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Companhia avalia incorporar parte de ativo que hoje está nas mãos da controladora; entenda o que está em discussão

A Engie Brasil Energia (EGIE3) colocou em marcha um movimento que pode redesenhar sua estrutura de ativos. A companhia contratou uma assessoria financeira para avaliar a melhor forma de incorporar cerca de 40% do capital da Jirau Energia, hoje nas mãos de sua controladora, a Engie Brasil Participações (EBP).
Na prática, a operação colocaria dentro da própria Engie uma participação relevante em uma de suas principais hidrelétricas.
A Jirau Energia é responsável pela operação da Usina Hidrelétrica Jirau, no rio Madeira, em Rondônia — um dos maiores empreendimentos do país, com capacidade instalada de 3.750 MW e atuação na geração e comercialização de energia.
Segundo a companhia, a análise está sendo conduzida em conjunto com o Comitê Especial Independente para Transações com Partes Relacionadas, responsável por avaliar a estrutura mais adequada para a operação.
Em dezembro de 2025, a Engie já havia sinalizado ao mercado a intenção de sua controladora de transferir a totalidade da participação em Jirau para a companhia. Na ocasião, uma das alternativas colocadas na mesa foi justamente o aporte dessas ações no capital da Engie Brasil.
Até o momento, no entanto, ainda não há uma decisão tomada. A empresa destaca que os termos, condições e até mesmo a viabilidade da transação seguem em aberto, sujeitos à conclusão dos estudos, às aprovações societárias e às condições de mercado.
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A discussão sobre a reorganização da participação em Jirau ocorre em um momento em que o setor elétrico brasileiro atravessa um ambiente mais cauteloso — ainda que relativamente protegido dos efeitos diretos da guerra no Oriente Médio.
Na avaliação das grandes geradoras, o cenário global mais turbulento tem exigido uma postura mais conservadora, especialmente na comercialização de energia.
No início de abril, o CEO da Engie Brasil, Eduardo Sattamini, chamou atenção para o aumento dos riscos no ambiente de negócios, com impacto direto sobre crédito, custos e previsibilidade de demanda.
“A situação geopolítica impactando no custo do combustível, que vai impactar no custo do atendimento e da demanda de pico… e você vê empresas expostas a esse momento. Eu preciso me preservar. Não vou pegar essa energia que eventualmente nem tenho e jogar no mercado a um preço baixo”, afirmou, em painel do setor durante evento no Rio de Janeiro.
A leitura do executivo reflete ainda um movimento mais amplo no setor de energia. O mercado de comercialização de energia elétrica no Brasil vem enfrentando uma retração relevante, com empresas reduzindo operações ou até deixando o segmento.
Parte das críticas tem vindo de comercializadoras independentes, que não possuem geração própria e apontam uma postura mais restritiva por parte das grandes geradoras — o que, na visão desses agentes, tem reduzido a liquidez do mercado.
*Com informações do Money Times e da Reuters.
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