Comeu poeira? Ação do Nubank decepciona entre os bancos em 2026, mas analistas enxergam “oportunidade rara” antes do 4T25
Enquanto os bancões brasileiros sobem mais de 20% no ano, o roxinho patina em Wall Street. Às vésperas do 4T25, analistas veem oportunidade onde o mercado vê risco; veja o que esperar

Às vésperas de divulgar o balanço do quarto trimestre, o Nubank (B3: ROXO34; Nasdaq: NU) entra em campo com estatísticas de campeão — mas, na bolsa, joga como coadjuvante. Enquanto os bancões renovam máximas em 2026, o roxinho ainda tenta encontrar tração — e acumula uma das piores performances entre os bancos latino-americanos desde o início do ano.
Desde janeiro, as ações do Nu recuam mais de 4% em Wall Street. No mesmo período, o Banco do Brasil (BBAS3) e o Itaú Unibanco (ITUB4) avançam mais de 20% na B3, enquanto o Bradesco (BBDC4) sobe 16%.
Já o Santander Brasil (SANB11) e o Inter (INTR) tiveram desempenhos mais modestos na bolsa brasileira, de 3% e 4%, respectivamente.
A fotografia mostra o Nubank ficando para trás — e levanta uma pergunta inevitável: o mercado está sendo exigente demais?
Mas, para o Itaú BBA, a queda pode ser justamente uma oportunidade de ouro para marcar o gol.
O que pesa sobre as ações do Nubank em 2026?
Segundo os analistas, a queda das ações do Nubank em 2026 não reflete deterioração dos fundamentos. Pelo contrário: tanto fatores micro quanto macro estariam evoluindo na direção correta, abrindo espaço para revisões positivas nas estimativas.
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Na avaliação do BBA, a principal fonte de pressão sobre a ação do Nu não está nos números, mas sim na narrativa. O mercado vem discutindo o impacto da inteligência artificial (IA) sobre os serviços financeiros mundo afora.
A tese mais pessimista sugere que a disseminação da IA poderia “desintermediar” até mesmo os atuais vencedores do setor, reduzindo barreiras de entrada e comprimindo vantagens competitivas.
Em outras palavras, a tecnologia que ajudou os disruptores a ganhar mercado poderia agora começar a ameaçá-los.
Inteligência artificial: oportunidade ou risco?
Mas o BBA discorda dessa leitura quando o assunto é Nubank. Para os analistas, a IA não é um fator que, por si só, gera disrupção.
O diferencial está na capacidade de integrar essa tecnologia profundamente aos processos de crédito, risco e relacionamento com clientes. Isso exige cultura tecnológica, capacidade de testar e aprender rapidamente e, principalmente, escala de dados.
“Aqueles com a mentalidade tecnológica correta e espírito empreendedor devem sempre permanecer um passo à frente, não importa o quão ‘barata’ ou ‘acessível’ a IA se torne”, avaliam os analistas.
E é nesse ponto que o Nubank se encaixa na tese otimista. Quanto maior a base de clientes e mais fluido o uso de dados, mais potente se torna a aplicação da IA. “Simplesmente colocá-la em uma prateleira não gera disrupção”, resume o banco.
O Itaú BBA afirmou que é um “comprador na fraqueza” e manteve recomendação outperform – de desempenho acima da média, equivalente à compra – para o Nubank.
O que esperar do balanço do Nubank no 4T25?
O balanço do quarto trimestre de 2025 será divulgado na quarta-feira (25), após o fechamento do mercado. E a expectativa do mercado é predominante positiva.
Segundo consenso da Bloomberg, o lucro líquido ajustado deve alcançar US$ 882 milhões, o que representaria uma alta de quase 60% na comparação anual.
A rentabilidade também chama atenção: a projeção é de um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 32,4%, de acordo com estimativas compiladas pelo Seu Dinheiro.
Se confirmado, o número colocaria o Nubank acima de pares que tiveram trimestres fortes e lideraram a briga por rentabilidade, como o BTG Pactual (ROE de 27,6%) e o próprio Itaú Unibanco (24,4%).
No geral, os analistas esperam crescimento acelerado da carteira de crédito, impulsionado pelo aumento de limites no cartão e expansão dos empréstimos pessoais. A disciplina em despesas operacionais e a valorização do real também devem contribuir.
Ao mesmo tempo, a maior utilização dos limites pode exigir provisões mais elevadas, pressionando parcialmente a margem.
Ainda assim, o JP Morgan avalia que, embora “a barra esteja alta”, o Nubank tende a entregar o que o mercado espera.
Onde está o próximo motor de crescimento do Nubank?
A expectativa do Itaú BBA é que os resultados do Nubank sejam “excelentes”. Segundo os analistas, os indicadores mostram avanço na penetração da faixa de renda média no Brasil, com tíquetes médios maiores e mais transações, devem reforçar a visão positiva para os próximos trimestres.
Além disso, o México segue como peça estratégica, com expectativa de expansão de margem apoiada por menor remuneração de depósitos e aumento sazonal de liquidez, segundo o Bank of America (BofA).
Por outro lado, o UBS BB chama atenção para um dado relevante: o 4T25 não indica ganho expressivo de fatia (market share) no mercado de cartões.
Embora o Nubank tenha ficado com 55% da expansão líquida da carteira — acima de seu market share total, de 52% — o desempenho não foi tão superior ao dos quatro grandes bancos tradicionais.
Na visão do UBS BB, o verdadeiro espaço de crescimento pode estar nos empréstimos pessoais.
Enquanto grandes incumbentes reduziram suas carteiras nessa linha, o sistema financeiro como um todo cresceu — o que indica uma oportunidade para o Nubank capturar participação, segundo os analistas.
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