A conta aumentou: Banco de Brasília (BRB) busca aporte de quase R$ 9 bilhões com acionistas após caso do Banco Master; entenda
Caso não exerçam a preferência de compra das novas ações, acionistas devem sofrer diluição relevante na participação acionária no capital social total do BRB.

A conta para salvar o Banco de Brasília (BRB) aumentou. A instituição estatal convocou para o dia 18 de março de 2026 uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) que irá deliberar proposta de aumento de capital de até R$ 8,86 bilhões, mostra proposta da administração divulgada ao mercado na noite de quarta-feira (25).
A operação do BRB prevê a emissão de até 1,675 bilhão de ações ordinárias ao preço de R$ 5,29 por ação. O valor mínimo estipulado para o aumento de capital é de R$ 529 milhões.
Com isso, a companhia irá elevar o capital social por meio da emissão de ações, captando recursos via seu próprio equity. O aporte viabilizado pelo mecanismo é comumente utilizado para financiar crescimento, reforçar o caixa, reduzir alavancagem ou levantar recursos em meio à uma reestruturação societária.
O plano é parte de um esforço mais amplo para garantir a liquidez e fortalecer o capital do banco, que enfrenta crise de confiança pelo envolvimento com a instituição de Daniel Vorcaro, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central no ano passado.
“O aumento de capital proposto decorre da necessidade de fortalecimento da estrutura de capital da companhia”, diz o BRB.
A medida quer fortalecer o Patrimônio de Referência (PR), manter os seus indicadores, inclusive o índice de Basileia em patamares prudenciais, garantir adequada capacidade de absorção de perdas esperadas e inesperadas e reforçar a solidez patrimonial e a confiança de depositantes, investidores e contrapartes.
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A AGE ocorrerá de forma exclusivamente digital, às 10h do dia 18 de março.
Novo capital social do BRB
Se a proposta for aprovada, o capital social do BRB passará dos atuais R$ 2,34 bilhões representados por 320.121.140 ações ordinárias e 166.059.947 ações preferenciais para:
- No mínimo, R$ 2,87 bilhões, considerando a subscrição mínima;
- No máximo, R$ 11,2 bilhões considerando a subscrição máxima.
A quantidade de ações efetivamente subscrita e integralizada em meio ao aumento de capital será confirmada apenas na homologação do aumento de capital.
O aumento de capital ocorrerá por meio de subscrição privada de ações, respeitado o direito de preferência de acionistas.
De acordo com o BRB, a operação resultará na elevação do patrimônio líquido e do patrimônio de referência, contribuindo para o fortalecimento dos índices de capitalização regulamentares.
“A medida reduzirá o grau de alavancagem do conglomerado prudencial, ampliará a capacidade de absorção de possíveis perdas esperadas e inesperadas e favorecerá a manutenção do enquadramento prudencial, reforçando a solidez patrimonial e a confiança do mercado na instituição”, diz o banco.
Diluição relevante para atuais acionistas
Caso não exerçam a preferência de compra das novas ações, acionistas devem sofrer diluição relevante na participação acionária no capital social total do BRB.
O percentual de diluição societária potencial para os acionistas que não subscreverem nenhuma ação será de, no máximo, 83,95% em relação às ações ordinárias; 0% em relação às ações preferenciais; e 77,50% em relação a ambas as espécies de ações consideradas em conjunto.
O que aconteceu com o Banco de Brasília?
No sábado (21), o banco havia informado que o governo do Distrito Federal havia enviado uma proposta de capitalização à Câmara Legislativa. O objetivo era usar 12 imóveis como garantia de empréstimos e levantar ao menos R$ 2,6 bilhões para recompor as perdas com a aquisição de carteiras de crédito do Banco Master.
Há alguns meses o Banco de Brasília está nos holofotes do mercado, envolvido no caso do Banco Master, liquidado em novembro do ano passado, após a deflagração da primeira fase da operação Compliance Zero.
Em março de 2025, o Banco de Brasília chegou a apresentar uma proposta para a compra do Banco Master, mas o negócio foi vetado pelo Banco Central logo antes da liquidação da instituição.
As investigações contra o Master apuram suspeitas de um esquema que poderia ter provocado prejuízos superiores a R$ 10 bilhões ao BRB, o que aumentou a atenção do mercado sobre a governança do banco.
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