Itaú (ITUB4) lança “botão de reset” da fatura do cartão de crédito; saiba quanto custa e como funciona o novo fôlego no orçamento
Nova ferramenta do banco permite encerrar o ciclo atual do cartão antes da hora e jogar novas despesas para o mês seguinte; veja como funciona

O brasileiro aprendeu a tratar a data de fechamento da fatura do cartão de crédito quase como uma extensão do salário. Ansiedade por promoções, compras planejadas e gastos encaixados no calendário viraram parte da rotina financeira de milhões de consumidores. Agora, o Itaú Unibanco (ITUB4) quer dar ao cliente o poder de antecipar esse relógio.
O maior banco privado do país anunciou o lançamento do “Vira Fatura”, uma funcionalidade que permite ao usuário antecipar manualmente o fechamento da fatura do cartão diretamente pelo aplicativo.
Na prática, o cliente encerra o ciclo de compras do mês na hora — e todas as novas transações passam automaticamente para a próxima fatura, ampliando o prazo para pagamento e dando mais fôlego ao orçamento.
"O Vira Fatura nasceu da observação de uma experiência comum: quando a fatura está além do esperado e os dias até o fechamento parecem não ter fim", afirma Felipe Piccoli, diretor de Cartões e Contas do Itaú Unibanco.
Segundo ele, muitos clientes usam o cartão como uma ferramenta de organização financeira ao longo do mês.
Por isso, a nova funcionalidade busca oferecer mais autonomia para “aproveitar oportunidades, como uma promoção ou uma compra planejada, sem precisar esperar pela data oficial do corte”.
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O lançamento acontece em um momento de pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras.
Uma pesquisa realizada pelo próprio Itaú em parceria com a Consumoteca mostra que 81% dos brasileiros afirmam que o dinheiro é uma preocupação recorrente, enquanto 74% dizem sentir ansiedade ao lidar com a vida financeira.
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Nesse contexto, o banco tenta ocupar um espaço delicado: vender mais flexibilidade sem estimular descontrole financeiro.
Como funciona o “Vira Fatura” do Itaú (ITUB4)
A funcionalidade aparece no aplicativo do Itaú durante os oito dias que antecedem o fechamento tradicional da fatura. Ao apertar o botão, o cliente encerra imediatamente o ciclo atual de compras.
A partir daí:
- A fatura vigente é fechada automaticamente;
- As novas compras passam para a próxima fatura; e
- A data original de vencimento é mantida.
Com isso, o cliente “ganha tempo” para pagar as novas despesas. Uma compra feita logo após o acionamento da ferramenta, por exemplo, pode acabar sendo quitada apenas na fatura do mês seguinte, ampliando o prazo de pagamento sem necessidade de parcelamento.
O Itaú estruturou o produto em dois formatos. O primeiro é gratuito: o cliente pode antecipar o fechamento desde que realize também o pagamento imediato da fatura naquele momento.
Já o segundo modelo funciona como uma assinatura recorrente de R$ 9,90 por mês. Nesse caso, o cliente consegue “virar” a fatura sem precisar quitar imediatamente o saldo atual, o que dá mais flexibilidade de caixa no curto prazo.
Vale destacar que a cobrança da mensalidade só acontece quando o cliente efetivamente usa a funcionalidade para “empurrar” o pagamento da fatura para a data original de vencimento. Caso o usuário antecipe o fechamento, mas decida quitar a fatura imediatamente, o Itaú não cobrará pelo serviço — mesmo para quem aderiu ao modelo recorrente.
O Itaú reforça, porém, que a ferramenta não altera o limite do cartão nem muda as regras tradicionais do crédito rotativo.
O limite continua sendo liberado conforme o pagamento da fatura acontece normalmente. Além disso, compras já realizadas — incluindo parcelamentos — não sofrem qualquer alteração. Tudo o que já entrou na fatura permanece exatamente como contratado. A mudança vale apenas para compras feitas depois da virada.
Outro ponto importante é que o vencimento original continua o mesmo. Ou seja: se o cliente não pagar a fatura até a data correta, juros e rotativo continuam incidindo normalmente.
Em nota ao Seu Dinheiro, o Itaú afirmou que o produto “não altera IOF ou encargos, não gera juros por si só e não é uma operação de crédito”.
"É uma funcionalidade que permite ao cliente decidir melhor quando encerrar uma fatura e começar a próxima, trazendo mais previsibilidade para o mês", disse o banco.
A ferramenta começou a ser liberada gradualmente neste mês para uma base restrita de clientes e deve alcançar toda a base do Itaú até o fim de 2026.
O “botão de reset” do Itaú é realmente inédito?
Segundo apuração do Seu Dinheiro, a funcionalidade do Itaú é novidade no sistema bancário brasileiro. Procurados pela reportagem, grandes bancos afirmaram não oferecer hoje uma ferramenta equivalente.
O Bradesco (BBDC4) e o Banco do Brasil (BBAS3) informaram que permitem antecipar o pagamento da fatura pelo aplicativo, mas sem alterar o ciclo de fechamento das compras.
Isso significa que, mesmo pagando a fatura antes do vencimento, novas despesas feitas naquele intervalo continuam entrando na fatura corrente.
Veja a nota do Bradesco na íntegra:
“O Bradesco disponibiliza aos clientes a opção de antecipação do pagamento da fatura diretamente pelo App Bradesco e pelo App Cartões, de forma 100% digital e sem custo. A funcionalidade permite a quitação total ou parcial da fatura antes do vencimento, por meio de débito em conta, boleto ou Pix. Nos pagamentos via Pix, o limite do cartão é restabelecido imediatamente, oferecendo mais flexibilidade no uso do crédito.”
Por sua vez, o BB afirmou que a antecipação do pagamento pode gerar benefícios relacionados a pontos e cashback antecipados nos programas de recompensas, sem cobrança de tarifas.
Já o Santander Brasil (SANB11) afirmou não possuir ferramenta equivalente.
Cuidado com as finanças
Apesar da ambição do Itaú de auxiliar na organização financeira, o “Vira Fatura” também levanta dúvidas típicas de produtos ligados ao crédito e ao comportamento de consumo.
A principal delas envolve o risco de o cliente usar a ferramenta como um mecanismo de “empurrar despesas para frente”, criando uma falsa sensação de alívio financeiro no curto prazo.
Afinal, embora o produto não seja um parcelamento formal nem altere diretamente os juros do cartão, ele pode incentivar um aumento momentâneo do consumo ao ampliar artificialmente o prazo até o pagamento.
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