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PRÊMIO ELEITORAL

O real ficou para trás: a moeda brasileira perdeu fôlego entre os emergentes — o que a eleição tem a ver com isso?

Rebaixamento pelo JPMorgan e ajustes da MSCI acionaram o gatilho; com dúvidas fiscais no horizonte e a proximidade do pleito, investidores desmontam apostas e buscam proteção na Selic

gráfico de açõesao fundo, com uma moeda de 1 real ao centro
Imagem: iStock/Edson Souza

Durante boa parte do ano, investidores globais mantiveram posições otimistas (leia-se compradas) no real. No entanto, a maré virou quando referências do mercado internacional emitiram alertas sobre o Brasil. 

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O primeiro sinal amarelo veio quando o JPMorgan rebaixou a recomendação para a compra de ativos brasileiros. Quase em paralelo, a provedora de índices MSCI anunciou a exclusão dos papéis da Stone da sua carteira de referência para o país. 

Essa dupla mudança de postura serviu como estopim para que grandes fundos começassem a reavaliar a exposição ao risco brasileiro. 

O prêmio eleitoral entra na conta  

À medida que o calendário avança e o ambiente político ganha protagonismo nas análises diárias, o mercado passa a precificar o chamado prêmio eleitoral. 

A preocupação dos analistas vai além do resultado do pleito em si e alcança a sustentabilidade da trajetória fiscal nos próximos anos.  

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A dúvida sobre se haverá disposição e espaço político para promover ajustes estruturais nas contas públicas faz com que os investidores exijam um retorno maior para manter o capital no país. 

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Para reduzir esse risco, gestores realizam lucros, vendem real e compram moedas emergentes de países que não enfrentam incertezas políticas no momento, além do próprio dólar. 

Não à toa, relatórios divulgados nos últimos dias por grandes bancos mostram que o mercado entra na campanha com posições ainda compradas em real, mas já há um movimento de desmonte diante do cenário eleitoral, aumentando a pressão sobre a moeda brasileira.  

Na semana, o real acumula uma queda de cerca de 2,5% com relação ao dólar. No mesmo período e na mesma base de comparação, o peso mexicano e o peso colombiano avançaram 0,60%, enquanto o won da Coreia do Sul se manteve estável, com leve ganho de 0,06%.  

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“O dólar acumulou cinco altas consecutivas e chegou a superar R$ 5,23 nesta sexta-feira, maior nível desde o início de julho. O real teve o pior desempenho entre as moedas mais líquidas no período, mesmo com o enfraquecimento global da moeda norte-americana", afirma Bruna Sene, analista de Renda Variável da Rico.

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Volatilidade à frente

A desmontagem de posições compradas no real acelera a alta do dólar. Basta ver que a moeda norte-americana superou a média móvel de 200 dias cotada em torno de R$ 5,20.  

Segundo as análises recentes, o comportamento dos ativos brasileiros, entre eles o real, continuará sensível aos desdobramentos da campanha eleitoral e às propostas econômicas apresentadas. 

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“Grandes fundos globais estão reduzindo posição no Brasil para se protegerem da volatilidade do período eleitoral e das incertezas no campo fiscal”, disse Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad. 

Vale lembrar que os partidos têm até este sábado (15) para registrar seus candidatos. A campanha eleitoral começa oficialmente no domingo (16).

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