Assaí (ASAI3) tem lucro 47% menor no 1T26, com queda no preço de arroz e feijão e canetas emagrecedoras; o que fazer com as ações agora?
Os resultados mostram que o cenário de consumo ainda está frágil, com juros altos e endividamento das famílias

A rede de atacarejo Assaí (ASAI3) teve lucro líquido de R$ 86 milhões no primeiro trimestre, queda de 46,7% sobre o resultado obtido um ano antes, segundo balanço divulgado nesta segunda-feira.
Uma queda relevante de 12% em produtos básicos, como arroz, feijão, açúcar e outros, além de um cenário desafiador e endividamento de famílias de baixa renda, prejudicaram os resultados da rede de atacarejos.
Além dos fatores cíclicos, o Itaú BBA aponta uma mudança estrutural no consumo, com o avanço de medicamentos para perda de peso (GLP-1) impactando a demanda por alimentos mais calóricos.
Como resposta, o Assaí tem ampliado sua atuação em frentes como farmácias e produtos de bem-estar. Mas essas frentes ainda estão em estágio inicial.
Nesta manhã (28), as ações da companhia estão em queda na bolsa de valores. Por volta das 11h20, a queda é de 1,98%. O papel chegou a perder mais de 5% de valor na abertura.
Trimestre com ‘fatores adversos’
Em release de resultados, o Assaí disse que o primeiro trimestre foi marcado por um “conjunto de fatores adversos que, somados, representaram um desafio incomum para quem atende principalmente as famílias de menor renda”.
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“Vivemos uma deflação simultânea em commodities essenciais da nossa cesta: arroz, feijão, açúcar, óleo de soja, farinha de trigo e leite UHT apresentaram queda média de 12% no trimestre. Para quem acompanha o setor há décadas, é inédito ver deflação simultânea dessa magnitude nesse grupo de produtos”, disse.
Ao mesmo tempo, acrescentou, o endividamento das famílias atingiu recordes históricos. “Isso se traduz diretamente em menor capacidade de consumo nas classes C, D e E (exatamente o público em maior volume nas nossas lojas)”, afirmou a empresa. “O topo da pirâmide de renda segue consumindo, mas a base está pressionada”.
Como foi o resultado do Assaí?
A companhia teve resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado de R$ 1,025 bilhão, praticamente estável sobre o desempenho do primeiro trimestre do ano passado.
A empresa apurou receita líquida de R$ 18,64 bilhões de janeiro ao final de março, praticamente estável ante os três primeiros meses de 2025. Analistas, em média, esperavam que o Assaí mostrasse Ebitda de R$1,39 bilhão e receita líquida de R$18,95 bilhões, segundo dados recolhidos pela LSEG.
A companhia afirmou que, incluídos novos créditos de PIS/Cofins, o lucro líquido do primeiro trimestre foi de R$ 367 milhões.
A receita líquida cresceu 0,5% na comparação anual, para R$ 18,6 bilhões, refletindo a queda de 0,9% nas vendas em mesmas lojas (SSS), que mais do que compensou o avanço da área de vendas com a abertura de lojas. Mesmo com queda nas vendas em lojas maduras, analistas destacam que a empresa conseguiu manter a rentabilidade com maior controle de receitas.
A geração de caixa foi o principal destaque do trimestre. O Assaí registrou fluxo de caixa livre de R$ 814 milhões, acima das estimativas, impulsionado pela monetização de créditos de PIS/Cofins.
O que dizem os analistas
Para o BTG Pactual, os resultados mostram que o cenário de consumo ainda está frágil. A empresa viu as receitas caírem com uma dinâmica macro desfavorável, com juros altos e endividamento das famílias, e um desafio contínuo com o endividamento, diz o banco.
"Esperamos sinais mais claros de normalização da inflação de alimentos e dos juros ao longo do segundo semestre para uma melhora mais consistente dos fundamentos", disse o Bradesco BBI em relatório.
"O crescimento de vendas segue fraco e abaixo da inflação de alimentos, e não esperamos mudanças relevantes dessa tendência nos próximos trimestres", afirmou o analista Vitor Pini, em relatório do Safra.
No entanto, com a guerra, a inflação de alimentos pode voltar, o que pode favorecer as vendas no curto prazo. Por outro lado, a renda disponível ainda limitada e o ritmo mais lento de queda de juros seguem como fatores de risco.
Mesmo assim, o Assaí tem conseguido melhorar gradualmente as margens brutas e pode se beneficiar do impacto potencialmente positivo da isenção de imposto de renda para pessoas físicas que ganham até R$ 5 mil para impulsionar as vendas no varejo, além da queda dos juros, diz o BTG.
O que fazer com as ações
O BTG Pactual reitera sua recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 11, o que poderia render um retorno de 14,8%.
O Safra reiterou recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 9,40, o que implica potencial de queda de cerca de 2% em relação ao fechamento mais recente.
O Itaú BBA manteve recomendação outperform (equivalente à compra) para as ações, com preço-alvo de R$ 11, o que implica potencial de valorização de cerca de 15% ante o último fechamento.
*Com informações da Reuters, Money Times e Broadcast
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