CSN (CSNA3) corre contra o relógio e negocia empréstimo de até US$ 1,5 bilhão com bancos para quitar dívidas
Com vencimentos pressionando o balanço, empresa estrutura linha bilionária e coloca ações da CSN Cimentos na mesa

A corda está esticando no balanço da CSN (CSNA3). Com bilhões em vencimentos se aproximando e o mercado externo praticamente fechado para novas emissões, a companhia negocia uma linha de crédito de até US$ 1,5 bilhão para reforçar o caixa.
Segundo informações do Broadcast, a companhia está em negociações avançadas para levantar algo entre US$ 1,35 bilhão e US$ 1,5 bilhão com um grupo de bancos.
A linha teria como uma das garantias ações da CSN Cimentos — ativo que, até pouco tempo atrás, era peça estratégica de expansão e agora se transforma em instrumento para atravessar a turbulência financeira.
Se confirmada, a operação pode funcionar como uma ponte financeira em um momento decisivo: não resolve toda a equação da dívida, mas compra tempo.
A expectativa nos bastidores é positiva para uma conclusão da operação já em março, embora o valor final ainda dependa de ajustes finos nos termos do contrato — juros, garantias adicionais e estrutura da operação ainda estão em discussão.
- Veja aqui: CSN (CSNA3) vai conseguir se desafogar com venda da CSN Cimentos? Veja a resposta do Safra
O que está em jogo para a CSN (CSNA3)
O dinheiro já tem destino definido: quitar títulos de dívida no exterior (bonds) que vencem em abril, reduzir dívidas bancárias e, se houver espaço, recomprar parte dos títulos com vencimento em 2028.
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O problema é que abril é apenas a primeira curva de um trajeto mais longo. A maior parte dos vencimentos de 2026 está concentrada justamente em dívidas bancárias.
No terceiro trimestre do ano passado, os compromissos com bancos que vencem neste ano somavam R$ 6,2 bilhões.
Ao fim daquele período, a dívida líquida da CSN estava em R$ 37,5 bilhões — sendo R$ 26,9 bilhões concentrados entre 2024 e 2028.
Bancos: quem está sentado à mesa?
A nova linha, segundo o Broadcast, reúne nomes de peso. Morgan Stanley e Santander — que já têm mandato para a venda da CSN Cimentos — estariam entre os coordenadores.
Também participariam Citi, Deutsche Bank, Banco do Brasil, BNP Paribas e HSBC, com possibilidade de adesão de outras instituições.
Na prática, trata-se de uma troca de exposição: os bancos reforçam suas posições com garantias mais robustas, enquanto a companhia ganha tempo para reorganizar o passivo.
Porta quase fechada lá fora
A busca por um empréstimo com bancos no mercado doméstico não é por acaso. O acesso ao mercado internacional de dívida é visto com ceticismo por analistas.
Para emitir um novo bond, a CSN provavelmente teria de oferecer prêmio elevado aos investidores — o que encareceria ainda mais o custo financeiro em um momento de pressão sobre o balanço.
O ambiente externo também não ajuda. A sucessão de problemas envolvendo grandes empresas brasileiras, como Braskem e Raízen, deixou investidores estrangeiros mais seletivos — e menos tolerantes a histórias de alto endividamento.
Nesse contexto, a CSN entrou no radar global. Os investidores temem uma eventual reestruturação forçada caso o plano de desalavancagem não avance no ritmo esperado.
Na semana passada, a Fitch Ratings rebaixou o rating da companhia de “BB-” para “B” e manteve a observação negativa. O movimento refletiu as dificuldades na execução da estratégia de redução de alavancagem via venda de ativos no médio prazo.
- Confira também: CSN (CSNA3) em tratamento de choque: Moody’s corta rating e alerta para efeitos colaterais
Venda de ativos como eixo central na CSN
Em janeiro, a CSN anunciou planos para a venda de até R$ 18 bilhões em ativos, com o objetivo de equacionar “em definitivo” a estrutura de capital do grupo.
Além da venda da operação de cimentos, a companhia contratou o Citi para, ao lado do Bradesco, buscar sócios para o negócio de infraestrutura.
A lógica é reduzir dívida, simplificar a estrutura e recuperar margem de manobra financeira.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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