Hypera (HYPE3) faz check-up financeiro e lidera ganhos do Ibovespa — ‘Ozempic genérico’ pode dar ainda mais vida às ações
Os papéis da companhia entraram em leilão na manhã desta quarta-feira (29) por oscilação máxima permitida, e voltaram a ser negociados com alta de quase 5% na esteira do balanço do primeiro trimestre

Os investidores pararam para analisar os exames da Hypera (HYPE3) nesta quarta-feira (29), e o diagnóstico foi animador. As ações da dona de marcas como Buscopan, Neosaldina e Mantecorp não só abriram em alta, como precisaram passar por um leilão por oscilação máxima permitida para acalmar os ânimos dos investidores.
Após a "triagem" do leilão, os papéis aceleraram para uma alta de 4,59%, assumindo a liderança de ganhos do Ibovespa. Tudo porque o balanço do primeiro trimestre mostrou que a Hypera passou por um rigoroso tratamento e agora exibe indicadores mais saudáveis.
Por volta de 13h30, as ações HYPE3 subiam 3,73%, cotadas a R$ 22,83. No ano, no entanto, a performance ainda é negativa: os papéis acumulam queda de 1,2%. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 1,53%, aos 185.736,98 pontos.
O prontuário da Hypera: uma virada nos números
Se o primeiro trimestre de 2025 foi de UTI, os três primeiros meses de 2026 mostram uma recuperação — a Hypera conseguiu reverter quadros negativos em quase todas as frentes.
A companhia saiu de um prejuízo de R$ 141,1 milhões para um lucro líquido de R$ 346,8 milhões, já a receita líquida cresceu 86,7%, chegando a R$ 2,017 bilhões.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 586,5 milhões, deixando para trás o resultado negativo do mesmo período ano passado.
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Já a alavancagem financeira baixou para 2,2 vezes (relação dívida/Ebitda), após uma redução de 17,8% no endividamento líquido.
O diagnóstico dos especialistas
Apesar da euforia, as opiniões dos bancos sobre o futuro da Hypera variam. O Citi e o BTG Pactual mantêm uma postura de observação (recomendação neutra), com preço-alvo de R$ 26,00 — um potencial de valorização de 18% com relação ao último fechamento.
No entanto, o Itaú BBA vê a empresa pronta para uma maratona, mantendo recomendação de compra (outperform) com preço-alvo de R$ 33,00 — o que representaria um fôlego adicional de quase 50% de valorização.
No caso do Citi, o banco classificou os resultados como razoáveis, mas destacou um ponto que serviu como um Engov para o mercado: a melhora nas tendências de vendas (sell-out) e o controle de descontos.
Os analistas do Citi notaram que as vendas subiram 9,4%, acima do esperado, e o fato de a Hypera estar oferecendo menos descontos — queda de 2% no ano — é considerado "naturalmente tranquilizador".
Embora a geração de caixa tenha vindo um pouco mais fraca, o Citi previu que as ações subiriam hoje justamente por essa melhora operacional e pelo controle rígido das margens.
Já o BTG Pactual notou que, embora as margens brutas tenham vindo um pouco abaixo das projeções, o lucro líquido superou as expectativas em 15%, impulsionado por créditos tributários e despesas financeiras menores.
O BBA, por sua vez, diz que a Hypera apresentou receita mais forte do que o esperado no primeiro trimestre de 2026, mas o início mais fraco das margens e uma conversão menor em fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE, na sigla em inglês) contaminaram o resultado.
Segundo o banco, o crescimento de 9% nas vendas foi uma surpresa positiva, mas, apesar de o Ebitda ter vindo em linha com as projeções, a margem Ebitda reportada ficou aquém do consenso, o que pode sinalizar pressão sobre a rentabilidade ao longo de 2026. O Itaú BBA diz que modela uma margem Ebitda de 33,5% para 2026.
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A voz do doutor: o que dizem os executivos
O diretor-presidente da Hypera, Breno Toledo Pires de Oliveira, disse na teleconferência de resultados que a empresa está conseguindo crescer acima da média do mercado, mesmo com a concorrência acirrada em genéricos.
O executivo mencionou que nos últimos 12 meses o crescimento do sell-out (venda para o consumidor final, seja em farmácias ou drogarias) da Hypera superou em 1,3 ponto porcentual (pp) o avanço do mercado, após a conclusão do processo de otimização de capital de giro.
Oliveira destacou ainda que o desempenho recente foi impulsionado principalmente por lançamentos de novos produtos, que contribuíram com 2,6 pp para o crescimento do sell-out no primeiro trimestre de 2026.
Ele acrescentou que a adoção de um acompanhamento mais detalhado dos estoques dos clientes tem melhorado a eficiência operacional, reduzindo rupturas e otimizando o mix de vendas.
O Ozempic da Hypera
Além dos números do balanço, a teleconferência trouxe um novo suplemento para a tese de crescimento da Hypera: os medicamentos da classe GLP-1, usados para diabetes e nas canetas emagrecedoras.
Oliveira afirmou que a Hypera pretende estar entre as primeiras farmacêuticas a obter a aprovação da Anvisa para esses produtos.
Embora o processo regulatório esteja mais lento que o esperado, o executivo vê um espaço relevante para entrar nesse mercado com preços competitivos e margens boas.
A estratégia é capturar as oportunidades abertas pela expiração de patentes recentes, focando em áreas que são prioridade no plano de expansão da companhia.
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