Educação vive era de vaca leiteira, e BTG eleva recomendação da Cogna (COGN3) para compra; descubra a ação queridinha do banco
Analistas do banco destacam que, após anos de ajustes e crise do Fies, os grandes grupos de ensino podem gerar retornos significativos aos acionistas; veja a recomendação para Cogna (COGN3), YDUQS (YDUQ3), Afya (AFYA), Ânima (ANIM3), Vitru (VTRU3), Cruzeiro do Sul (CSUD3), Ser Educacional (SEER3) e Laureate

O mercado de educação no Brasil vive atualmente a chamada era da “cash cow”, ou “vaca leiteira”, um momento caracterizado por grandes retornos aos acionistas. Em relatório, o BTG Pactual avalia que essa fase deve se prolongar, sustentando o otimismo em torno do setor.
Os analistas elevaram a recomendação da Cogna (COGN3) para Compra, com potencial de alta de 40%. Além disso, reiteraram a Laureate — que controla as universidades Anhembi Morumbi e FMU — como sua principal aposta, podendo gerar lucro de 12% aos acionistas.
De acordo com o documento, desde 2023 as companhias do setor passaram a priorizar a redução do endividamento, ganhos de eficiência, preservação de caixa, maior exposição a segmentos premium (especialmente medicina), disciplina mais rígida de investimentos e menor apetite por grandes operações de fusões e aquisições.
Nos últimos dois anos, a geração de caixa foi robusta na área de ensino, com média de 16% em relação à receita. Entre os destaques:
- Cogna (COGN3) – 20%
- YDUQS (YDUQ3) – 17%
- Afya (AFYA) – 9%
- Ânima (ANIM3) – 15%
- Vitru (VTRU3) – 24%
- Cruzeiro do Sul (CSUD3) – 27%
- Ser Educacional (SEER3) – 20%
O BTG acredita que esse ritmo deve se manter em 2026, apoiado por um cenário macroeconômico favorável: atividade econômica resiliente, desemprego baixo, renda disponível em níveis saudáveis e incentivos típicos de um ano eleitoral.
As eras do setor de educação
Nos últimos 15 anos, o mercado de ensino brasileiro viveu altos e baixos. Confira as características de cada uma das quatro eras, segundo o BTG:
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- 2010 a 2014 – Os Anos Dourados: impulsionados pelos benefícios econômicos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o programa de financiamento estudantil do governo;
- 2015 a 2019 – Era da Redução do Fies: marcada pelo efeito negativo da alavancagem operacional com a redução co financiamento governamental, juntamente com o início da canibalização causada pela expansão do ensino a distância (EaD);
- 2020 a 2023 – Era da Pandemia: caracterizada pela supremacia do segmento de EaD e maior exposição ao segmento de medicina;
- 2024 a 2026 – Era da Vaca Leiteira: agora, as empresas estão em modo de colheita, distribuindo benefícios aos acionistas, reduzindo operações por meio de iniciativas de eficiência, disciplina dos investimentos e preservação de caixa.
Riscos para a fase atual
Apesar da perspectiva positiva, o BTG alerta para riscos. O principal seria um retorno prematuro à estratégia de crescimento acelerado, que já trouxe prejuízos no passado. Os analistas, contudo, consideram esse cenário improvável, dado o recente período de estresse financeiro e os aprendizados em alocação de capital.
Outro ponto de atenção é o novo marco regulatório que amplia a carga presencial nos cursos de graduação. Os impactos devem ser limitados até 2026, mas podem ganhar relevância a partir de 2027, especialmente em relação à infraestrutura dos polos de ensino a distância.
Além disso, os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) — exame aplicado a estudantes de medicina no último ano da graduação — foram considerados fracos, introduzindo incertezas regulatórias em um segmento até então visto como estável.
Recomendações do BTG Pactual
- Cogna: recomendação elevada de Neutro para Compra; preço-alvo revisado de R$ 4 para R$ 5, com potencial de alta de 40%.
- Yduqs: recomendação mantida em Compra; preço-alvo estável em R$ 23; destaque para geração de caixa estimada em 18% em 2026.
- Vitru e Ânima: small caps preferidas, com altos rendimentos de caixa e maior crescimento esperado de lucros; recomendação de Compra.
- Afya: rebaixada de Compra para Neutro; preço-alvo reduzido de US$ 20 para US$ 17; rendimento de caixa próximo de 12%, abaixo da média do setor (16%).
- Ser Educacional: melhora significativa, com geração de caixa de 20% em 2025; recomendação Neutra, com novo preço-alvo de R$ 15 (ante R$ 12), devido a riscos regulatórios e jurídicos.
- Cruzeiro do Sul: evolução expressiva, com retorno de 27% em 2025 e expectativa de 20% em 2026; recomendação mantida em Compra, preço-alvo elevado para de R$ 6,50 para R$ 10.
- Laureate: considerada top pick na América Latina; expectativa de crescimento de lucro operacional entre 10% e 15% ao ano; recomendação de Compra reiterada, após valorização de 85% nos últimos 12 meses.
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