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Lucro acima do esperado não impede queda das units do banco neste pregão; confira o que dizem os analistas sobre o resultado
O BTG Pactual (BPAC11) entregou mais um trimestre de números difíceis de ignorar. Lucro recorde acima das expectativas, crescimento robusto e uma operação cada vez mais diversificada — o tipo de combinação que, em teoria, deveria empurrar as ações para cima.
Mas não foi o que aconteceu. Nesta sessão, os papéis do banco operam em queda, enquanto o mercado digere o resultado com cautela. Por volta das 14h05, as units BPAC11 caíam 1,93%, cotadas a R$ 57,52.
Para analistas de ações consultados pelo Seu Dinheiro, parte desse movimento parece acompanhar o humor mais fraco da bolsa brasileira nesta segunda-feira (11). No mesmo horário, o Ibovespa caía 1,07%, aos 182.146 pontos, com outros bancos também no negativo.
Além disso, nos bastidores, a leitura é que, apesar da força dos números, o balanço deixou algumas interrogações no ar — especialmente sobre o ritmo de crescimento em frentes relevantes, como o consignado privado.
Na avaliação da maior parte do mercado, o desempenho do BTG Pactual no 1T26 veio melhor do que o esperado — ainda que parte da surpresa tenha tido uma ajuda “técnica”.
O JP Morgan, por exemplo, atribui o desempenho acima das expectativas a uma combinação de boa performance no banco de varejo e no Investment Banking, somada a uma conta de impostos mais leve no trimestre.
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“Embora consideremos este um bom trimestre, especialmente dados os baixos níveis de expectativa devido ao macro desafiador, observamos que o EBT ficou em linha com nossas estimativas, e a surpresa foi impulsionada principalmente por impostos mais baixos, ainda em 20%, apesar da consolidação do Banco Pan no segmento de consumer banking, o que deve levar a impostos marginalmente mais altos”, destacaram os analistas.
Ainda assim, o próprio JP Morgan reconhece que o conjunto da obra fala mais alto e que “é difícil reclamar” de um crescimento de receita tão forte.
“Em suma, mais um trimestre sólido, e esperamos uma reação positiva, dado o baixo nível de expectativas por conta do macro desafiador”, afirmam os analistas.
Parte dessa leitura mais construtiva se apoia no desempenho da carteira de crédito corporativo do BTG. Mesmo em um ambiente marcado por episódios recentes de inadimplência relevante entre grandes empresas, o banco conseguiu manter a tração.
Para o Citi, o trimestre reforça uma transformação que vem sendo construída há alguns anos no BTG: a de um banco menos dependente de ciclos específicos e mais equilibrado entre diferentes motores de receita.
“O trimestre sólido do BTG Pactual mostra a evolução do banco em direção a um negócio mais diversificado, mantendo alavancagem operacional”, afirmam os analistas.
Na visão do banco, é justamente essa combinação de crescimento e rentabilidade que sustenta o diferencial competitivo da instituição.
“A empresa continua entregando uma combinação de rentabilidade de melhor nível da categoria e alto crescimento, com um perfil de receitas mais diversificado e uma inclinação maior para crédito dentro do mix”, dizem os analistas.
O Citi manteve recomendação de compra para BPAC11, sustentado nessa leitura de consistência e qualidade de execução.
Na leitura da XP Investimentos, o principal mérito do trimestre está no equilíbrio dos resultados do BTG Pactual. “O BTG entregou mais um trimestre forte e bem equilibrado, apesar de um ambiente macroeconômico desafiador e da sazonalidade usual do primeiro trimestre”, destacou a corretora.
Mais do que crescimento, a XP destaca a qualidade do crescimento no banco.
“O resultado positivo não ficou concentrado em linhas mais sensíveis a mercado: Wealth e Corporate Lending registraram receitas recordes, enquanto Asset Management apresentou forte captação líquida (NNM), sustentando uma leitura de maior qualidade.”
O BB Investimentos (BB-BI) também vê um o BTG "driblando um ambiente macroeconômico e geopolítico mais desafiador" no 1T26, com maior volatilidade nos mercados e o sazonal início de ano mais fraco para o setor.
"As linhas mais estáveis voltaram a 'defender o jogo', sustentando o desempenho do trimestre", disse o BB-BI.
Segundo os analistas, o destaque fica por conta da performance recorde em Wealth Management, que "reforça que a força da marca BTG junto ao público private vem se consolidando de forma cada vez mais nítida".
Se há um elemento que destoou do tom majoritariamente positivo do balanço do 1T26, ele veio do lado dos custos.
O Safra aponta as despesas operacionais como a principal surpresa negativa do trimestre. A linha somou R$ 4,2 bilhões, com alta de 1,8% frente ao trimestre anterior e de 25,5% na comparação anual.
Segundo o BTG, o avanço reflete, em grande parte, o ciclo anual de promoções e reajustes de salários e benefícios.
“Por esse motivo, esperamos que o mercado dê mais atenção ao resultado acima do esperado da receita”, dizem os analistas.
Apesar do ponto de atenção, a leitura do Safra segue construtiva para BPAC11. O banco considera o resultado robusto e volta a colocar no radar a possibilidade de o BTG superar R$ 20 bilhões em lucro líquido em 2026 — um potencial gatilho relevante para as ações.
Já o BB-BI avalia que não houve grandes surpresas no aumento das despesas operacionais, que refletiu "a expansão firme do banco, com maior base de colaboradores, ciclo anual de reajustes salariais e maior amortização de ágio".
"Ainda assim, o índice de eficiência ajustado permaneceu controlado em 38,1%, patamar próximo da média histórica do BTG, reforçando a capacidade do banco de crescer e rentabilizar mantendo disciplina de custos", afirmam os analistas.
Apesar da pressão sobre os papéis nesta segunda-feira, a visão para BPAC11 continua majoritariamente positiva. Das seis recomendações compiladas pela Broadcast para as ações do BTG Pactual, todas são de compra.
*Com informações do Money Times.
**O Seu Dinheiro pertence ao mesmo grupo empresarial do BTG Pactual.
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