CSN (CSNA3) em tratamento de choque: Moody’s corta rating e alerta para efeitos colaterais
A agência rebaixou nota de crédito da companhia para B2 e acendeu o alerta sobre a dívida bilionária

A saúde financeira da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) recebeu um diagnóstico negativo da Moody’s Ratings nesta quinta-feira (19). A agência rebaixou a classificação da empresa de Ba3 para B2, mantendo uma perspectiva negativa do rating.
Na visão da Moody's, a estrutura de capital da companhia está altamente alavancada, exigindo um tratamento de choque para evitar riscos maiores de refinanciamento.
- O endividamento líquido da CSN, que era de R$ 16,5 bilhões em 2021, atingiu R$ 37,55 bilhões em setembro de 2025, com a alavancagem medida entre a dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) chegando a 3,14 vezes.
Para a Moody’s, os sintomas da CSN são claros: o nível de endividamento e o peso dos encargos de juros estão drenando a geração de fluxo de caixa livre.
Um agravante no prontuário da empresa é a alocação de capital dentro do grupo. Atualmente, a maior parte da dívida está concentrada na holding, enquanto o pulmão que gera o caixa é a subsidiária de mineração.
Segundo a agência, a CSN precisa reequilibrar esses riscos entre as divisões do grupo para estabilizar sua condição.
O remédio para a CSN
Para tratar a enfermidade financeira, a CSN já apresentou providências. Em 15 de janeiro, a companhia anunciou planos para:
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- Venda de participação minoritária em ativos de infraestrutura;
- Venda de participação majoritária em ativos de cimento;
- Meta de arrecadação: entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões.
O objetivo é reduzir a dívida total na holding, o que melhoraria a alavancagem, aliviaria os riscos de liquidez frente aos vencimentos futuros e equilibraria as contas entre holding e subsidiárias.
Efeitos colaterais e riscos de recaída
Apesar do plano estar traçado, a Moody’s adverte que a recuperação não é imediata. Até que as vendas sejam efetivamente executadas, as métricas de crédito da CSN continuarão debilitadas e os riscos de liquidez permanecerão elevados — especialmente em momentos de volatilidade e aversão ao risco no mercado.
A agência é enfática: sem a aceleração da desalavancagem via venda de ativos, redução de investimentos (capex) ou corte proativo da dívida, o fluxo de caixa da CSN será mais compatível com uma categoria de classificação ainda mais baixa.
"A maioria das necessidades de refinanciamento futuras está relacionada a dívidas bancárias, e o próximo vencimento relevante de títulos é em 2028", aponta o relatório.
Mesmo com liquidez considerada adequada no momento, o consumo de caixa atual aumentou o risco de refinanciamento no médio prazo.
Agora, o mercado aguarda para ver se a CSN conseguirá aplicar o remédio proposto a tempo de evitar uma nova piora no quadro de crédito.
*Com informações do Money Times
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