Vale (VALE3) continua barata demais, diz JP Morgan; banco eleva preço-alvo para R$ 104
Para os analistas do banco norte-americano, a mineradora brasileira reúne ativos de classe mundial, balanço saudável e forte potencial de retorno ao acionista

Nem a pressão sobre o minério de ferro foi suficiente para mudar a visão do JP Morgan sobre a Vale (VALE3). Para o banco, a mineradora brasileira segue negociando com um desconto difícil de justificar.
Em relatório divulgado nesta sexta-feira (22), o banco elevou o preço-alvo de VALE3 de R$ 99 para R$ 104 e manteve a recomendação overweight, equivalente à compra. Para os analistas, a companhia continua sendo a ação mais descontada entre as grandes mineradoras globais.
O JP Morgan também reiterou o preço-alvo de US$ 19,50 para o ADR (American Depositary Receipt) negociado em Nova York.
O novo preço-alvo de R$ 104 para VALE3 representa um potencial de valorização de quase 26% em relação ao último fechamento. Já o preço-alvo de US$ 19,50 para o ADR da mineradora indica espaço para alta de 18,4% frente ao fechamento anterior.
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Apesar disso, os papéis da Vale oscilam entre ganhos e perdas nesta sexta-feira, acompanhando a pressão sobre o minério de ferro no mercado internacional.
Por volta das 15h20 (de Brasília), os papéis operavam em leve alta de 0,25% no Ibovespa, negociados a R$ 82,85. No mesmo horário, o ADR da mineradora operava próximo da estabilidade na New York Stock Exchange (Nyse), cotado a US$ 16,48.
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Segundo o banco, a Vale negocia atualmente a 4,9 vezes EV/Ebitda (valor da firma sobre geração operacional de caixa), abaixo da média de 6,9 vezes observada entre as concorrentes globais no cenário-base traçado pelos analistas.
Para os analistas do JP Morgan, Rodolfo Angele e Tathiane Candini, esse desconto não reflete a qualidade dos ativos, o histórico de execução e o potencial do portfólio da companhia. “A Vale é simplesmente sólida demais para negociar com esse desconto”, escreveram.
O relatório destaca que a mineradora reúne ativos de “classe mundial”, vantagens estruturais de custo e perspectivas de crescimento na divisão de cobre.
O banco também chama atenção para a forte geração de caixa e para a política de retorno ao acionista, sustentadas por um balanço saudável e alavancagem de apenas 1 vez dívida líquida/Ebitda — indicador que mede o tamanho da dívida em relação à capacidade de geração de caixa da empresa.
Vale lidera em geração de caixa e dividendos
O JP Morgan também aponta que a Vale entrega os maiores retornos em geração de caixa e dividendos entre as mineradoras analisadas.
No cenário de preços à vista, a companhia teria um FCF yield (geração de caixa livre sobre valor de mercado) de 7% e dividend yield (retorno com dividendos) de 6,2%, acima das médias dos pares globais, de 4,4% e 4,1%, respectivamente.
Os analistas também revisaram as projeções após os resultados do primeiro trimestre de 2026, incorporando novas estimativas para câmbio e preços das commodities. O JP Morgan agora trabalha com minério de ferro a US$ 99 por tonelada em 2026 e US$ 93 por tonelada em 2027
Além disso, os analistas projetam um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 17,3 bilhões para a Vale neste ano.
Mercado de minério de ferro
A avaliação positiva do banco sobre a Vale acontece em um momento ainda delicado para o mercado de minério de ferro, marcado por dúvidas sobre a demanda global e expectativas de aumento da oferta.
Os analistas destacam como fatores de pressão as medidas mais rígidas de controle da produção siderúrgica na China, o avanço do projeto Simandou, na Guiné, que deve ampliar a oferta global da commodity nos próximos anos, além da alta nos custos de frete e energia.
- Leia também: Dividendos da Vale (VALE3) em risco? O que a desaceleração da China diz sobre a mineradora
Nesta sexta-feira, os preços da commodity caminhavam para a segunda queda semanal consecutiva, pressionados pelas perspectivas de aumento da oferta global e pelo enfraquecimento sazonal da demanda chinesa. As perdas, porém, foram parcialmente limitadas pelo consumo ainda resiliente no curto prazo na China.
O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian, na China, encerrou o pregão com leve queda de 0,13%, a 792 iuanes (US$ 116,51) por tonelada, acumulando perda semanal de 2,5%. Mesmo assim, o minério de ferro segue negociado acima da estimativa do JP Morgan para 2026.
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