Os 30 minutos que selaram o destino da bolsa em Nova York — e do Ibovespa — após a alta dos juros nos EUA
Os investidores esperavam que o banco central norte-americano subisse a taxa nesta quarta-feira (16), o problema foi o que veio depois da decisão

A alegria de Wall Street durou meia hora. Esse foi o tempo que o mercado levou entre digerir a decisão do Federal Reserve (Fed) desta quarta-feira (16), que era amplamente esperada e manteve a Bolsa de Nova York em alta, e avaliar as declarações de Kevin Warsh na coletiva express concedida pelo presidente do banco central norte-americano.
O Dow Jones, que operava perto da estabilidade, perdeu mais de 600 pontos, ou 1,2%, enquanto S&P 500 e Nasdaq inverteram a tendência de ganhos para terminar o dia no vermelho.
Em decisão unânime, o comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) elevou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual (pp), para a faixa entre 3,75% a 4,00% ao ano, no primeiro aperto monetário nos EUA desde julho de 2023.
Mais de 90% do mercado esperava por essa alta dos juros. Foi depois da coletiva de 30 minutos de Warsh que a bolsa virou em Nova York — um movimento que foi acompanhado pela disparada dos Treasurys de dez anos, que voltaram a ser negociados acima da marca dos 5%.
Por aqui, o Ibovespa seguiu em trajetória de queda até o fim das negociações, encerrando o dia com baixa de 0,51%, aos 185.547,66 pontos. O dólar à vista, que chegou a subir durante a sessão, fechou perto da estabilidade, cotado a R$ 5,1514.
O que derrubou a bolsa
O mercado não gosta de aumento de juros, e isso não é novidade, já que taxas mais altas encarecem o custo do dinheiro e retiram o apetite do investidor por ativos mais arriscados como as ações. Como a decisão de hoje era esperada, a reação inicial da bolsa em Nova York não foi negativa.
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As projeções do Fomc, que acompanharam a decisão, também não foram o problema — mesmo indicando que o Fed deve elevar os juros mais uma vez ainda este ano, provavelmente em dezembro.
O problema foi a interpretação das declarações de Warsh. O mercado entendeu que o banco central norte-americano está atrás da curva, ou seja, agindo com atraso para conter a disparada de preços nos EUA, mesmo depois do aumento dos juros de hoje.
“O fato simples é que a inflação está alta demais e isso já vem de muito tempo”, disse Warsh. “As leituras de inflação atuais não me dizem que as tendências subjacentes estejam melhorando significativamente”, acrescentou.
Na coletiva, o presidente do Fed reconheceu que as principais métricas de inflação nos EUA estão rodando entre 3% e 4%, bem acima da meta de 2% do banco central norte-americano.
Para a Capital Economics, embora as projeções sugiram que o Fed possa se dar por satisfeito com apenas dois aumentos de juros neste ano, as autoridades do Fed estão subestimando o potencial de queda da taxa de desemprego.
A consultoria britânica manteve a previsão de um terceiro aumento da taxa no início de 2027.
"Caso ocorra o aperto no mercado de trabalho e isso impulsione o crescimento dos salários conforme esperamos, tal cenário deve ser suficiente para garantir mais um aumento, totalizando 75 pontos-base em elevações", diz.
O setor financeiro foi o que esteve sob mais pressão após a decisão do Fed. As ações do Bank of America e do Wells Fargo caíram 3% por temores de que juros mais altos desacelerem os empréstimos e a economia.
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