Hapvida (HAPV3) chegou ao fundo do poço e pode ter até R$ 30,8 bilhões em benefício — mas ela ainda precisa fazer isso para se recuperar, diz UBS
“Grande parte do cenário adverso já parece estar incorporada ao preço, enquanto ainda são necessárias evidências da recuperação operacional”, afirma o UBS.

A Hapvida (HAPV3) parece ter parado de piorar, mas ainda há poucos sintomas que permitam diagnosticar a melhora, diz o UBS. Na visão do banco, embora grande parte das dificuldades enfrentadas pela operadora de saúde já pareça refletida nos preços, ainda faltam evidências concretas de que a recuperação operacional da companhia esteja de fato em andamento.
O banco ainda destaca um ativo fiscal de quase R$ 31 bilhões que pode ser usado pela empresa, mas há um porém: ela precisa gerar lucro antes de ser capaz de embolsar esse benefício.
“Grande parte do cenário adverso já parece estar incorporada ao preço, enquanto ainda são necessárias evidências da recuperação operacional”, afirma o UBS.
O UBS BB iniciou a cobertura de Hapvida (HAPV3) com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 7,80 por ação.
Segundo os analistas do banco, a ação deixou de ser um típico caso de investimento baseado apenas na expectativa de recuperação futura. Ainda assim, a concretização dessa tese depende da capacidade da empresa de melhorar seus resultados operacionais.
Potencial fonte de valor na Hapvida
Um dos principais pontos destacados pelo banco é o ativo fiscal de R$ 30,8 bilhões em goodwill gerado pela combinação de negócios realizada em 2022. Esse ágio fiscal foi gerado na fusão com a NotreDame Intermédica.
Leia Também
Mas o que seria esse benefício? Um ágio fiscal é a diferença positiva entre o preço pago na compra de uma participação societária em outra empresa e o valor contábil (patrimônio líquido) dessa empresa adquirida.
E por que a Hapvida pagou a mais? Era uma expectativa de geração de lucros futuros, o goodwill. Caso esses lucros chegassem, o valor poderia ser usado para reduzir o pagamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
Na avaliação do UBS, esse ativo representa uma potencial fonte de valor para os acionistas, mas sua monetização depende de condições que ainda não foram cumpridas.
“Para desbloquear esse ativo, porém, é necessário que a Hapvida faça justamente aquilo que ainda não demonstrou ser capaz de fazer: operar um negócio capaz de gerar lucros suficientes para absorvê-lo”, diz o relatório.
Além da geração de lucro tributável, o banco ressalta que o aproveitamento desse benefício fiscal também exigiria uma reorganização societária que ainda não foi concluída.
Sinistralidade segue preocupante
Nos últimos trimestres, a ação da companhia já sofreu depois dos resultados trimestrais, que vieram aquém do esperado pelos analistas.
No segundo trimestre, por exemplo, a judicialização das disputas judiciais foi um dos maiores problemas. O CEO chegou a admitir que a empresa errou ao não evitar que esses processos se transformassem em custos maiores para a companhia.
Já no ano passado, foram os resfriados que prejudicaram os seus números. A sinistralidade subiu, as despesas subiram e as pressões jurídicas e provisões ficaram mais caras.
Para acompanhar a evolução operacional da companhia, o UBS analisou os dados de IFRS 17 divulgados nas notas explicativas auditadas da empresa, com foco no Medical Loss Ratio (MLR), indicador que mede a sinistralidade do negócio.
Os dados mais recentes sugerem que a deterioração operacional continua, mas em um ritmo menos intenso do que o observado anteriormente.
“Os dados de 2026 apontam para um ritmo mais lento de deterioração”, afirma o banco.
A expectativa é de uma piora de aproximadamente 50 pontos-base no terceiro trimestre de 2026 e de 30 pontos-base no quarto trimestre, levando o Cash MLR para 74,7% no ano.
Mesmo assim, o UBS BB segue cauteloso e projeta que o indicador continue avançando gradualmente nos próximos anos.
Segundo as estimativas da instituição, o Cash MLR deve se aproximar de 76% no longo prazo, ou cerca de 77% ao incluir provisões, permanecendo abaixo dos níveis observados em concorrentes como SulAmérica e Bradesco Saúde.
Crescimento apoiado por reajustes de preços
O cenário base traçado pelo banco prevê crescimento de receita próximo de 4% ao ano entre 2026 e 2028, impulsionado principalmente pelo aumento do ticket médio dos planos.
A projeção não considera uma expansão relevante na base de beneficiários, refletindo uma visão mais conservadora para o setor.
Além disso, o UBS BB afirma que suas estimativas não incorporam qualquer benefício fiscal relacionado ao goodwill, justamente pela incerteza em torno da capacidade da empresa de capturar esse valor.
Com Money Times
NO BOLSO
Yduqs (YDUQ3) anuncia dividendos de R$ 750 milhões após fusão com a Afya, mas presente da dona da Estácio ao acionista pode ser ainda maior, diz JP Morgan
24 de setembro de 2026 - 13:45VENDE BRKM5, RECEBE DÍVIDA
OPA da Braskem (BRKM5) com data marcada: vale a pena trocar as ações pelo que o novo controlador oferece?
24 de setembro de 2026 - 12:32MAIS DE R$ 9 BILHÕES EM RECEITA
Yduqs (YDUQ3), dona da Estácio, anuncia fusão com a Afya e cria gigante em educação médica no Brasil; veja quanto cai no seu bolso
24 de setembro de 2026 - 9:02ALÉM DA PRIVATIZAÇÃO
Privatização da Copasa (CSMG3) chama atenção do mercado, mas Bradesco BBI tem ainda mais motivos para apostar em alta de mais de 38% para a ação
23 de setembro de 2026 - 16:21O PREÇO DA “GENEROSIDADE”
Petrobras (PETR4) caminha para um dos maiores dividendos do mundo. A ação ficou cara demais para comprar agora?
23 de setembro de 2026 - 14:25NOVO FILÃO DE CRESCIMENTO
Maior alta do Ibovespa hoje: Magazine Luiza (MGLU3) sobe na bolsa após decisão de agência do governo; entenda o que mexe com a varejista
23 de setembro de 2026 - 13:58GOVERNANÇA CORPORATIVA
O conselheiro é independente mesmo? Indicação pelo controlador é comum; saiba quando ela vira um problema para a empresa
23 de setembro de 2026 - 12:33SOB PRESSÃO
Braskem (BRKM5) vira campo de batalha: MP questiona processo e credores exigem que Petrobras (PETR4) e IG4 paguem parte da conta
23 de setembro de 2026 - 11:35PROVENTOS
Mais de R$ 600 milhões aos acionistas: confira quem tem direito a receber o JCP da Localiza (RENT4)
22 de setembro de 2026 - 19:27TERMÔMETRO DAS ELEIÇÕES
O mercado já escolheu seu cavalo eleitoral? Banco do Brasil (BBAS3) dispara 26% na bolsa, mas a conta não fecha só com as urnas
22 de setembro de 2026 - 17:03UM BOM NEGÓCIO?
Santander quer comprar seu papel SANB11 — mas o que o minoritário ganha ao trocar as ações por BDRs?
22 de setembro de 2026 - 14:16EXPANSÃO
Vale (VALE3) compra 30% da Ligga por R$ 972,36 milhões e prevê expandir capacidade em quatro vezes; qual o plano da mineradora?
22 de setembro de 2026 - 14:01ABRE E FECHA
JBS (JBSS32) fecha capital e J&F quer ser aberta no Brasil: o que muda para o investidor em ações e debêntures na B3
22 de setembro de 2026 - 11:43DE A PARA B
Entre JBS e J&F: o xadrez financeiro dos irmãos Batista na B3
21 de setembro de 2026 - 19:37PREPAREM O BOLSO
Dividendos e JCP: empresas anunciam mais de R$ 600 milhões aos acionistas; saiba quem paga e quando receber
21 de setembro de 2026 - 19:13SINERGIAS
Fusão com a Afya pode turbinar lucro da Yduqs (YDUQ3) e deixar ação mais barata, segundo Itaú BBA; veja o possível prêmio
21 de setembro de 2026 - 17:41A PENEIRA DOS BANCÕES
Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil: BofA escolhe seu favorito na B3 — e deixa uma ação de escanteio
21 de setembro de 2026 - 15:57ALÉM DAS FRONTEIRAS
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
21 de setembro de 2026 - 14:04ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS