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Na prática, a operação colocaria dentro da própria Engie uma participação relevante em uma de suas principais hidrelétricas, em meio a um cenário complicado para o setor de energia

A Engie Brasil (EGIE3) quer investir em inovação. A companhia de energia aprovou uma oferta pública primária de ações que poderá viabilizar a incorporação de uma participação de 40% na Jirau Energia, avaliada em R$ 5,744 bilhões.
A operação tem como objetivo ampliar o portfólio da companhia e captar recursos para investimentos e compromissos financeiros.
Na prática, a operação colocaria dentro da própria Engie uma participação relevante em uma de suas principais hidrelétricas. Isso protegeria a empresa em meio a um cenário global mais turbulento para o mercado de comercialização de energia.
A aprovação ocorreu em reunião do conselho de administração nesta quarta-feira (10), mas a conclusão da oferta ainda depende do aval dos acionistas em assembleia geral extraordinária marcada para 2 de julho.
Parte desses recursos virá de sua própria controladora. Pela estrutura proposta, a Engie Brasil Participações (EBP), controladora da companhia, poderá integralizar sua parcela na oferta mediante contribuição de bens. Ou seja, ela poderá transferir toda a sua participação de 40% na Jirau Energia para a Engie Brasil Energia, a empresa que é listada em bolsa.
Com isso, a companhia passará a deter diretamente essa participação societária na concessionária da Usina Hidrelétrica Jirau, enquanto a controladora receberá ações de emissão da própria Engie Brasil Energia.
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A Engie Brasil Participações tem 68,7% das ações da subsidiária, e o Banco Clássico S.A, 9,9%. Outros 21,4% estão em distribuição no mercado.
A proposta também permite que os acionistas atuais da empresa subscrevam até a totalidade de ações da oferta. Ou seja, eles podem entrar com investimentos proporcionais à participação que já detêm na empresa, o que dá direito a manter proporcionalmente sua participação acionária na companhia, sem diluição.
A empresa de energia renovável atua em geração, comercialização e transmissão de energia elétrica, transporte de gás e soluções energéticas.
Tem 120 usinas e capacidade instalada que representa cerca de 5% da capacidade nacional. Suas fontes de energia são usinas hidrelétricas, eólicas, solares e a biomassa.
A Engie é a detentora da mais extensa malha de transporte de gás natural do país, com 4,5 mil quilômetros que atravessam 10 estados, por causa da aquisição da Transportadora Associada de Gás (TAG), concluída em 2020.
A empresa não detalhou quantas ações seriam emitidas. Segundo fontes disseram ao Brazil Journal, no entando, o objetivp é levantar R$ 8,3 bilhões.
A Jirau Energia é a concessionária da Usina Hidrelétrica Jirau, localizada no rio Madeira, em Rondônia. Um dos maiores empreendimentos do país, possui 50 unidades geradoras em operação e capacidade instalada de 3.750 megawatts (MW).
O laudo de avaliação elaborado pela Apsis atribuiu à fatia da Jirau um valor justo entre R$ 5,39 bilhões e R$ 5,93 bilhões, com valor intermediário de R$ 5,66 bilhões. Após atualização pelo CDI até 30 de junho de 2026, o montante utilizado para a integralização foi fixado em R$ 5,744 bilhões.
A Engie destaca que a incorporação da participação ampliará sua capacidade de geração instalada por meio da aquisição de um ativo já operacional, sem necessidade de financiamento ou aumento adicional de endividamento.
A oferta será realizada sob o rito de registro automático da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com esforços de distribuição no Brasil e no exterior. Itaú BBA e Santander atuarão como coordenadores da operação.
Caso a oferta seja implementada, os acionistas da Engie terão direito de prioridade para subscrever as novas ações na proporção de suas participações atuais, preservando suas fatias no capital da companhia e evitando diluição.
A efetivação da operação ainda depende da aprovação, em assembleia, da contratação da avaliadora e do laudo de avaliação da participação na Jirau, além das condições de mercado e demais aprovações necessárias. A controladora EBP se absterá de votar nas deliberações relacionadas ao laudo.
A companhia informou ainda que decidiu descontinuar a divulgação de projeções financeiras (guidance), alinhando suas práticas às exigências regulatórias aplicáveis a ofertas públicas de valores mobiliários no Brasil e no exterior. Segundo a empresa, estimativas e declarações futuras não devem ser interpretadas como garantia de resultados.
Com Money Times
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