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Volumes caem, lucro cresce menos e cervejeira holandesa promete crescer com menos espuma daqui para frente
Depois de tantos anos em que o mundo parecia sempre pronto para brindar, a indústria de cerveja enfim começou a sentir uma ressaca mais persistente. A espuma do crescimento baixou — e a Heineken decidiu agir antes que o copo esvazie de vez.
A cervejeira holandesa anunciou nesta quarta-feira (11) um corte de até 6 mil postos de trabalho ao longo dos próximos dois anos, o equivalente a quase 7% da sua força global, hoje estimada em 87 mil funcionários.
A medida faz parte de um plano para tornar a operação mais enxuta em um momento em que o consumo dá sinais claros de desaceleração.
Segundo a Heineken, o movimento faz parte de uma iniciativa para “acelerar a produtividade em larga escala e desbloquear economias significativas”.
“Estamos fazendo isso para fortalecer nossas operações e poder investir no crescimento”, disse o diretor financeiro Harold van den Broek, durante teleconferência de resultados.
Parte dos cortes deve se concentrar na Europa e em mercados considerados não prioritários, com menor potencial de expansão, segundo o CFO.
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Outra fatia virá de programas já anunciados para enxugar a rede de fornecimento, a estrutura da sede e unidades regionais.
O ajuste acontece em um momento de pressão para a Heineken. No papel, o lucro operacional ajustado avançou 4,4% em 2025, para 4,385 bilhões de euros.
Mas o dado que realmente dita o rumo da indústria é o volume — e esse esfriou. No quarto trimestre, os volumes consolidados de cerveja recuaram 1,7%. No acumulado do ano, a queda foi de 1,2%.
O discurso para 2026 também veio mais comedido. A empresa projeta agora crescimento de lucro entre 2% e 6%, abaixo da faixa de 4% a 8% prevista anteriormente no guidance para 2025.
A dona de marcas como Heineken, Amstel e Tiger tem sido cobrada por investidores por maior produtividade, diante da percepção de que ficou atrás de alguns concorrentes em eficiência operacional.
O novo plano responde diretamente a essa pressão: se o consumidor desacelera, a companhia precisa apertar a própria torneira de custos para sustentar a rentabilidade.
A redução de custos também acontece em meio a uma transição relevante na liderança. A companhia está à procura de um novo presidente-executivo após a renúncia surpresa do CEO Dolf van den Brink, anunciada em janeiro.
A Heineken não está sozinha. O setor de bebidas alcoólicas como um todo enfrenta vendas mais fracas, pressionadas por consumidores mais sensíveis a preços, orçamentos apertados e até condições climáticas adversas em mercados importantes.
A rival Carlsberg também anunciou demissões recentemente, enquanto outras fabricantes vêm cortando custos, vendendo ativos e ajustando a produção após anos de crescimento mais morno.
*Com informações da Reuters e do Estadão Conteúdo.
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