XP, Nubank, Itaú, Bradesco, Santander e BTG: dois bancos vão se dar melhor se a Selic cair, segundo o UBS BB
O ajuste fiscal após as eleições pode turbinar o lucro dos bancos brasileiros; banco suíço simula cenário e diz quem ganha mais no setor

Se o Brasil fizer, depois da eleição, um ajuste fiscal relevante — daqueles que convencem o mercado a aceitar uma Selic mais baixa —, quem sai ganhando entre os grandes bancos e plataformas de investimento do país? Essa é a pergunta que o UBS BB tentou responder.
O suíço banco simulou um cenário alternativo — chamado de bull case — para as principais instituições financeiras listadas na bolsa brasileira: Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11), Nubank (ROXO34), BTG Pactual (BPAC11) e XP (XPBR31).
Os analistas Thiago Batista, Beatriz Shinye e Kaio Prato trabalham com duas hipóteses depois da eleição. Na primeira, um ajuste fiscal pequeno mantém os juros altos por mais tempo — cenário que não é muito diferente do que já está precificado hoje.
Na segunda hipótese — o bull case —, um ajuste fiscal relevante permite ao Banco Central cortar a Selic, atualmente em 13,75% ao ano, de forma mais consistente, com contração também na curva de juros longos.
É esse segundo cenário que o UBS BB detalha. E o resultado, de forma geral, é positivo para o setor — mas não é igual para todos.
Os grandes bancos
Para os grandes bancos — Itaú, Bradesco e Santander Brasil —, o UBS BB projeta um lucro cerca de 3% maior em 2027 e 7% maior em 2028, em reais, caso o cenário de juros mais baixos se confirme.
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O impacto é maior em 2028 porque muitos dos efeitos de uma queda de juros, entre eles o crescimento de crédito corporativo, levam tempo para aparecer no balanço.
Entre os principais motores dessa melhora, o UBS BB cita o crédito mais forte, especialmente para empresas.
O trio de analistas explica que juros mais baixos favorecem o crédito corporativo mais do que o das famílias, já que o financiamento a empresas tem correlação mais forte com a Selic. Já o crédito para pessoa física deve crescer pouco, porque o brasileiro segue endividado independentemente do cenário macroeconômico.
As margens um pouco melhores no curto prazo também aparecem na lista. Como a maior parte do funding dos bancos é pós-fixada e parte do crédito, como consignado, financiamento imobiliário e de veículos, é prefixada, uma queda da Selic reduz o custo de captação mais rápido do que reduz a receita dos empréstimos já concedidos — um efeito positivo, mas temporário.
A melhora na qualidade do crédito também entre nessa conta, sobretudo no segmento corporativo, já que a inadimplência tende a cair junto com os juros.
Mas o imposto de renda (IR) deve subir — e aqui está o principal porém da análise: taxas mais baixas reduzem o chamado escudo fiscal dos juros sobre capital próprio (JCP), mecanismo que os bancos usam para pagar menos imposto.
Segundo as contas do UBS BB, cada queda de 100 pontos-base na de longo prazo (a TJLP) aumenta a alíquota efetiva dos bancos em 150 a 200 pontos-base — o impacto é maior para bancos com rentabilidade mais baixa.
Os analistas foram ainda mais específicos ao concluir que o real mais forte ajuda o Nubank. Como o banco reporta resultados em dólar, uma moeda brasileira mais valorizada — o UBS BB projeta câmbio de R$ 5,15 em 2027 e R$ 5,20 em 2028 no cenário positivo — tem impacto direto e positivo no resultado em dólar do Nubank.
- Leia também: Inter (INBR32) ainda não viu o pior: inadimplência deve subir no 3T26; CEO revela de onde vem a pressão
XP x BTG: por que o duelo não é equilibrado
É na comparação entre as duas maiores plataformas de investimento do país que a análise fica mais interessante.
A tese central do UBS BB: a XP é muito mais sensível a juros baixos do que o BTG Pactual, porque as receitas de ambas vêm de fontes bem diferentes.
A XP depende principalmente de atividades ligadas a investimentos — corretagem, gestão de patrimônio, mercado de capitais. Já o BTG tem uma base de receita mais diversificada, com cerca de 55% vindo de crédito corporativo/consumo e da linha juros e outros — áreas pouco ou até negativamente impactadas por juros mais baixos.
Para a XP, o UBS BB projeta lucro 8% maior em 2027 e 16% maior em 2028 no cenário de juros baixos. Os
Entre os principais motivos, o trio de analistas cita mais dinheiro novo entrando na plataforma.
Juros altos hoje fazem o investidor de varejo preferir ficar no banco tradicional, recebendo perto de 14% ao ano isento de risco em renda fixa.
Com juros mais baixos — especialmente se a taxa de referência cair para um patamar de um dígito —, o UBS BB espera uma migração relevante de recursos para as plataformas de investimento.
Além disso, o investidor tende a migrar para ativos de maior risco, como ações — e a XP cobra uma taxa maior sobre esse tipo de produto (cerca de 1,4%) do que sobre renda fixa (0,8%) ou fundos e previdência (0,5%-0,6%). Ou seja: não é só mais dinheiro entrando, é dinheiro que rende mais para a empresa.
O UBS BB também vê ganho de eficiência operacional, com o índice de custo sobre receita da XP, que deve fechar 2026 em 67%, podendo cair para cerca de 65% no cenário positivo — a expansão da receita dilui os custos fixos.
O banco suíço não descarta que a XP recupere as perdas de R$ 400 milhões a R$ 450 milhões registradas no primeiro semestre de 2026 com títulos corporativos, caso os juros caiam.
Já o BTG Pactual tem um upside mais limitado: 5,5% em 2027 e 9,6% em 2028. O motivo, segundo o UBS BB, é que o banco tem três amortecedores que reduzem o efeito da queda de juros:
- A carteira de crédito, que respondeu por 37% da receita do BTG no primeiro semestre de 2026, é pouco sensível a juros mais baixos;
- A linha juros e outros (17% da receita) é diretamente prejudicada por juros menores — cada queda de 100 pontos-base na curva reduz essa linha em 9%, o equivalente a cerca de R$ 660 milhões;
- O índice de remuneração de funcionários deve subir um pouco, porque as áreas mais beneficiadas pelo cenário positivo — banco de investimento e gestão de ativos e patrimônio — pagam bônus proporcionalmente maiores do que as áreas de crédito.
Por outro lado, o UBS BB projeta uma expansão forte da receita de banco de investimento do BTG — cerca de 40% ao ano em 2027 e 2028 — e também um crescimento relevante em asset e wealth management, puxado pela entrada de novos recursos e pela migração para ativos de maior risco.
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O que fica para o investidor
O UBS BB também simula quanto uma mudança de 100 pontos-base no custo de capital — a taxa que o mercado usa para trazer os lucros futuros a valor presente — mexeria no valor justo das ações.
Segundo os analistas, o impacto seria de 12% a 15% para os bancos incumbentes brasileiros, 15% para a XP, 16% para o Inter e 20% para o Nubank — ou seja, quanto mais a empresa depende de crescimento futuro, como as fintechs, maior a sensibilidade a mudanças na taxa de desconto.
O UBS BB não está dizendo que o cenário de juros mais baixos vai acontecer — apenas simulando o que aconteceria se acontecesse.
E a principal conclusão prática é: entre os grandes nomes do setor financeiro na bolsa, XP e Nubank são os que mais ganhariam com um Brasil de juros mais baixos, enquanto Itaú, Bradesco, Santander e, em menor medida, BTG Pactual, sentiriam um efeito positivo, porém mais discreto.
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