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Ações chegaram a cair mais de 5% após o balanço, mas analistas mantêm visão positiva sobre a construtora e destacam geração de caixa e valuation atrativo

Queridinha entre analistas e gestores, a Direcional (DIRR3) está sofrendo na bolsa nesta quarta-feira (12), após a divulgação do balanço do segundo trimestre na noite de ontem (11).
Por volta das 11h55, a construtora liderava as quedas do Ibovespa, com perdas de 2,45%, a R$ 10,74. Ao longo da manhã, as ações chegaram a cair mais de 7% e o papel chegou a entrar em leilão.
Mesmo após os números do período entre abril e junho mostrarem margens fortes, rentabilidade elevada e uma geração de caixa destacada como grande ponto positivo do balanço por analistas, parte do mercado torceu o nariz para alguns pontos.
Na visão do Citi, embora a rentabilidade atual permaneça robusta, a queda contínua da margem do backlog — que reúne vendas já realizadas, mas cujos resultados ainda serão reconhecidos conforme as obras avançam — caiu de 45,2% no mesmo período do ano passado para 43,9% nos últimos três meses.
Os analistas destacam isso como um ponto de preocupação, já que os projetos que alimentarão os resultados futuros podem ser um pouco menos rentáveis do que aqueles que sustentam as margens atuais.
Além disso, a conversão de caixa continua sendo um ponto-chave a ser acompanhado mais de perto nos próximos trimestres, na visão do Citi, que classificou o resultado como neutro, mas manteve a recomendação de compra para as ações DIRR3.
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Segundo o time de análise, o resultado foi impactado por despesas com vendas acima do esperado, principalmente em razão do maior volume de lançamentos no trimestre — R$ 2,1 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), mais que o dobro dos R$ 1 bilhão do trimestre anterior — e por um resultado financeiro negativo.
Apesar disso, os bancões gostaram do que viram no resultado. Tanto BTG Pactual, quanto Itaú BBA e XP classificaram os números como sólidos e reforçaram a recomendação de compra para a ação.
Para os analistas do BTG Pactual, dois pontos se destacaram no período: a geração positiva de fluxo de caixa livre e a elevada rentabilidade da companhia.
A geração de caixa foi de R$ 129,6 milhões no trimestre, revertendo o consumo de R$ 76,5 milhões registrado entre janeiro e março.
O fluxo de caixa livre (FCF) ajustado alcançou R$ 85 milhões, bem acima dos R$ 50 milhões projetados pelo banco e dos R$ 21 milhões registrados no primeiro trimestre.
O caixa mais forte também ajudou a Direcional a reduzir a alavancagem. A dívida líquida caiu de R$ 612,8 milhões no fim do primeiro trimestre para R$ 492,3 milhões em junho. Com isso, a relação entre dívida líquida e patrimônio líquido recuou de 24% para 18% no período.
A companhia entregou um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) anualizado de cerca de 35%.
O Itaú BBA também viu a geração de caixa como uma das principais boas notícias do balanço. Segundo os analistas, há sinais de que esse número pode melhorar nos próximos meses.
A administração informou que os recebimentos relacionados aos repasses para a Caixa Econômica Federal avançaram para R$ 400 milhões em julho, depois de oscilarem entre R$ 260 milhões e R$ 300 milhões por mês entre abril e junho.
A melhora também aumentou a confiança do BBA de que a Direcional poderá voltar a realizar distribuições relevantes de dividendos. O Itaú estima um dividend yield de 12% para 2027.
Segundo a XP, os resultados da Direcional foram ligeiramente positivos, com margens ajustadas e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) acima das expectativas, compensando um resultado financeiro mais fraco.
Para o BTG, além das margens elevadas e da geração de caixa, a Direcional continua bem posicionada para aproveitar o momento favorável do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e ainda pode surpreender positivamente no crescimento.
"Além disso, a empresa negocia a um valuation atrativo, de 5 vezes o preço sobre o lucro (P/L) estimado para 2027", escrevem os analistas em relatório.
O Itaú BBA também vê múltiplos descontados de 6 vezes e 4 vezes o P/L ajustado estimado para 2026 e 2027, respectivamente. O Citi, por sua vez, vê a ação negociada a 5,1 vezes o P/L estimado para 2027, ante uma média de 4,8 vezes para o setor.
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