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EFEITO ORIENTE MÉDIO

Embalado pelo petróleo mais caro, Safra recalcula rota e diz qual petroleira ganha e qual perde espaço na carteira

Banco revisa projeções após escalada das tensões no Oriente Médio, eleva preço-alvo da Petrobras em 33% e adota postura mais seletiva para o setor de óleo e gás

Montagem de barris de petróleo
Petróleo - Imagem: Montagem/Canva Pro

A disparada do petróleo nos últimos meses, provocada pelas tensões no Oriente Médio, está redesenhando o cenário para as petroleiras brasileiras. Com o Brent — referência internacional — negociado acima dos níveis observados antes da escalada do conflito na região, o Safra revisou as projeções para o setor e concluiu que nem todas as empresas devem se beneficiar da mesma forma do novo ambiente.

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Em relatório divulgado nesta semana, o banco adotou uma postura mais seletiva entre as companhias de exploração e produção de petróleo listadas na bolsa brasileira.

A principal beneficiada pela revisão foi a Petrobras (PETR4), que passou a ser vista como a alternativa mais equilibrada em termos de risco e retorno. Em contrapartida, Prio (PRIO3) e Brava Energia (BRAV3) tiveram as recomendações rebaixadas para neutra.

A mudança ocorre em meio a um mercado ainda dominado pelas incertezas geopolíticas.

Embora os preços do petróleo operem em queda nesta sexta-feira (5), os investidores seguem monitorando as negociações entre Estados Unidos e Irã sobre uma possível reabertura do Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.

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Segundo o banco holandês ING, o mercado continua precificando um acordo iminente entre Washington e Teerã, apesar da ausência de avanços concretos nas negociações.

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"Embora haja poucos sinais de progresso nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o mercado de petróleo continua sendo negociado com base na expectativa de um acordo iminente que permitiria a retomada dos fluxos pelo Estreito de Ormuz", afirmou o banco em relatório.

"Essa visão parece excessivamente otimista, já que o Hezbollah rejeitou o cessar-fogo entre Líbano e Israel", acrescentou.

Para o Safra, mesmo que o conflito caminhe para uma solução, os impactos sobre a oferta global de petróleo devem persistir por algum tempo.

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Petrobras aparece como a principal escolha do Safra

Entre as empresas analisadas, a Petrobras foi a que mais ganhou espaço na preferência dos analistas do banco.

A avaliação do Safra é que a estatal reúne características capazes de protegê-la tanto em um cenário de petróleo elevado quanto em uma eventual correção da commodity.

Quando os preços do barril sobem, a companhia tende a capturar parte desse movimento por meio de reajustes nos combustíveis. Se o petróleo cair, o impacto nos resultados costuma ser amortecido pelo perfil integrado dos negócios, que inclui atividades de refino e distribuição.

"O cenário atual oferece uma combinação favorável de proteção e potencial de valorização", resumem os analistas.

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Refletindo essa visão mais positiva, o Safra elevou o preço-alvo da Petrobras de R$ 43 para R$ 57 por ação. O novo valor representa potencial de valorização de 37% em relação às cotações atuais.

Quando os dividendos entram na conta, o retorno total estimado chega a 49%.

Apesar da recomendação de compra ter sido mantida, o banco alerta que a proximidade das eleições presidenciais de 2026 pode aumentar a volatilidade dos papéis ao longo dos próximos meses, especialmente por causa das preocupações recorrentes do mercado com possíveis interferências políticas na companhia.

Prio continua sólida, mas perde espaço na preferência dos analistas

Se a Petrobras ganhou destaque, a Prio seguiu o caminho contrário.

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O Safra reduziu a recomendação da companhia de compra para neutra, e elevou o preço-alvo de R$ 56 para R$ 69 por ação.

O motivo não está ligado à qualidade dos ativos ou à capacidade operacional da empresa. Pelo contrário. O banco continua classificando a Prio como uma das companhias mais eficientes do setor e uma forte geradora de caixa.

A questão é que a exposição ao preço internacional do petróleo é significativamente maior do que a da Petrobras. Isso significa que uma eventual correção do Brent tende a produzir impactos mais diretos sobre os resultados da empresa.

Com isso, o potencial de valorização calculado pelo Safra ficou em 11%, enquanto o retorno total projetado alcança 15%.

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Ainda assim, os analistas destacam que a empresa pode se tornar uma importante pagadora de dividendos nos próximos anos.

Segundo o banco, caso a companhia não encontre oportunidades relevantes de aquisição, a tendência é que passe a direcionar uma parcela maior do caixa para os acionistas a partir de 2027, seja por meio de dividendos extraordinários, seja por programas de recompra de ações.

Brava Energia enfrenta obstáculos para acelerar crescimento

A Brava Energia também perdeu atratividade relativa na revisão promovida pelo Safra.

A recomendação foi rebaixada de compra para neutra, enquanto o preço-alvo caiu de R$ 27 para R$ 23 por ação.

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Na avaliação do banco, o principal desafio está no curto prazo.

A expectativa é que a produção permaneça praticamente estável ao longo de 2026, com um crescimento mais robusto apenas em 2027, quando projetos offshore devem começar a gerar resultados mais relevantes.

Enquanto isso, a geração de caixa tende a continuar pressionada por uma combinação de fatores.

Entre eles estão os investimentos elevados necessários para o desenvolvimento dos projetos, posições de hedge que limitam parte dos ganhos com a alta do petróleo e pagamentos de earn-out, parcelas complementares ligadas a aquisições realizadas anteriormente.

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Além disso, os analistas enxergam incertezas adicionais decorrentes da recente mudança de controle da companhia e da oferta pública ainda pendente.

Mesmo diante desse cenário, o banco calcula potencial de valorização de 12% e retorno total de aproximadamente 17%.

PetroReconcavo segue com perfil mais defensivo

A PetroReconcavo (RECV3) foi a única companhia coberta pelo Safra que não sofreu alteração de recomendação.

O banco manteve classificação neutra para as ações, mas reduziu o preço-alvo de R$ 17 para R$ 13.

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Ainda assim, a instituição calcula potencial de valorização de 17%, além de retorno total estimado em 22%.

A companhia continua sendo vista como um nome mais defensivo dentro do setor, sustentada pela geração consistente de caixa e pela disciplina na alocação de capital.

Por outro lado, parte dos benefícios trazidos pela valorização do petróleo acaba limitada pela política de hedge adotada pela empresa.

Safra eleva projeções para o Brent após conflito no Oriente Médio

Além das mudanças nas recomendações, o relatório trouxe uma revisão relevante para as perspectivas do petróleo.

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O Safra elevou significativamente suas projeções para o Brent nos próximos anos.

A nova estimativa aponta para um preço médio de US$ 88 por barril em 2026, acima dos US$ 68 projetados anteriormente. Para 2027, a projeção passou de US$ 65 para US$ 75 por barril.

Segundo os analistas, a principal justificativa é a expectativa de que a normalização dos fluxos comerciais e da produção global de petróleo ocorra de forma mais lenta do que o mercado vinha antecipando.

Mesmo após o encerramento do conflito no Oriente Médio, o mercado físico da commodity deve continuar relativamente apertado, sustentando preços mais elevados.

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No longo prazo, porém, o banco manteve sua visão estrutural para o petróleo em US$ 65 por barril em termos reais.

Negociações entre EUA e Irã seguem ditando o rumo do mercado

O pano de fundo para essas revisões continua sendo o complexo tabuleiro geopolítico do Oriente Médio.

Na segunda-feira (1), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista à ABC News que acredita em um acordo entre Washington e Teerã para ampliar o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz já nos próximos dias.

Segundo Trump, as negociações avançam em "ritmo rápido", apesar das dificuldades geradas pelos confrontos entre Israel e Hezbollah no Líbano.

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O governo iraniano, por sua vez, condiciona qualquer avanço nas tratativas à implementação de um cessar-fogo efetivo no território libanês.

A posição foi reforçada também na segunda-feira pelo porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, que classificou o fim dos ataques no Líbano como uma condição essencial para qualquer acordo de paz.

A situação se complicou ainda mais na quinta-feira (4), quando o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, reafirmou o apoio de Teerã ao Hezbollah e defendeu a retirada das forças israelenses do sul do Líbano como condição para o encerramento do conflito.

Os comentários vieram após o líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitar um acordo intermediado pelos Estados Unidos para interromper os combates entre o grupo e Israel. A proposta não previa a retirada das tropas israelenses das áreas ocupadas no sul do Líbano, uma das principais exigências do Hezbollah e também do governo iraniano.

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Enquanto isso, Estados Unidos e Irã seguem em cessar-fogo desde 7 de abril, embora os dois países tenham realizado ataques pontuais nas últimas semanas. O Estreito de Ormuz permanece fechado à navegação comercial, mantendo uma parcela relevante da oferta global de petróleo fora do mercado.

Cenário para o petróleo ainda pode piorar

Para o ING, os elevados estoques acumulados antes da guerra ainda funcionam como um colchão de proteção contra choques mais severos nos preços. Esse amortecedor, porém, está diminuindo rapidamente.

Com a chegada do verão no Hemisfério Norte e o aumento esperado do consumo de combustíveis durante o terceiro trimestre, a tendência é de redução adicional dos estoques globais, deixando o mercado ainda mais sensível a qualquer nova interrupção na oferta.

Diante desse cenário, o Safra avalia que os riscos para o setor permanecem elevados. Além das oscilações do petróleo, os investidores devem acompanhar fatores como:

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  • mudanças regulatórias e tributárias;
  • dificuldades no cumprimento das metas de produção;
  • alterações de controle acionário;
  • uma eventual reversão do fluxo de investimentos para o Brasil.

*Com informações do G1 e da Reuters

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