Os gringos estão de olho no Ibovespa, mas as eleições assustam; veja o que diz pesquisa com gestores que reúnem US$ 90 bi
O humor com o Brasil melhorou, as projeções para o Ibovespa dispararam, mas as incertezas das eleições afastam posições maiores

O investidor estrangeiro está olhando para o Brasil e o Ibovespa com mais entusiasmo do que há um mês, mas isso não significa que uma onda de dinheiro está prestes a desembarcar de novo na B3.
A nova edição da pesquisa do Bank of America (BofA) com gestores responsáveis por cerca de US$ 90 bilhões em ativos, mostra uma combinação de avaliações positivas para o mercado brasileiro, mas com pontos de cautela no radar.
A leitura geral é que os gringos ficaram mais otimistas com os ativos locais, mas continuam tratando a eleição presidencial como um fator importante para suas decisões de alocação.
De um lado, os gestores passaram a enxergar um potencial muito maior de valorização para a bolsa brasileira até o fim de 2026.
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De outro, apenas uma parcela minoritária afirma que aumentaria a exposição às ações brasileiras nos níveis atuais antes do primeiro turno.
Ibovespa voando
O maior sinal da melhora de humor aparece nas projeções para o Ibovespa.
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Em agosto, apenas 34% dos gestores acreditavam que o principal índice da bolsa brasileira encerraria 2026 acima dos 180 mil pontos. Agora, esse percentual saltou para 73%.
Mais do que isso. Quase metade (46%) dos participantes acredita que o Ibovespa pode terminar o ano acima dos 200 mil pontos.
Nesta terça-feira (15), o índice IBOV fechou aos 186,5 mil pontos.
Mas não se trata apenas de uma aposta na bolsa.
Por trás dessa visão está a percepção de que o país pode entrar em um momento mais favorável para os mercados: juros em queda, inflação sob controle e alguma melhora das condições políticas depois das eleições.
E isso fica mais evidente com as respostas dos gestores diante da escolha entre os dois maiores mercados da América Latina. Quase 70% dos entrevistados acreditam que o mercado brasileiro terá desempenho superior ao do México nos próximos seis meses.
O dado é relevante porque mede uma escolha relativa.
Para o investidor global, a decisão normalmente não é apenas se compra ou vende Brasil. Normalmente, a escolha é entre Brasil, México, Chile, Colômbia ou outros mercados emergentes da América Latina.
E, neste momento, o Brasil está vencendo essa disputa.
Incerteza das eleições
Apesar da melhora das expectativas, os investidores estrangeiros ainda demonstram cautela quando o assunto é aumentar imediatamente a exposição ao país.
Segundo a pesquisa, apenas 30% dos gestores afirmam que adicionariam mais ações brasileiras aos portfólios nos níveis atuais de preço antes do primeiro turno das eleições.
A maioria prefere esperar.
Cerca de 26% comprariam o Ibovespa antes das eleições, desde que o índice passasse por uma correção significativa. Outra parcela (20%) quer mais clareza sobre o resultado eleitoral ou sobre quais políticas econômicas estarão no centro do próximo governo (12%).
Ainda assim, quem está entrando vem adotando uma postura mais agressiva em suas carteiras.
A pesquisa do BofA diz que o nível de risco das carteiras atingiu em setembro o maior patamar desde março de 2026.
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Dos gestores posicionados em Brasil, 17% têm hoje um nível de risco acima do normal em seus portfólios, enquanto a compra de proteções para uma forte queda das bolsas nos próximos meses está ligeiramente abaixo da média histórica.
No mais, dois terços dos entrevistados disseram que pretendem aumentar a exposição a ações do Brasil nos próximos seis meses.
Mais cortes na Selic
A percepção construtiva com os ativos brasileiros também aparece nas expectativas para a política monetária.
Segundo o levantamento, 83% dos gestores esperam pelo menos mais um corte na taxa Selic este ano. Cerca de metade acredita que o ciclo de redução de juros pode continuar depois disso, levando a taxa até 13,5% pelo menos.
Quando perguntados sobre os fatores que poderiam abrir espaço para cortes adicionais, os investidores citaram melhora das expectativas de inflação, melhora do quadro fiscal, condições políticas mais favoráveis e fortalecimento do real.
Ao mesmo tempo, a expectativa para a atividade econômica é baixa, enquanto as projeções para o câmbio estão moderadas.
A maior parte dos gestores projeta crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre 1% e 2% em 2026.
Para o câmbio, a concentração das projeções está em uma faixa entre R$ 4,81 e R$ 5,10 por dólar no fim de 2026.
Quanto desse otimismo vai se transformar em fluxo efetivo para o Ibovespa dependerá dos fatores que a pesquisa indica: eleições e juros.
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