentaram à mesa em Londres para desenhar o mapa de navegação da mineradora nos próximos anos.
Em reunião com o Citi, o CEO Gustavo Pimenta detalhou como a companhia pretende encarar os gargalos operacionais, a volatilidade das commodities e a reorganização de seus ativos para manter a rentabilidade em dia.
A disparada do frete spot (à vista) Brasil-China — que encostou na casa de US$ 40 por tonelada — acendeu o sinal de alerta para os produtores globais.
Segundo os analistas do Citi Alexander Hacking e Gabriel Barra, a mineradora avalia que cerca de 120 milhões de toneladas de minério de ferro podem se tornar economicamente inviáveis sob as condições atuais de mercado, sendo que uma parte relevante desse volume fica no Brasil.
Esse montante engloba cerca de 35 milhões de toneladas compradas de terceiros que dependem de contratos de frete favoráveis para o próximo ano, além de aproximadamente 5 milhões de toneladas de produção própria com custos mais elevados.
Diante disso, o Citi destaca que os preços do minério precisariam subir caso esse cenário persista.
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O escudo de proteção da Vale
Para proteger as margens, a Vale manteve cerca de 75% do frete contratado para 2027 e planeja sustentar um patamar estrutural entre 70% e 75% no longo prazo.
As taxas contratadas estão em torno de US$ 18 a US$ 20 por tonelada — com bunker (o combustível dos navios) a US$ 500 por tonelada.
Com o combustível spot a US$ 750 por tonelada, o custo sobe cerca de US$ 4 por tonelada, mas a empresa ressaltou que o bunker está 70% protegido por hedge para 2026 e 2027.
Para o próximo ano, a expectativa é de alívio com a entrada de novos navios graneleiros.
- Leia mais: Vale (VALE3) escapa do jogo de “vida ou morte” — mas você sabe o que fazer com as ações agora?
No radar da demanda, a China
No radar de demanda, a Vale observa a economia chinesa mais lenta e uma produção de aço marginalmente menor nos próximos 12 meses, mas compensa esse movimento com forte demanda no Sudeste Asiático — destacando vendas de 10 milhões de toneladas para o Vietnã e 15 milhões de toneladas para a Índia.
A empresa também considera estar bem-posicionada perante a queda de teor do minério de ferro e a alta da alumina, além de se beneficiar da melhora na demanda por pelotas via Samarco.
Na operação local, a leitura sobre o El Niño é neutra e há expectativa de avanço rápido na legislação de cavernas para ajudar o Sistema Norte.
Em metais básicos, o foco segue no crescimento em cobre. O projeto Alemão foi apontado como o primeiro greenfield do segmento, com conversas construtivas em andamento junto ao Ibama.
O Citi pontuou ainda que o governo brasileiro não participa das discussões sobre um eventual IPO (oferta inicial de ações) da Vale Base Metals.
Diante desse cenário, o banco manteve a recomendação de compra para os ADRs da Vale, com preço-alvo de US$ 18, implicando um potencial de alta de 24,4% e um retorno total esperado de 31,3%, considerando dividendos.
Itaú BBA sobre o futuro da Vale
O Itaú BBA também esteve reunido com o CEO Gustavo Pimenta e com o chefe de Relações com Investidores da mineradora, Thiago Lofiego.
Em relatório assinado por Daniel Sasson, Marcelo Palhares e João Paulo Helito, o banco classifica os fretes Brasil-China na faixa de US$ 40 a US$ 42 por tonelada como insustentáveis, afirmando que entre 100 milhões e 150 milhões de toneladas de oferta marítima global já operam no prejuízo, sobretudo no Brasil e na Austrália.
Na visão do BBA, a Vale está blindada no curto prazo: a companhia está 100% coberta para 2026 e tem 75% das necessidades de time charter contratadas para 2027, com o risco concentrado no segundo semestre daquele ano.
Estruturalmente, a mineradora possui contratos de longo prazo (COAs) de até 25 anos e "mini-COAs" de cinco anos.
O BBA estima que cada alta de US$ 100 no combustível adiciona US$ 1,6 por tonelada ao frete, elevando a parcela contratada para cerca de US$ 23 por tonelada — ainda assim garantindo um desconto de US$ 17 a US$ 19 frente ao mercado spot.
Sobre a curva de custos, o Itaú BBA concorda que o patamar de US$ 95 para o minério de ferro e US$ 90 para o petróleo torna 120 milhões de toneladas não econômicas, enxergando os US$ 95 como um nível claro de suporte para a commodity.
Quanto às compras de terceiros (que giram entre 30 milhões e 36 milhões de toneladas por ano), a empresa já cobriu 2026, mas adotará uma postura pragmática para proteger as margens em 2027 caso os volumes se tornem inviáveis.
O banco manteve a recomendação outperform (equivalente a compra) para a Vale, estipulando preço-alvo de US$ 18 para os ADRs em Nova York e de R$ 94 para as ações ordinárias (ON) até o fim de 2027, o que representa um potencial de valorização de 24,4% para o ativo norte-americano.
RESULTADO
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