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O estrangeiro está cada vez mais sedento pelos ativos brasileiros, e o fluxo que tanto atrapalhou o Ibovespa no passado pode finalmente se tornar uma fonte propulsora
Não tinha dado nem 7 horas da manhã e logo surgia o chamado para a luta: “Próxima estação: Consolação. Acesso à Linha 4-Amarela. Desembarque pelo lado esquerdo."
Essas palavras antecedem uma das batalhas diárias dos gladiadores que frequentam o metrô de São Paulo. Quem precisa fazer a baldeação da linha verde para a linha amarela (para, por exemplo, chegar à Faria Lima), precisa percorrer 300 metros repletos de obstáculos como esteiras, escadas, túneis e — o mais difícil de todos — um mar de gente.
No horário de pico são mais de mil pessoas fazendo o mesmo trajeto, e quem está no meio não tem como desistir.
Se sua carteira cair ou se no meio do caminho você se lembrar que deveria ter ido para o outro lado, paciência... porque se resolver parar ou tentar mudar de direção no meio do caminho será engolido pela multidão.
Sem alternativa a não ser seguir o fluxo, eu ligava meu fone no último volume, dava play em Victorious March, do Amon Amarth, e ia para a batalha.
Eu lembrei da tal baldeação nesta semana, ao ler sobre o enorme fluxo gringo que está desembarcando na bolsa brasileira. Em menos de um mês já temos mais de 60% de todo o aporte líquido estrangeiro de 2025!
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Por que isso é importante? Mesmo sem grandes notícias, o Ibovespa não para de renovar máximas, e isso está diretamente relacionado ao dinheiro vindo de fora.
Como o nosso mercado é relativamente pequeno (a capitalização das integrantes do Ibovespa é de menos de US$ 1 trilhão vs US$ 60 trilhões do S&P 500), qualquer aporte mais pesado consegue fazer o Ibovespa subir forte, mesmo sem qualquer novidade positiva.
Isso representa uma mudança drástica para o que estávamos observando nos últimos anos. Com Selic elevada e muitos problemas fiscais, tanto gringos como investidores locais retiraram muito dinheiro da bolsa.
O fluxo estava jogando contra, e por isso passamos vários anos observando empresas espetaculares negociando por preços ridículos — contra o fluxo, não há argumentos.
Leia também: Onde não investir em 2026 — e um plano B se tudo der errado
Mas tudo indica que essa dinâmica está mudando, ajudada pelas truculências de Donald Trump e pela perspectiva de quedas dos juros no Brasil. O gringo está cada vez mais sedento pelos ativos brasileiros, e o fluxo que tanto atrapalhou o Ibovespa no passado pode finalmente se tornar uma fonte propulsora.
O que fazer para aproveitar essa mudança? Nada diferente do que já estávamos fazendo: comprar ações de empresas boas e com valuations atrativos. A diferença é que, desta vez, estaremos a favor do fluxo, e isso já faz uma enorme diferença.
Prova disso é que janeiro nem terminou e a Carteira Mensal de Dividendos já sobe quase 20% no ano. Se quiser conferir a carteira completa e saber como investir nas recomendações de fevereiro de forma automatizada, deixo aqui o convite.
Um abraço e até a próxima,
Ruy!
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