BDRs de Nubank, XP, Inter e JBS podem ganhar espaço no Ibovespa; entenda por que isso importa
A B3 vai permitir a entrada de BDRs de empresas brasileiras no principal índice da bolsa a partir de 2027

Nubank, XP, Inter e JBS ficaram de fora do Ibovespa mesmo após se tornarem algumas das companhias mais negociadas pelos investidores brasileiros. Mas isso deve mudar a partir de 2027, quando a B3 passará a permitir a entrada de BDRs de empresas brasileiras no principal índice de ações da bolsa.
Hoje, esses recibos de ações listadas no exterior ficam de fora do IBOV, mesmo representando companhias grandes e de interesse local.
Na prática, a alteração deve aproximar o índice da realidade atual do mercado de capitais brasileiro. Isso porque, nos últimos anos, diversas empresas fundadas ou com forte presença no Brasil optaram por concentrar suas negociações em bolsas dos Estados Unidos.
No ranking Top 10, do boletim mensal da B3, seis BDRs são de empresas brasileiras — deixando claro o interesse dos investidores por esses ativos.
- LEIA TAMBÉM: INBR32 dá adeus à B3: Inter prepara mudança nos BDRs e deixa uma decisão importante para os investidores
Mas, afinal, o que exatamente muda para o investidor? E quais empresas podem ganhar espaço no Ibovespa? Confira a seguir.
O que muda na prática para quem investe em Ibovespa?
Para o investidor pessoa física, a mudança não altera diretamente a forma de investir, mas deve mudar a composição dos produtos que compõem o Ibovespa.
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A visibilidade e informações sobre os BDRs que entrarão no índice tendem a aumentar, assim como o acompanhamento dos ativos no dia a dia dos pregões da bolsa.
Já quem investe em ETFs e fundos que replicam o Ibovespa poderão vir a ter uma exposição indireta a essas empresas, mesmo sem comprar os BDRs individualmente.
A mudança tende a aumentar a visibilidade desses ativos e reforçar sua liquidez, já que gestores desses fundos e ETFs precisarão acompanhá-los.
Isso não significa, porém, valorização garantida das cotações.
Quais empresas podem entrar no Ibovespa?
A mudança não significa que todos os BDRs de empresas brasileiras serão incluídos automaticamente no Ibovespa.
Esses papéis vão passar pelo mesmo filtro que as demais ações da bolsa passam. Isso significa que precisarão atender aos critérios de liquidez, negociação e presença em pregão exigidos pela metodologia do índice.
Mas alguns nomes já aparecem como candidatos naturais.
Segundo o último boletim mensal de BDRs da B3, de julho, alguns ativos despontam no ranking de maiores volumes de negociação diária (ADTV) nos últimos 12 meses. São eles:
- JBS (JBSS32): R$ 123,21 milhões
- Inter (INBR32): R$ 89,91 milhões
- Aura Minerals (AURA33): R$ 76,41 milhões
- XP Inc (XPBR31): R$ 67,79 milhões
- Nubank (ROXO34): R$ 66,41 milhões
- Mercado Livre (MELI34): R$ 65,51 milhões
Todos registram volumes diários expressivos, condição fundamental para disputar espaço na carteira teórica do Ibovespa.
O Mercado Livre é um ponto de dúvida. A empresa é argentina e tem a sua sede localizada em Montevidéu, no Uruguai. Entretanto, o maior volume de operação da companhia é no Brasil. Sua entrada no Ibovespa dependerá dos critérios de elegibilidade da B3.
Vale destacar que o Meli faz parte do índice Bovespa B3 BR+ (IBBR), da B3, que reúne ações do Ibovespa e BDRs de brasileiras.
Por que a participação dos BDRs será limitada a 10%?
A B3 definiu que os BDRs de empresas brasileiras poderão representar, no máximo, 10% da carteira do Ibovespa.
O objetivo é preservar o enquadramento regulatório do índice, que não permite ações estrangeiras, e evitar impactos para fundos de investimento e entidades de previdência que utilizam o Ibovespa como referência para suas estratégias e regulamentos internos.
Embora sejam recibos de ações de empresas brasileiras, na prática, esses BDRs representam ações estrangeiras. Por isso, a participação conjunta deles não poderá ultrapassar esse limite.
Isso cria espaço para a entrada desses ativos sem alterar de forma radical as características do principal índice de ações da bolsa brasileira.
Por que a B3 decidiu mudar a metodologia?
Segundo a B3, a alteração faz parte de um processo de atualização da metodologia para acompanhar a evolução do mercado brasileiro.
A operadora da bolsa destaca que o mercado passou por mudanças importantes nos últimos anos, incluindo a ampliação do acesso dos investidores aos BDRs e o crescimento da liquidez desses papéis.
Até 2020, esse mercado era restrito a investidores qualificados.
Com a mudança regulatória, o acesso foi ampliado para o público em geral, aumentando significativamente a base de investidores e o volume negociado desses ativos.
Em julho de 2026, os investidores pessoas físicas representavam 34,2% das posições em BDRs.
Quando a mudança entra em vigor?
A nova regra passará a valer no primeiro semestre de 2027.
Segundo a B3, o prazo foi definido para permitir a adaptação dos participantes do mercado, especialmente gestoras de fundos e entidades previdenciárias que utilizam o Ibovespa como benchmark.
Até lá, a bolsa deve divulgar os detalhes operacionais e o cronograma completo de implementação da mudança.
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